Peitoral errado pode fazer passeio virar pesadelo e causar dor nos cães
Veterinário alerta que o formato do acessório também pode acabar com a saúde dos pets
Você sabia que um peitoral escolhido de forma errada pode transformar o passeio do seu pet em um verdadeiro pesadelo? Isso porque modelos inadequados podem limitar o movimento natural das patas, alterar a forma como o cão anda e até ser motivo de dor nos ossos, músculos e articulações. Ou seja, aqui a aparência do acessório pouco importa, pois nem todo peitoral que parece ser bom é, de fato, seguro para o cão.
RESUMO
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Escolher o peitoral errado para cães pode causar dor, limitar movimentos e prejudicar a saúde do animal. Segundo o veterinário Antonio Defanti Junior, a medida correta deve ser baseada no perímetro torácico, não no peso. Modelos inadequados podem restringir ombros, causar desconforto e até comprometer a respiração. Os mais indicados têm formato Y ou H, que respeitam a anatomia do animal.
De acordo com o médico-veterinário Antonio Defanti Junior, o problema não está apenas em apertar demais. O desenho do peitoral também importa. Um modelo inadequado pode transformar o passeio, que deveria ser saudável e prazeroso, em um verdadeiro treino de desconforto para o animal.
Ele alerta que a escolha precisa ser baseada nas medidas, e não no peso do animal. “Por exemplo: se tem 10 kg, é o tamanho P. Isso é o erro mais comum. Cães de mesmo peso têm perímetros torácicos e conformações anatômicas completamente diferentes.”
Segundo ele, um cachorro da raça Dachshund e um Pug, por exemplo, podem pesar valores parecidos, mas têm perímetro torácico, comprimento corporal e conformação anatômica muito distintos. Por isso, confiar apenas em indicações como “10 kg equivale ao tamanho P” pode levar a uma escolha errada.
Outro ponto importante é o ajuste na região próxima às axilas. A fita que circula o tórax não deve ficar colada aos membros anteriores. O ideal é que ela fique de dois a quatro dedos atrás das patas dianteiras, dependendo do porte do cão. Esse cuidado evita atrito constante com a pele e reduz o risco de restrição da articulação escapuloumeral, a região dos ombros.

“É preciso tomar muito cuidado com a fita frontal muito alta, pois pode dar o efeito enforcamento. As folgas excessivas são prejudiciais. Um peitoral frouxo causa instabilidade. Ele gira lateralmente durante a caminhada, gerando forças de tração assimétricas sobre o esqueleto e facilitando fugas. O cão consegue ‘dar marcha à ré’ e escapar”, acrescenta o veterinário da clínica Bourgelat.
Além do risco de enforcamento, a faixa alta pode causar desconforto, pressão na região do pescoço, comprometer a movimentação e, em alguns casos, afetar estruturas importantes da região cervical.
Antonio comenta que a biomecânica dos cães depende da livre movimentação da escápula. Diferentemente dos humanos, eles não possuem clavícula. Isso faz com que a escápula deslize sobre a caixa torácica durante a locomoção.
Por isso, modelos restritivos, como alguns peitorais horizontais ou anti-puxão tradicionais que cruzam o peito de forma transversal, podem bloquear a extensão dos ombros. Na prática, o cão passa a andar com limitação de movimento, o que pode gerar sobrecarga em outras regiões do corpo.
“As guias e peitorais escolhidos erroneamente podem também causar comprometimento respiratório e vascular. Se o ajuste for excessivamente apertado no gradil costal, há restrição do processo normal de respirar durante o esforço. Além disso, se a fita frontal pressionar a base do pescoço, pode ocorrer compressão da veia jugular, prejudicando o animal.”
Quais são os mais indicados?
Os modelos mais recomendados são os peitorais em formato de “Y”, vistos de frente, ou em formato de “H”, vistos de cima. Esses desenhos tendem a deixar as articulações dos ombros livres, permitindo uma caminhada mais natural.
Na hora da compra, a recomendação é observar não apenas o tamanho indicado na etiqueta, mas também o encaixe no corpo do animal. O peitoral não deve apertar, não deve girar e não deve limitar o movimento das patas dianteiras. “Precisa ter esses designs anatômicos”, completa.
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