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Meio Ambiente

Mesmo em época de cheia, Rio Paraguai sofre com nível baixo

De acordo com o SGB, a média do rio em março é de 2,52 metros; nesta segunda, o rio atingiu apenas 88 cm

Por Mylena Fraiha | 18/03/2024 18:33
Trecho do Rio Paraguai, em Corumbá. (Foto: Arquivo/Reprodução/Defesa Civil)
Trecho do Rio Paraguai, em Corumbá. (Foto: Arquivo/Reprodução/Defesa Civil)

Após enfrentar uma devastação causada por índices históricos de queimadas em 2020 e 2023, o Pantanal continua enfrentando desafios devido às chuvas abaixo da média, que resultam em um nível baixo das águas no Rio Paraguai durante a época de cheia.

De acordo com o monitoramento realizado pela Marinha do Brasil, o nível na régua de Ladário, localizada a 426 km da Capital, atingiu apenas 90 centímetros em 7 de março e permanece estagnado há 12 dias, conforme indicam os dados divulgados diariamente pela instituição.

Nesta segunda-feira (18), foi registrado um nível ainda mais baixo, marcando 88 centímetros, o que representa uma diminuição de dois centímetros em relação à semana anterior. Esse valor está muito aquém da faixa de normalidade histórica para essa época do ano, que deveria estar em torno de 2,52 metros, segundo o SGB (Serviço Geológico do Brasil, vinculado ao Ministério das Minas e Energia).

Em 18 de março de 1971, ano em que foi registrada a menor cheia, o nível estava em 89 centímetros, segundo o professor Carlos Padovani. Ou seja, estava um centímetro acima dos 88 centímetros registrados nesta segunda-feira (18).

O pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Roberto Padovani, explica que esse baixo nível do Rio Paraguai está diretamente ligado à diminuição das chuvas na região do planalto da Bacia do Alto Paraguai e no próprio Pantanal.

“Estamos estagnados, porque estamos em uma situação rara de não ter um volume e distribuição de chuvas comuns nessa região. As chuvas que temos são localizadas e aparecem em pancadas rápidas. E é uma bacia muito grande, precisa de muita chuva e ser muito distribuída”, explica Carlos.

De acordo com Carlos, a maior parte da Bacia do Alto Paraguai, que inclui o Pantanal, converge em Ladário, tornando-o um local crucial para monitorar e entender a dinâmica da bacia. “Mais de 80% da bacia do Rio Paraguai está acima de Ladário. Ladário converge todos esses rios. Por isso é um bom lugar para medir e entender a dinâmica da bacia. Também temos dados antigos na região, o que ajuda a monitorar”.

Gráfico de monitoramento da Marinha mostra que em 2024 o Rio Paraguai apresentou uma redução na altura das águas (Imagem: Reprodução/Marinha do Brasil)
Gráfico de monitoramento da Marinha mostra que em 2024 o Rio Paraguai apresentou uma redução na altura das águas (Imagem: Reprodução/Marinha do Brasil)

Seca histórica - Importante ressaltar que, conforme indica o monitoramento do SGB, os rios da Bacia do Rio Paraguai, no Pantanal, já vinham apresentando níveis abaixo da média desde fevereiro, que é considerado o período de cheias na região que abrange Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na estação de Porto Murtinho, por exemplo, o rio alcançou apenas 1,67 m no dia 8 de fevereiro, muito abaixo da cota mediana de 3,3 m.

De acordo com Carlos, a provável seca histórica do Rio Paraguai faz parte de um ciclo de estiagem que teve início ainda em 2019, quando os níveis do rio alcançaram 2,41 metros, também em um dia 18 de março, em Ladário.

Já no dia 18 de março de 2020, o Rio Paraguai, na região de Ladário, atingiu apenas 1,66 metro. No mesmo dia e local, no ano passado, o rio registrou 2,12 metros.

“Estamos passando por um período de estiagem desde 2019. Isso tem relação com as questões climáticas em nível continental. Atualmente, estamos enfrentando uma situação semelhante à estiagem histórica da década de 60", explica Carlos. No dia 18 de março de 1964, o nível do Rio Paraguai chegou a registrar 1,20 metro.

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