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Economia

MS entra no radar do BC após economia crescer quase o dobro da média nacional

Estado passa a fazer parte dos indicadores econômicos oficiais, puxado pelo agro, celulose e logística

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 23/05/2026 08:04
MS entra no radar do BC após economia crescer quase o dobro da média nacional
Plantação de soja e ao fundo caminhões trafegando pela rodovia (Foto: Semadesc)

Mato Grosso do Sul passou a fazer parte do IBCR (Índice de Atividade Econômica Regional), indicador produzido pelo BC (Banco Central) para acompanhar o ritmo da economia nos estados e regiões do país. A inclusão ocorre em um momento de expansão da atividade econômica estadual, que cresceu 4,4% em 2025 na comparação com 2024.

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Mato Grosso do Sul passou a integrar o Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central, junto com Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Norte, elevando para 17 o número de estados monitorados e a representatividade do indicador para 91,6% do PIB nacional. O estado registrou crescimento de 4,4% em 2025, quase o dobro da média nacional de 2,5%, impulsionado pela agricultura, que representa 18,9% do valor adicionado bruto estadual.

Além de Mato Grosso do Sul, também foram incluídos Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Norte. Com a mudança, o número de estados considerados na composição do indicador subiu de 13 para 17. A representatividade do conjunto analisado também aumentou, passando de 85,2% para 91,6% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.

A entrada de Mato Grosso do Sul no cálculo representa ganho de visibilidade econômica e institucional dentro do monitoramento oficial da atividade econômica feito pela autoridade monetária. Na prática, o Estado passa a ter acompanhamento mais frequente sobre o ritmo da economia, o que permite uma leitura mais ágil das oscilações do mercado, especialmente porque parte dos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) costuma ter defasagem maior.

Essas economias ganharam relevância nos últimos anos, principalmente em atividades ligadas ao agro, bioenergia, celulose, logística e exportações. O avanço desses setores ajudou a ampliar a importância dos quatro estados dentro da economia nacional e levou o BC a reavaliar a viabilidade de incluí-los no indicador.

Conforme o primeiro boletim com a inclusão dos quatro estados, divulgado na quinta-feira (21), a atividade econômica de Mato Grosso do Sul cresceu quase o dobro da média nacional, que ficou em 2,5% em 2025. O desempenho estadual foi sustentado principalmente pela agricultura, setor que responde por 18,9% do valor adicionado bruto de Mato Grosso do Sul.

Apesar do resultado positivo, a indústria de transformação puxou parte do desempenho para baixo. Segundo o boletim, a queda de cerca de 13% na produção do setor contribuiu com resultado negativo de 0,3 ponto percentual na composição do crescimento estadual. O recuo foi reflexo, principalmente, da forte retração na fabricação de biocombustíveis.

No mesmo levantamento, Mato Grosso apareceu com a maior taxa de crescimento do país. A economia do estado vizinho avançou 7,7% em 2025 na comparação com 2024, também impulsionada pela produção agrícola. No caso mato-grossense, a agricultura representa 30% do valor adicionado bruto da economia estadual, participação quase seis vezes maior que a média nacional, de 4,9%.

O desempenho de Mato Grosso teve peso importante para o resultado da região Centro-Oeste, cuja atividade econômica cresceu 5% em 2025, depois de avanço de 2,7% em 2024. Com esse resultado, a região retomou a liderança do crescimento regional no país, impulsionada pelo forte desempenho da agropecuária.

Entre as 17 unidades da federação analisadas pelo IBCR, dez cresceram acima da média nacional. Mato Grosso do Sul ficou entre os estados com desempenho superior ao do Brasil, reforçando o peso das atividades agroindustriais e de exportação na economia local.

MS entra no radar do BC após economia crescer quase o dobro da média nacional

Peso do IBCR 

Criado pelo BC em 2009, inicialmente para o Rio Grande do Sul, o IBCR foi ampliado ao longo dos anos para outros estados e regiões. Hoje, é considerado um dos principais instrumentos de acompanhamento da atividade econômica regional no país. Com periodicidade mensal, o indicador consolida informações de diferentes setores, como agropecuária, indústria e serviços.

Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Ricardo Sabbadini, essas características permitem uma leitura mais ágil das mudanças no ritmo da economia. Segundo ele, a inclusão de mais quatro estados foi possível pela ampliação da disponibilidade de dados primários com abertura por unidade da federação, especialmente os produzidos pelo IBGE.

Ainda conforme Sabbadini, a maior oferta de informações estaduais permitiu ao Banco Central reavaliar a viabilidade do cálculo do indicador para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão e Rio Grande do Norte. Com isso, o IBCR passa a oferecer uma fotografia mais ampla da atividade econômica brasileira e reduz a distância entre o peso real dessas economias e sua presença no monitoramento oficial.