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Meio Ambiente

Seca atinge 15 municípios de MS; Ladário tem situação mais intensa

Monitoramento aponta 14 cidades com estiagem leve e uma em condição moderada; El Niño deve se intensificar

Por Inara Silva | 19/08/2026 18:12
Seca atinge 15 municípios de MS; Ladário tem situação mais intensa

A seca atinge 15 municípios de Mato Grosso do Sul. O dado faz parte do levantamento do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), que aponta 14 municípios classificados com seca fraca e Ladário como o único em condição de seca moderada. Não há cidades enquadradas nas categorias seca grave, extrema ou excepcional.

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Quinze municípios de Mato Grosso do Sul enfrentam seca, segundo levantamento do Cemtec referente a julho. Quatorze estão em seca fraca e Ladário em seca moderada, com riscos de perdas em culturas e baixos níveis de reservatórios. O cenário mostra melhora em relação a junho. Para o trimestre de setembro a novembro, a previsão aponta chuvas e temperaturas acima da média, com El Niño em intensidade muito forte, segundo a NOAA.

A classificação integra o Monitoramento Mensal das Secas, elaborado pela equipe técnica do Cemtec/Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). O relatório referente a julho foi produzido em agosto.

Estão sob seca fraca Selvíria, Aparecida do Taboado, Miranda, Inocência, Paraíso das Águas, São Gabriel do Oeste, Aquidauana, Figueirão, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim, Paranaíba, Cassilândia, Chapadão do Sul e Corumbá. Já Ladário aparece sozinho na categoria de seca moderada.

De acordo com a classificação apresentada no levantamento, a seca fraca pode estar associada, no curto prazo, ao atraso do plantio e à possibilidade de pequenas perdas em culturas e pastagens. Quando a condição está em regressão, também pode refletir déficits de precipitação acumulados em períodos de 12, 18 ou 24 meses.

Na categoria moderada, na qual está Ladário, os possíveis impactos são maiores. O documento cita danos a culturas e pastagens, com perdas prováveis, baixos níveis de reservatórios ou poços, falta de água em desenvolvimento ou iminente, aumento do número de focos de calor e risco moderado de incêndios florestais.

Ladário é o município que abriga a Régua de Ladário, no 6º Distrito Naval da Marinha do Brasil, que serve como referência histórica para acompanhar as variações do nível do Rio Paraguai e o regime de cheias e secas no Pantanal. Nos últimos dez dias, o nível do rio medido pela régua caiu 14 centímetros, passando de 2,46 metros, em 8 de agosto, para 2,32 metros no dia 18.

Seca atinge 15 municípios de MS; Ladário tem situação mais intensa
Vista aérea do município de Ladário, banhado pelo Rio Paraguai. (Foto: Prefeitura de Ladário)

Seca perde intensidade - Apesar dos municípios ainda afetados, os indicadores analisados pelo Cemtec mostram melhora no quadro geral. O Índice Padronizado de Precipitação, utilizado para acompanhar a seca em diferentes períodos, aponta atenuação das condições em comparação com junho, principalmente na região central do Estado. Ainda assim, persistem áreas com déficit pluviométrico no Bolsão.

O SPEI (Índice Padronizado de Precipitação-Evapotranspiração) também indica redução da seca em relação ao mês anterior. Segundo o relatório, a região nordeste permanece como a mais crítica, enquanto a região central apresenta condições úmidas, com precipitação superior à evapotranspiração.

Conforme o estudo, a distribuição irregular das chuvas ajuda a explicar o cenário. Em julho, os acumulados medidos no Estado variaram de 0 a 136,4 milímetros. Predominou o déficit de precipitação, com a maior parte das estações registrando volumes inferiores à média histórica. Municípios das regiões norte, nordeste e Pantanal tiveram alguns dos maiores déficits, entre 95% e 100% abaixo da média.

O comportamento foi diferente em outras áreas. Campo Grande, Nhumirim/Nhecolândia, Mundo Novo e Itaquiraí tiveram excedentes de chuva. Na Capital, o pluviômetro automático da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) registrou 136,4 milímetros no mês, volume 282% acima da média esperada usada como referência pelo monitoramento.

Seca atinge 15 municípios de MS; Ladário tem situação mais intensa
Régua que mede a altura do Rio Paraguai em Ladário. (Foto: Foto: Luís Augusto Akasaki/Arquivo)

Temperatura acima da média - Para os próximos meses, o cenário apresentado pelo Cemtec combina expectativa de chuvas acima da média com temperaturas também mais elevadas. A previsão probabilística para o trimestre de setembro, outubro e novembro indica precipitação acumulada acima da média climatológica em Mato Grosso do Sul. Os valores de referência ficam entre 200 e 500 milímetros, com variação conforme a região do Estado.

Ao mesmo tempo, há sinal consistente de temperaturas acima da média histórica. A referência climatológica apresentada varia entre 22°C e 26°C, e a projeção aponta para um trimestre predominantemente aquecido em Mato Grosso do Sul. As projeções apresentadas no relatório têm como fonte o Copernicus.

El Niño ganha força - O relatório também aponta intensificação do El Niño nos próximos meses. Para o trimestre setembro-outubro-novembro, a previsão apresentada é de 100% de probabilidade de ocorrência do fenômeno, sendo aproximadamente 93% de probabilidade de intensidade muito forte e 7% de intensidade forte.

Para outubro-novembro-dezembro, a probabilidade de El Niño permanece em 100%, com predomínio ainda maior da categoria muito forte, em torno de 95%. Os outros 5% correspondem à categoria forte. A previsão probabilística apresentada no documento tem como fonte a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).

Entre os impactos apontados estão temperaturas acima da média climatológica e ondas de calor mais frequentes, com maior destaque entre a primavera e o início do verão. O relatório ressalta, porém, que o ENOS (El Niño-Oscilação Sul) atua de forma indireta e interage com outros sistemas atmosféricos.

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