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Política

Cotada para ministério, Soraya diz que foco é reeleição e questiona pesquisas

Senadora do PSB votou em cerca de dois minutos, e disse que resultado de 2018 a faz desconfiar de levantamento

Por Gabriel Neris e Judson Marinho | 04/10/2026 10:00
Cotada para ministério, Soraya diz que foco é reeleição e questiona pesquisas
Senadora Soraya cumprimenta mesária em local de votação (Foto: Judson Marinho)

Candidata à reeleição ao Senado, Soraya Thronicke (PSB) afirmou neste domingo (4) que não trabalha com a possibilidade de assumir um ministério, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, e que seu objetivo é conquistar mais oito anos de mandato. A senadora também demonstrou desconfiança em relação às pesquisas eleitorais e relembrou que, em 2018, apareceu distante das primeiras posições antes de acabar eleita.

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Candidata à reeleição ao Senado por Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB) afirmou, ao votar neste domingo (4) em Campo Grande, que não conta com a possibilidade de assumir um ministério caso Lula seja reeleito. Ela disse confiar apenas na reeleição, duvidou das pesquisas ao lembrar o desempenho de 2018 e citou ter levado cerca de R$ 5 bilhões ao estado. Criticou ainda a suposta interferência externa nas eleições e disse que a democracia corre risco.

Soraya chegou sob chuva ao local de votação, na Escola Municipal Arassuay Gomes de Castro, na Vila Manoel da Costa Lima, em Campo Grande, protegida por uma sombrinha artesanal. Sem fila na seção 71, permaneceu cerca de dois minutos no local para registrar os votos.

Antes de votar, foi questionada sobre as especulações envolvendo seu nome para assumir um ministério. A senadora afirmou que não considera essa possibilidade em seus planos.

“Estou focada na reeleição, porque é a única segurança que a gente tem. Tem aí especulações no meu nome, ministério e tal, mas eu não conto com isso. Eu trabalhei para a reeleição e espero chegar”, afirmou.

Soraya também disse não confiar plenamente nas pesquisas de intenção de voto. Para justificar a posição, recorreu à própria eleição de 2018, quando conquistou pela primeira vez uma cadeira no Senado.

“Eu nunca estive em pesquisas em 2018. A primeira vez que eu saí em uma pesquisa foi na quinta-feira antes da eleição, em quinto lugar. No domingo eu estava eleita”, disse.

A senadora afirmou ainda ter apresentado uma emenda à reforma eleitoral propondo a criação de um selo de credibilidade para institutos de pesquisa.

Ao falar sobre a campanha deste ano, Soraya disse chegar ao dia da votação tranquila com o trabalho realizado e citou dificuldades enfrentadas por mulheres na disputa eleitoral, inclusive no acesso a recursos partidários.

“Eu chego tranquila, confiante. Eu e a minha equipe fizemos tudo o que foi possível, tudo o que estava ao nosso alcance, apesar de inúmeras dificuldades que, infelizmente, mulheres ainda sofrem no pleito eleitoral”, declarou.

Na defesa da reeleição, a parlamentar fez um balanço dos oito anos de mandato. Segundo ela, sua atuação ajudou a levar cerca de R$ 5 bilhões em recursos para Mato Grosso do Sul, além da apresentação de projetos e aprovação de leis.

“Eu tenho trabalho, eu tenho o que contar, eu entreguei. E, além de tudo, não foi só em recursos, só em projetos. Foi um trabalho legislativo muito forte, tenho leis aprovadas”, afirmou.

Entre as iniciativas citadas estão Prospera MS, Prospera Brasil, Caravana da Castração Animal e Universidade da Maturidade. Soraya também mencionou a Lei Bárbara Penna, voltada à proteção das mulheres, e uma proposta apresentada por ela para criar o crime de “LGBTicídio”, com agravamento das punições para crimes motivados pela orientação sexual ou identidade de gênero da vítima.

Apesar da confiança demonstrada, a candidata afirmou que caberá ao eleitor decidir sobre sua permanência no Senado.

“A minha parte eu fiz. Se o eleitor quiser continuar, é ele que vai decidir. O eleitorado é soberano, eu respeito as urnas, eu acredito nas eleições do Brasil”, disse.

Interferência externa

Questionada sobre o cenário político desta eleição e as discussões sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no Brasil, Soraya afirmou enxergar diferenças em relação aos pleitos anteriores dos quais participou.

“Cada eleição tem sua peculiaridade. Eu já passei por três como candidata e duas eleições municipais trabalhando como dirigente partidária. Eu percebo algo muito estranho no ar. Algo que eu nunca vi”, declarou.

Segundo a senadora, existe uma tentativa de interferência externa acompanhada pelo incentivo de políticos brasileiros. A afirmação representa a avaliação da candidata sobre o atual cenário político.

“A tentativa de interferência de um outro país no nosso. E o pior do que essa tentativa externa é que políticos internos instigam isso. Eles que incitam isso. Então, é grave demais o que a gente está passando”, afirmou.

Soraya também disse considerar que a democracia e a soberania brasileiras permanecem em situação de vulnerabilidade e fez críticas a adversários políticos ao mencionar os episódios relacionados às tentativas de ruptura institucional ocorridas após eleições anteriores.

“Ainda bem que conseguimos, em 2023, ter pessoas com mãos firmes para segurarem a nossa democracia, que ainda corre risco”, disse.

Depois de votar, Soraya informou que pretende acompanhar a apuração dos votos no “conforto de casa”.

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