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Meio Ambiente

Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda, terá estação meteorológica

Unidade passa a integrar rede da Embrapa em MS e vai disponibilizar dados em tempo real no Guia Clima

Por Inara Silva | 25/06/2026 07:53
Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda, terá estação meteorológica
Estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste (Foto: Divulgação)

A TI (Terra Indígena) Cachoeirinha, em Miranda (MS), no Pantanal de Mato Grosso do Sul, vai ter uma estação meteorológica própria. A iniciativa fará parte da rede de 6 unidades da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no Estado e integrará as ações de  gestão territorial e ambiental indígena.

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A Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda (MS), receberá uma estação meteorológica própria, integrando a rede da Embrapa no estado. O equipamento medirá temperatura, umidade, vento e chuvas, com dados disponíveis no portal Guia Clima. Gerida pela Organização Caianas, com apoio da Embrapa e do Ministério dos Povos Indígenas, a parceria tem vigência de 24 meses e prevê tradução dos dados para a língua terena, fortalecendo o protagonismo indígena na gestão ambiental.

A estação será responsável por medir variáveis como temperatura, umidade, vento e índices pluviométricos do território e os dados serão disponibilizados quase em tempo real no portal Guia Clima, permitindo consulta pública e acompanhamento contínuo das condições climáticas locais.

Segundo o biólogo e cofundador da Organização Caianas (Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade), Leosmar Terena, os equipamentos já estão em fase de testagem na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, antes da instalação definitiva na comunidade. Ele explica que a estrutura será idêntica à da Embrapa e permitirá a formação de uma série histórica de dados, fundamental para decisões mais precisas sobre gestão ambiental e territorial.

“Teremos um conjunto de dados em série histórica, e isso possibilita uma tomada de decisão mais assertiva, subsídios para planejamento de iniciativas de gestão ambiental e territorial e análise dos impactos das mudanças climáticas”, afirmou ao ressaltar que até agosto a unidade estará em pleno funcionamento.

A gestão da estação ficará sob responsabilidade da Organização Caianas, com apoio técnico da Embrapa Agropecuária Oeste e parceria do Ministério dos Povos Indígenas. Também há cooperação com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).

O protocolo de intenções foi assinado pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, pela presidenta da Funai, Lúcia Alberta, e pela diretora-presidente substituta da Embrapa, Ana Margarida Castro Euler.

De acordo com o documento, a parceria tem vigência inicial de 24 meses, podendo ser prorrogada. O objetivo é fortalecer a produção agrícola sustentável e o etnodesenvolvimento local por meio do uso qualificado de dados climáticos.

A estação também surge como resposta a uma demanda direta da comunidade. Segundo Leosmar Terena, a ideia foi construída durante processos formativos com jovens indígenas em temas ambientais, promovidos pela Caianas com apoio do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza), no âmbito de edital do Fundo Ecos.

“Os jovens perceberam a necessidade de falar sobre clima, mas não tinham dados específicos do território. Esse processo formativo foi fundamental para consolidar essa ação”, explicou.

Na avaliação da Embrapa, o projeto representa um processo de transferência de tecnologia com foco na autonomia das comunidades. A diretora-presidente substituta da instituição destacou que a ciência deve estar conectada às realidades locais e a estação preenche uma lacuna histórica de dados climáticos precisos na região de Miranda e do Pantanal.

Para o assessor de comunicação da Caianas, Neiriel Terena, a implementação da estação meteorológica se destaca pelo caráter educativo e cultural do projeto. O coletivo será responsável pelo cercamento da torre, pela preservação da área e pela coordenação da produção e difusão de materiais informativos bilíngues. Segundo ele, a principal inovação da iniciativa está na tradução dos dados científicos para o contexto indígena, com uso pedagógico nas escolas da comunidade.

“Uma coisa muito interessante que a gente tem pensado dentro da Caianas é traduzir todos esses dados para a língua terena. Em vez de a gente se basear em dados de outro universo, a gente vai olhar para o nosso próprio universo. Isso reforça a importância desse protagonismo nosso enquanto acadêmicos e pesquisadores indígenas em decodificar esses dados para nossas lideranças e crianças”, afirmou.

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