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Meio Ambiente

MS cada vez mais seco: Estado perdeu 57% de água nos últimos 30 anos

Mato Grosso do Sul foi o estado que mais perdeu cobertura hídrica em todo Brasil, segundo pesquisa

Por Guilherme Correia e Paula Maciulevicius Brasil | 23/08/2021 09:35
Região da Serra do Amolar, nas queimadas históricas de 2020. (Foto: Arquivo)
Região da Serra do Amolar, nas queimadas históricas de 2020. (Foto: Arquivo)

A imagem do Pantanal na Serra do Amolar é das queimadas de 2020, mas simbolizam o que vem acontecendo na região ao longo de 30 anos. Desde 1990, Mato Grosso do Sul perdeu mais da metade de todo o seu recurso hídrico. O percentual, segundo o MapBiomas chega a 57%.

Feito a partir da análise de imagens de satélite geradas entre 1985 e 2020, o estudo indica que o Estado foi o que mais perdeu, de forma absoluta e proporcional, superfície de água. Em seguida, aparece o vizinho Mato Grosso, que detém a outra parte do Pantanal.

Se no primeiro ano analisado, havia mais de 1,3 milhão de hectares cobertos por água, em 2020, se tornou apenas pouco mais de 589 mil hectares. Mais de 780 mil hectares de água foram perdidos no período. Dados podem ser conferidos por meio deste link.

Veja como era, em 1985, e como ficou, em 2020, a cobertura de água em Mato Grosso do Sul, sobretudo no bioma pantaneiro. (Foto: Mapbiomas)
Veja como era, em 1985, e como ficou, em 2020, a cobertura de água em Mato Grosso do Sul, sobretudo no bioma pantaneiro. (Foto: Mapbiomas)

Pantanal - Segundo a análise, essa redução acontece, principalmente, no Pantanal, ainda que toda a bacia do Paraguai seja afetada pela redução da superfície de água.

De acordo com tais dados, Corumbá, a 414 quilômetros de Campo Grande, foi o município que mais pegou fogo em todo Brasil e foi o que mais perdeu recursos hídricos. Cáceres (MT) foi o quinto que mais queimou no País e é o vice-líder em perda de superfície de água.

“Os ciclos de fogo e água estão interligados e se retroalimentam. Menos água deixa a terra e a matéria orgânica que se depositam sobre ela mais vulneráveis ao fogo. Mais fogo suprime a vegetação, que tem papel crucial para perenizar nascentes e mananciais”, explica o coordenador do Mapbiomas, Tasso Azevedo.

A perda da superfície de água natural por conta de estruturas construídas pelo homem, como barragens, tem consequências preocupantes na alteração do regime hídrico, afetando a biodiversidade e a dinâmica dos rios, segundo ele.

O coordenador de projetos do WWF-Brasil, Cássio Bernardino, explica na publicação divulgada pelo Mapbiomas, que o Pantanal é um desses exemplos, com a construção de hidrelétricas nos rios que formam o bioma. Além disso, diz, a produção agropecuária altera o regime de drenagem da água e intensifica o depósito de sedimentos na malha fluvial. "Se esse modelo de desenvolvimento não for revisto, o futuro Pantanal está comprometido”, diz.

Superfície de água tem reduzido em Mato Grosso do Sul (Gráfico: Mapbiomas)
Superfície de água tem reduzido em Mato Grosso do Sul (Gráfico: Mapbiomas)

Impacto ambiental - Oito das 12 regiões hidrográficas do Brasil e todos seus biomas secaram entre 1985 e 2020. A superfície coberta por água do País, em 2020, era de 16,6 milhões de hectares, uma área equivalente ao estado do Acre ou quase 4 vezes o estado do Rio de Janeiro.

Desde 1991, quando chegou a 19,7 milhões de hectares, houve uma redução de 15,7% da superfície de água no País. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a mais de uma vez e meia a superfície de água de toda região nordeste em 2020.

“Mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros. Ao mesmo tempo, secas extremas e inundações associadas às mudanças climáticas aumentaram a pressão sobre os corpos hídricos e ecossistemas aquáticos”, explica Carlos Souza, coordenador do grupo de trabalho sobre água do Mapbiomas.

O Brasil possui 12% das reservas de água doce do planeta, constituindo 53% dos recursos hídricos da América do Sul. Existem 83 rios fronteiriços e transfronteiriços, assim como bacias hidrográficas e aquíferos. As bacias hidrográficas transfronteiriças ocupam 60% do território brasileiro.

"Se não implantarmos a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável”, alerta Souza.

O bioma com a maior área coberta por água no Brasil é a Amazônia, com mais de 10,6 milhões de hectares de área média, seguida pela Mata Atlântica (mais de 2,1 milhões de hectares) e pelo Pampa (1,8 milhão de hectares). O Pantanal ocupa a quinta posição, com pouco mais de 1 milhão de hectares de área média, atrás do Cerrado (1,4 milhão de hectares).

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