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Meio Ambiente

Urbanização e erosão assoream e podem acabar com Lago do Amor

Por Edivaldo Bitencourt e Bruno Chaves | 29/07/2013 16:43
Assoreamento criou uma grande praia no entorno do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio
Assoreamento criou uma grande praia no entorno do Lago do Amor (Foto: Marcos Ermínio

Um dos principais cartões postais de Campo Grande, o Lago do Amor, localizado na Reserva Natural da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) corre o risco de desaparecer. Tudo por conta da urbanização acelerada no entorno dos córregos Cabaça e Bandeira e do assoreamento do lago do Rádio Clube Campo, no bairro Coopharádio.

O assoreamento do Lago do Amor já criou até uma “grande praia”, bastante utilizada pelas capivaras. Nos últimos anos, o assoreamento do lago do Rádio, a erosão ao lado da Rua Spipe Calarge e a ocupação urbana na região dos bairros Rita Vieira, Coopharádio e Residencial do Lago agravaram a situação.

A situação é tão crítica, que o biólogo, doutor em Ecologia e consultor ambiental José Milton Longo, alerta para o risco do Lago do Amor, um dos principais pontos turísticos da cidade, transformar-se em um grande brejo.

A parte mais visível do assoreamento é a formação das grandes praias artificiais criadas no entorno do lago. Segundo o engenheiro ambiental da Anambi Análise Ambiental, Thiago Farias Duarte, a sedimentação começa a reduzir a área do lago e, consequentemente, o seu tempo de vida útil.

Duarte defende, inclusive, a adoção de medidas emergenciais para recuperar a represa d’água criada nos anos 70 do século passado pela UFMS. A principal medida sugerida pelo engenheiro ambiental é a dragagem do lago para a retirada dos sedimentos que foram carreados para dentro do curso d´água pelos dois córregos.

A UFMS, inclusive, corre risco de ser multada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) pelo descaso com o lago. A instituição já chegou a ser multada uma vez pela proliferação de plantas aquáticas dentro do lago em decorrência da poluição ambiental.

Capivaras atraem milhares de pessoas para o local (Foto: Marcos Ermínio)
Capivaras atraem milhares de pessoas para o local (Foto: Marcos Ermínio)
Assoreamento sofre reflexo de urbanização de até dois quilômetros do local (Foto: Marcos Ermínio)
Assoreamento sofre reflexo de urbanização de até dois quilômetros do local (Foto: Marcos Ermínio)

Soluções - Longo avalia que uma das medidas para mitigar os impactos ambientais já está sendo tomada pela prefeitura da Capital, que é a recuperação da área próxima da Rua Spipe Calarge, onde houve a formação de uma grande cratera.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura também está recuperando o Lago do Rádio Clube, que está totalmente assoreado. “O lago do Rádio já era”, frisa o biólogo, já que a represa do clube não segura mais os sedimentos, que acabam caindo no Lago do Amor, localizado a cerca de 1,8 mil metros do local.

Além disso, a urbanização no entorno agrava os danos ambientais na represa d’água dentro da reserva natural da UFMS. Um residencial está sendo construído ao lado da reserva, o que deve elevar a ocupação humana e o tráfego de veículos na região. A situação do lago, se nenhuma medida for adotada, por piorar.

Thiago Duarte também defende um planejamento urbano para minimizar os impactos da acelerada urbanização da região. Uma das soluções é a criação de áreas permeáveis para reduzir a quantidade de água da chuva que é carreada para as áreas de fundo de vale dos córregos Cabaça e Bandeira, que desaguam no Lago Amor.

O engenheiro ambiental ainda propõe uma campanha de conscientização para moradores da região reduziram o despejo de lixo na região e ampliar a área arborizada nos bairros da região.

“Grande” – Até leigos percebem o assoreamento do Lago do Amor. “Passei muito tempo aqui, desde quando era moleque. Do outro lado do lago, a gente vê um pedacinho de areia. Não percebemos que está grande o assoreamento”, afirmou o vendedor Jeferson Alves dos Santos, 28 anos, que estava passeando com a namorada dentro do campus da UFMS.

“Eu acho que essa areia vem lá de cima. As pessoas vão mexendo com obras nas ruas, nos esgotos, nas máquinas e esses restos e sobras vem descendo, é uma possibilidade”, avalia Santos, que reconhece a gravidade do problema.
“Eu acho que o assoreamento dobrou de 2010 para cá, antes era só um pedaço e agora está grande”, avalia o acadêmico de Química, Higor Boreher, 21 anos, que estuda na universidade há três anos.

“Nas últimas chuvas que deu, achei que o lago poderia aumentar, mas não aumentou. Pode ser que essa areia seja de alguma construção aqui perto e com as chuvas venham parar tudo aqui”, avalia o estudante, que passa diariamente pelo lago e observa a evolução dos danos ambientais.

A UFMS foi procurada para falar sobre o assoreamento. A assessoria indicou um professor da instituição. Ele foi procurada pelo telefone celular desde sexta-feira pelo Campo Grande News, mas não atendeu nem retornou às ligações.

Um grande banco de areia vem se formando no campus da UFMS (Foto: Marcos Ermínio)
Um grande banco de areia vem se formando no campus da UFMS (Foto: Marcos Ermínio)
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