Seu cachorro te enche de lambidas? Saiba quando se preocupar
Veterinário alerta para os riscos da saliva dos cães e explica quais cuidados ajudam a proteger os tutores

Quem tem cachorro em casa sabe que, muitas vezes, é difícil resistir às lambidas do animal, principalmente quando elas parecem ser uma demonstração de carinho. Apesar de fazerem parte da relação entre os pets e seus tutores, os famosos "lambeijos" podem representar riscos à saúde e merecem atenção.
De acordo com o médico-veterinário Felipe Alonso, a saliva dos cães pode carregar microrganismos capazes de provocar infecções em seres humanos. O risco aumenta quando o animal lambe regiões como a boca, o nariz e os olhos ou entra em contato com feridas e machucados na pele.
"Nem toda lambida representa um perigo, mas é importante que os tutores entendam que a boca dos cães possui bactérias que podem causar doenças quando entram em contato com o organismo humano", explica o veterinário.
Isso não significa que os tutores precisem evitar o contato com seus animais. O alerta é para os cuidados com a higiene e a prevenção, especialmente porque algumas bactérias presentes na boca dos cães podem causar complicações, principalmente em pessoas com a imunidade comprometida.
Entre os principais cuidados está evitar que os cães lambam diretamente o rosto dos tutores. Embora a pele íntegra funcione como uma barreira de proteção, a boca, o nariz e os olhos são portas de entrada para microrganismos.
"É importante evitar que o cachorro tenha contato com a saliva em regiões como a boca, os olhos e feridas abertas. Esses locais oferecem maior possibilidade de entrada de bactérias no organismo", alerta Felipe.
Bactérias como a Capnocytophaga canimorsus e a Pasteurella podem estar presentes na saliva dos cães e, em situações específicas, causar infecções. Pessoas idosas, imunossuprimidas ou com doenças que comprometem as defesas do organismo podem estar mais vulneráveis a complicações.
Outro risco é a transmissão da raiva, uma doença viral grave que pode ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por meio de mordidas, arranhões ou contato com mucosas e feridas. Por isso, manter a vacinação dos pets em dia é uma medida fundamental de prevenção.
O cuidado com a higiene é uma das principais formas de evitar problemas. Felipe Alonso destaca a importância de manter a vacinação dos animais atualizada, realizar consultas veterinárias periódicas e seguir as recomendações profissionais para vermifugação e controle de parasitas.
"Manter a vacinação em dia, cuidar da saúde do animal e ter hábitos adequados de higiene são medidas fundamentais para prevenir doenças e garantir uma convivência segura", orienta o veterinário.
Também é importante lavar as mãos com água e sabão após o contato com os animais, higienizar os ambientes em que eles vivem e recolher as fezes durante os passeios. Caso o cachorro apresente feridas, alterações de comportamento ou outros sinais de doença, a recomendação é procurar atendimento veterinário.
Se o animal lamber uma região do rosto ou uma ferida, a orientação é lavar o local com água e sabão. Em caso de mordida, contato da saliva com mucosas ou ferimentos, especialmente quando o estado de saúde e a vacinação do animal são desconhecidos, é importante procurar um serviço de saúde para avaliar a necessidade de medidas preventivas.
"Não é necessário afastar o animal ou deixar de demonstrar carinho. O mais importante é conhecer os riscos, evitar as lambidas em regiões sensíveis e manter os cuidados com a saúde do pet", reforça Felipe.
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