ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, TERÇA  20    CAMPO GRANDE 31º

Na Íntegra

Câmara deve manter IPTU por dificuldade de mudança, acredita secretário

Em entrevista, Ulisses Rocha aponta que inviabilidade de relançamento vai sensibilizar vereadores

Por Maristela Brunetto | 20/01/2026 13:47

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O secretário de Governo, Ulisses Rocha, avalia que a Câmara Municipal manterá o veto da prefeita Adriane Lopes à lei que revogaria mudanças na cobrança da taxa de lixo, que impactaram o IPTU. Ele destacou a complexidade logística de relançar os carnês e enfatizou que as alterações seguiram critérios técnicos, como a atualização de valores imobiliários e a correção pela inflação. A polêmica reduziu a arrecadação do IPTU, que até agora ficou abaixo da metade do registrado no ano passado. Rocha prevê que a situação se normalize no próximo mês, mas o município já adotou medidas para evitar impactos financeiros, como o adiamento de pagamentos judiciais. Além disso, espera-se a captação de recursos extras para obras de infraestrutura a partir de abril.

O secretário de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, acredita que os vereadores manterão o veto dado pela prefeita Adriane Lopes (PP) à lei aprovada por eles em sessão extraordinária este mês para afastar as mudanças adotadas na cobrança da taxa do lixo, que ajudaram a elevar o valor cobrado pelo IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Em entrevista ao Podcast Na Íntegra, Rocha menciona a dificuldade logística que a Secretaria de Fazenda teria para lançar novamente os carnês e efetuar a cobrança caso os parlamentares insistam na oposição à correção da taxa.

É muito dificultoso para o município nesse momento relançar o IPTU

Os vereadores aprovaram lei complementar determinando que os valores da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para o Exercício de 2026 sejam os de 2018 e não os atualizados pela prefeitura. A votação ocorreu após onda de queixas dos contribuintes do aumento dos valores cobrados no carnê do IPTU, sendo que a prefeitura publicou decreto em outubro do ano passado argumentando que apenas aplicou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, a correção da inflação, sem aumento real.

Essa foi a explicação à época para o lançamento por decreto e não lei. Ocorre que no mês anterior, em setembro de 2025, os vereadores aprovaram projeto de lei sobre o IPTU para terrenos em condomínio e junto constou artigo alterando o Código Tributário e autorizando o Município a corrigir bases de cálculo, ou seja, o valor venal dos imóveis sobre o qual incide a alíquota do tributo. Porém a mudança legislativa exigia a existência de estudo técnico publicado em meio oficial, contendo a metodologia e a apresentação “prévia e formal” aos vereadores.

Rocha explica que a Prefeitura fez a reclassificação dos imóveis, aplicando os valores de mercado, o que fez subir a avaliação de prédios e terrenos. Um exemplo mencionado em que houve a correção foi o Jardim Veraneio, que sentiu forte valorização com a expansão imobiliária na região.

A mesma lógica foi aplicada para a correção da taxa do lixo, cobrada junto ao valor do IPTU. O titular da Secretaria de Governo menciona que era preciso atualizar valores, uma vez que o serviço é concedido ao setor privado e precisa ser remunerado. Segundo o secretário, foi necessário atualizar a cobrança para se aproximar das despesas pagas à Solurb pela coleta e limpeza, e para corrigir discrepâncias, como condomínios vizinhos com preços completamente diferentes.

Cofres públicos – O debate sobre a cobrança do IPTU, que incluiu a redução do desconto de 20% para 10% à vista, atingiu em cheio a arrecadação dos cofres municipais. A estimativa é que a receita do IPTU e da taxa do lixo fiquem em torno de R$ 1 bilhão. Até o final da semana, a receita do tributo estava em cerca de R$ 173 milhões, menos da metade do que já havia sido recolhido na mesma época do ano passado, diz Rocha.

Ele acredita que a polêmica sobre o tributo será superada e no mês que vem, quando vence o novo prazo para o pagamento com desconto, os contribuintes pagarão o IPTU. Mas já preocupado com o impacto, o Município procurou o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e pediu que precatórios com vencimento em janeiro possam ser pagos em fevereiro, para evitar problemas com o Poder Judiciário.

Na entrevista ao Podcast, o secretário ainda falou sobre as medidas de equilíbrio financeiro e a expectativa de já em abril passar a contar com volumes expressivos de recursos, via financiamento, ajuda estadual e emendas ao orçamento da União para obras de pavimentação e recuperação de vias.