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Campo Grande, Terça-feira, 23 de Abril de 2019

17/04/2019 09:29

Suspensão de desmate em 140 hectares em Rio Verde vale por 15 dias

Área para ser derrubada fica na fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Aline dos Santos
Desmatamento perto de rio teve suspensão temporária publicada nesta quarta-feira. (Foto: Direto das Ruas)Desmatamento perto de rio teve suspensão temporária publicada nesta quarta-feira. (Foto: Direto das Ruas)

A decisão do governo de suspender o desmatamento próximo a rio no município de Rio Verde de Mato Grosso, a 207 km de Campo Grande, é válida por 15 dias. A suspensão temporária é assinada pelo presidente do Ceca (Conselho Estadual de Controle Ambiental), Jaime Elias Verruck, que também comanda a Semagro (Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

Conforme a publicação no Diário Oficial de hoje, foi deferido o pedido de suspensão do desmatamento na Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A solicitação partiu da prefeitura de Rio Verde, que fará reunião na próxima semana. O desmatamento é em área de 140 hectares.

O desmatamento foi denunciado ao Campo Grande News no último sábado (dia 13). A PMA (Polícia Militar Ambiental) enviou equipe ao local e verificou que tinha licença do Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

A reportagem apurou que o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) também foi acionado e deve verificar se a área desmatada compreende o total autorizado pelo órgão estadual de meio ambiente.

Segundo o prefeito de Rio Verde, Mário Kruger (PSC), o pedido para desmatar não passou pelo conselho da APA (Área de Proteção Ambiental) do Rio Verde. “Na nossa APA é permitido atividades pecuárias, agricultura, observando as limitações na beira do rio”, afirma o prefeito.

De acordo com ele, balneários, que exploram o rio para o turismo, também descumprem a distância mínima da margem do curso de água, que é de 30 metros. O prefeito relata edificações a dez metros do rio.

“Essa suspensão é para chegar a acordo com o produtor, uma pessoa muito certa. Não podemos penalizar o produtor em função da necessidade de também aproveitar a área dele”, diz. Ainda de acordo com Kruger, a área fica mais próxima à estrada do que ao rio.

O desmatamento na fazenda Sete Quedas provocou protestos, diante do impacto para o meio ambiente. A reportagem apurou que 22 hectares já vieram abaixo e que a autorização é para derrubada em 80 hectares.

Conforme a secretária de Meio Ambiente e Turismo de Rio Verde, Vanusa Lopes da Silveira, quando o documento enviado pelo Imasul à prefeitura chegou à pasta de meio ambiente, foi convocada reunião do conselho gestor da APA. Durante o debate, realizado na sexta-feira (dia 12), um participante informou que seriam duas áreas a ser desmatadas e já tinha saído a licença estadual para derrubada da vegetação.

A secretária avalia que o desmatamento não foi irregular. “No meu ponto de vista, não foi irregular. Porque segue o que determina a legislação estadual e federal. A área que foi deixada de distanciamento [do rio] é maior do que exige a legislação”, afirma. O conselho deve ser ouvido, mas a decisão é do Imasul

Impactos - “Todas essas intervenções na parte alta estão se refletindo na planície. No planalto, na região entre Rio Verde e Coxim, já se suprimiu mais de 80% do Cerrado. O rio Taquari é reflexo desses processos que não estabelecem a causa e efeito entre o planalto e a planície”, afirmou o coronel reformado e presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, no último sábado ao Campo Grande News.

“Mesmo que vá desmatar, aqui só tem pedra e areia, não vai dar retorno nunca. O lugar está a 50 metros e tem um declive grande. Com o que vai sobrar, se chover, leva tudo. O balneário Sete Quedas vai sumir”, diz Gilmar Mello, que é proprietário do sítio Rancho da Princesa, vizinho ao balneário. A reportagem não conseguiu contato com os proprietários das fazendas citadas.

Área desmatada no município de Rio Verde. (Foto: Direto das Ruas)Área desmatada no município de Rio Verde. (Foto: Direto das Ruas)


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