População de peixes migratórios caiu 90% desde 1970, alerta chanceler da Bolívia
Aramayo Carrasco cita colapso para defender união entre Brasil, Paraguai e Bolívia para proteção do Pantanal
Em discurso no encontro do Segmento de Alto Nível, realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, afirmou que a proteção da biodiversidade precisa ser tratada como uma questão estratégica para os países.
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Diante de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Paraguai Santiago Peña e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o chanceler destacou que o tema vai além da agenda ambiental. “A proteção das espécies migratórias não é somente uma questão ambiental, é uma questão de segurança regional e de estabilidade futura”, afirmou.
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Segundo ele, a degradação dos ecossistemas já representa uma ameaça concreta. “Temos uma redução de 90% dos peixes migratórios desde 1970, e isso é um sinal e um alerta estratégico sobre a sustentabilidade dos nossos sistemas produtivos e a estabilidade de comunidades inteiras”, disse.
Carrasco também criticou a fragmentação ambiental e defendeu maior integração entre os países. “Não podemos continuar com a fragmentação. Essa fragmentação representa vulnerabilidade. A conectividade deve ser entendida como um eixo da segurança coletiva”, ressaltou.
O ministro destacou ainda a importância de ações conjuntas para preservar áreas estratégicas como o Pantanal, que envolve Brasil, Bolívia e Paraguai. “Reconhecemos seu valor ecológico e estratégico e já contamos com ações na Declaração do Pantanal de 2018”, afirmou.
Ele também citou iniciativas no Chaco Sul-Americano e acordos voltados à conservação de espécies, como os flamingos andinos, defendendo maior coordenação institucional e troca de informações entre os países. As aves são, justamente, um dos pontos de destaque na conferência que começa oficialmente amanhã.
Ao falar do papel da Bolívia, Carrasco destacou a posição estratégica do país. “Somos um nó de cooperação entre a Amazônia e o Chaco, o que nos dá uma responsabilidade particular para a estabilidade regional”, disse. Por fim, o chanceler reforçou o compromisso boliviano com a cooperação internacional. “Sem estabilidade, não há desenvolvimento sustentável. A Bolívia reitera seu compromisso de trabalhar para fortalecer a cooperação, proteger as zonas úmidas e assegurar as rotas migratórias”, concluiu.


