Ministro lamenta "ouvir pouco" sobre papel estratégico de MS na América Latina
Em entrevista exclusiva ao Campo Grande News, Durigan falou que também veio conferir destino de R$ 4 bi
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, visitou Campo Grande para reuniões com aliados do PT, empresários, sindicalistas e o governador Eduardo Riedel. Ele destacou a importância estratégica do Mato Grosso do Sul para a América Latina, citando a Rota Bioceânica. Durigan também comentou sobre os R$ 4 bilhões liberados ao estado e defendeu regulação das bets como o cigarro, com mais impostos e restrição à publicidade.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reservou dois dias na agenda para uma série de compromissos em Campo Grande, incluindo reunião com aliados do PT, sindicalistas, empresários, servidores do fisco estadual e ainda o governador Eduardo Riedel (PP). Não se trata de um giro nacional, explicou, mas uma escolha que fez aliando atribuições como representante do Governo Federal e “por gosto e opção pessoal”.
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Entre um encontro e outro, nesta quinta-feira, Durigan concedeu uma entrevista exclusiva ao Podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, e destacou a relevância que ele vê para o Mato Grosso do Sul, lamentando que se fala pouco da importância do Estado.
Eu ouço falar pouco da importância de Mato Grosso do Sul. O estado tem importância estratégica em termos de integração nacional, mas mais do que isso, passa a ter uma importância para a América Latina.”
O ministro menciona a relevância que o Estado alcança com a concretização da Rota Bioceânica, que permitirá o incremento do turismo, a movimentação de trabalhadores e ainda facilitará relações comerciais com países da Ásia, além de reforçar seu papel estratégico regional, por sua força no agro.
Durigan disse que também escolheu o estado entre aqueles que pretende visitar porque viu uma parceria proveitosa firmada ao longo do tempo com o Governo Estadual. Nesta sexta-feira, ele terá reunião com o governador Eduardo Riedel e irão falar sobre os financiamentos federais para MS.
Durigan aponta que foram liberados R$ 4 bilhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal e disse querer “olhar se esses empréstimos que a União fez, se esse parcelamento das dívidas que o Estado tinha com a União e os compromissos que foram assumidos comigo de que vai melhorar a educação, que isso vai melhorar os serviços públicos no Estado, se isso de fato estava acontecendo.”
Segundo ele, o governo federal adotou um modelo de federalismo de cooperação e isso resultou em parcerias que prestigiam os estados e municípios.
Durante a entrevista, o ministro falou de outro assunto que ganhou os noticiários durante a semana: a crítica ao presidente argentino Javier Milei, a quem chamou de palhaço. Disse que se trata de uma pessoa ponderada, que não gosta de conflito ou escalada, mas não tem “sangue de barata” e acabou se manifestando após ver a forma como Milei falou mal da economia brasileira e até sobre o câncer do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente do país vizinho fez declarações polêmicas no final de semana, durante convenção de lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) à presidência.
Outro tema abordado por Durigan foi a interferência do Governo Federal para tentar conter o impacto das bets, que geraram uma multidão de endividados e foi preciso criar alguns mecanismos, como proibir acesso a quem recebe auxílios sociais ou participou de programa de renegociação de dívidas. Ele diz que as bets devem receber tratamento como o dado ao cigarro, com aumento de impostos e vedação à publicidade. Os jogos foram liberados em 2018, mas a regulamentação veio somente em 2023.
Se não é possível proibir a bet, porque o leite foi esparramado nos governos anteriores, nós temos que regular igual ao cigarro. Você tem que apertar o tributo que a bet paga para desestimular. Tem que dizer para as pessoas “cuidado, você vai perder dinheiro.”
O ministro participa de uma reunião com empresários neste início de noite na Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) e amanhã cedo se reúne com servidores da Secretaria de Fazenda para falar sobre a Reforma Tributária e com o governador. Durigan ainda participa de um almoço e pretende conhecer o Bioparque Pantanal antes de deixar a Capital. Entre outros estados que ele mencionou que pretende visitar na sequência estão o Rio Grande do Sul, para conferir as ações após a tragédia das enchentes, e a Bahia.

