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Direto das Ruas

Onda de furtos deixa moradores 24 horas em alerta em região nobre da Capital

Casos recentes no Autonomista, Giocondo Orsi e Vila Célia aumentaram a sensação de insegurança

Por Anahi Zurutuza e Clara Farias | 22/05/2026 13:13


RESUMO

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Moradores e comerciantes dos bairros Giocondo Orsi, Jardim Autonomista, Vila Rica e Vila Célia, em Campo Grande, relatam aumento de furtos e roubos na região. Só nesta semana, três casos foram registrados, incluindo a invasão à casa de um desembargador aposentado de 80 anos e o arrombamento de um canteiro de obras. Câmeras de segurança não inibem os criminosos, que agem em diferentes horários e observam a rotina dos moradores antes de agir.

Mensagens trocadas em grupos de WhatsApp de moradores e comerciantes da região do Giocondo Orsi, Jardim Autonomista, Vila Rica e Vila Célia são o alerta. Não é de hoje que a região é visada por ladrões, mas a frequência de furtos e roubos registrados nas últimas semanas na área chama a atenção.

Só nesta semana, três casos foram enviados à reportagem. Os criminosos agem durante o dia, à noite, de madrugada. Conseguem burlar os mais variados sistemas de segurança e não dão fôlego para quem vive na região.

No dia 3 de maio, um desembargador aposentado João Batista da Costa Marques, de 80 anos teve a casa invadida em plena luz do dia no Jardim Autonomista. O criminoso entrou no imóvel durante a manhã e fugiu levando R$ 800. Câmeras de segurança registraram a ação, noticiada pelo Campo Grande News.

Segundo relato da vítima, o criminoso pulou o muro de uma residência em frente e, em seguida, invadiu o imóvel. O segurança que presta serviço ao desembargador havia saído às 7h, o que facilitou a ação.

O invasor entrou diretamente no closet. O desembargador contou que acordou com o barulho de gavetas sendo abertas e fechadas. Ao verificar o que acontecia, abriu a porta e se deparou com o suspeito. Imediatamente, fechou a porta do cômodo.

Ao perceber que havia sido visto, o suspeito fugiu. João acredita que o homem possa ter imaginado que ele pegaria uma arma. A Polícia Militar foi acionada por meio do Tribunal de Justiça e chegou rapidamente ao local, acompanhada de delegado e equipe de perícia.

Duas semanas depois, outro caso mobilizou moradores de um dos grupos de WhatsApp da região. Um integrante alertava sobre uma invasão a um canteiro de obras na Rua Amazonas, próximo à Paróquia São João Bosco, na Vila Célia. “Acabaram de roubar a Jooy aqui na Amazonas, antes da Paróquia São João Bosco”.

Vídeo enviado no grupo mostra a ação, por volta das 13h30 do dia 17 de maio. Dois homens em um carro branco param em frente ao portão de acesso ao canteiro de obras, arrebentam o cadeado e entram com o veículo.

A Jooy Incorporadora foi procurada pela reportagem e informou que não se manifestará sobre o ocorrido. Não há, portanto, detalhes do prejuízo.

“Levaram a moto da empregada da casa. Às 10h40. Está tendo uma onda de roubo e furtos nos bairros Giocondo, Autonomista e Vila Rica, segundo a Guarda Municipal”, diz outra mensagem compartilhada no grupo dois dias depois. O alerta também precede imagem que mostra o ladrão deixando o local tranquilamente.

Na noite de terça-feira (19), mais um caso foi registrado na região. Criminosos arrombaram a janela de uma residência e furtaram joias de uma casa também no Jardim Autonomista, outro bairro considerado de alto padrão em Campo Grande.

Câmeras não inibem - A sequência de ocorrências tem feito moradores e comerciantes reforçarem medidas de segurança e monitoramento, mas pedem que haja mais policiamento.

O comerciante Roger de Avilla, de 38 anos, afirma que a movimentação em praças da região e problemas de iluminação pública contribuem para o sentimento de insegurança. “A praça, ela puxa muita gente pra ficar dormindo aqui embaixo, então é complicado. Nós costumamos monitorar as câmeras frequentemente quando há uma movimentação mais atípica. Algo que observo é que está faltando energia em alguns postes aqui. Sempre que está bem iluminado o local, acho que isso contribui também para o sentimento de insegurança”, relata.

Segundo ele, os criminosos observam a rotina das residências antes de agir. “Apesar do bairro ser uma área nobre, acaba sendo um atrativo pra essas pessoas virem praticar pequenos furtos. Eles cuidam muita gente saindo das casas pra poder levar.”

Morador antigo da região, o aposentado Neri Ribeiro, de 71 anos, vive em uma rua onde diversas casas possuem câmeras e placas de “vizinhança segura”. Ele conta que os moradores mantêm contato constante por aplicativos de mensagem. “Tem alguma coisa de suspeito, um avisa o outro, comunica. Às vezes do outro grupo, tem gente que fala: ‘olha, houve um assalto aqui na padaria’. Aí a gente fica sabendo.”

Neri afirma que os casos têm sido mais comentados em áreas próximas ao antigo Córrego Polonês. “Eu tenho ouvido muito agora na parte do antigo Polonês, ali aquela parte de lá.”

Apesar dos sistemas de monitoramento, ele reconhece que os equipamentos não impedem totalmente os crimes. “Eu acho que as câmeras são necessárias, a tecnologia presente hoje você consegue monitorar, mas não consegue afugentar.”

Onda de furtos deixa moradores 24 horas em alerta em região nobre da Capital
Vídeo mostra ação de ladrão às 10hh39 desta terça-feira (Foto: Reprodução)

Há seis meses trabalhando em uma loja da região, o vendedor Rickson Cardoso da Silva, de 28 anos, diz que os alertas fazem parte da rotina de quem chega para trabalhar no bairro. “Eu ouvi muito vizinhança falar que está tendo bastante e alertar. Então é muito alerta: ‘amigo, presta atenção com isso aqui’.”

Segundo ele, os principais avisos são relacionados a furtos em veículos. “O que eu mais ouvi foi cuidado com o carro para não roubar o carro e furtos pequenos de deixar coisas no bancão.”

Funcionário de uma conveniência da região, Eduardo Oshiro, de 23 anos, também relata episódios recentes próximos ao comércio. “Nós escutamos que um furto foi aqui na padaria. Teve outro e também um cliente nosso que foi passear em uma praça aqui perto e tentaram assaltar ele, só que conseguiu se defender.”

Por conta das ocorrências, a atenção aumentou principalmente nos horários de fechamento. “Geralmente na saída a gente fica um pouquinho mais atento. Nosso patrão sempre fica de olho nas câmeras. Aqui também a gente tem sistema de alerta.”

Outro lado - A reportagem enviou questionamentos à PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) e aguarda retorno.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.