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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

03/08/2015 13:16

Câmara retoma os trabalhos sob a expectativa de protestos

Antonio Marques
Depois de distribuir pizzas, professores, em greve há quase 60 dias, prometem distribuir cafezinhos nesta terça-feira no retorno dos trabalhados legislativos na Câmara (Foto: Antonio Marques)Depois de distribuir pizzas, professores, em greve há quase 60 dias, prometem distribuir cafezinhos nesta terça-feira no retorno dos trabalhados legislativos na Câmara (Foto: Antonio Marques)

Após duas semanas de recesso, a Câmara Municipal retoma os trabalhos legislativos sob a expectativa de manifestações populares nesta terça-feira, 4, em razão das informações reveladas pelo operação Lama Asfáltica, em que mostra a possibilidade de envolvimento de parte dos vereadores em um esquema para promover a cassação do ex-prefeito Alcides Bernal (PP).

Para o vereador Edil Albuquerque (PMDB), ex-líder do atual prefeito Gilmar Olarte (PP), "a mobilização convocada pelo ex-prefeito é natural e os manifestos também são motivados pela questão nacional", referindo-se a operação Lava Jato. “Os protestos fazem parte da democracia. Seria estranho se não houvesse”, afirmou.

Eduardo Romero (PTdoB), declarado independente, disse ser possível que a sessão desta terça-feira tenha uma maior pressão da população por conta da investigação da operação Lama Asfáltica, “mas que as pessoas precisam diferenciar bem os boatos e falas infundadas daquilo que o inquérito ainda está apurando”, declarou o parlamentar.

Romero lembrou que não terá problema em justificar o voto no processo de cassação do ex-prefeito Alcides Bernal, e que foi decidido diante de relatórios das denúncias apresentadas pelo MPE (Ministério Público Estadual) e MPF (Ministério Público Federal), que chegou a citar o desvio de recursos da merenda escolar na gestão de Bernal. “As pessoas não podem ver as coisas acontecendo e ficarem de braços cruzados, porém é preciso fazer os protestos sem perder o respeito”, comentou.

Outro parlamentar que também defende ser legítima a manifestação do povo, Chiquinho Teles (PSD) disse que as pessoas não podem fazer o pré-julgamento em relação aos vereadores, em razão das informações da operação Lama Asfáltica. “A justiça vai cuidar das denúncias”, alertou ele, ressaltando que não vai “aceitar ser chamado de ladrão, que não é”, afirmou o vereador, acrescentando que a Câmara é a casa do povo e por isso, todos podem protestar, mas com respeito e sem excessos.

Os seis vereadores da oposição vão realizar uma reunião no final da tarde de hoje para deliberarem os encaminhamentos para a reabertura dos trabalhos legislativos. Paulo Pedra (PDT) disse que espera as manifestações, como viu alguns convites nas redes sociais, mas lembrou que as pessoas devem manter o respeito e, a Casa, a tranquilidade para administrar a situação.

Pedra disse que a reunião com os colegas da bancada de oposição vai avaliar os dados divulgados pela Lama Asfáltica e apontar os procedimentos a serem tomados a partir de amanhã, mas descartou pedir punição ou, até mesmo a saída de algum colega. “Vamos aguardar a definição das investigações”, porém deixou clarou que ao final do encontro teria algo mais concreto para divulgar. A vereadora Luiza Ribeiro (PPS) também preferiu falar sobre o assunto após a reunião.

Até o momento, apenas a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) confirmou a participação na sessão de reabertura da Câmara. Em greve há quase 60 dias, os professores vão distribuir cafezinhos na entrada da Casa para protestar contra o possível envolvimento de parlamentares na Lama Asfáltica e pedir apoio dos vereadores para negociar o fim da paralisação com o prefeito.

Lider – O vereador Edil Albuquerque revelou que, conforme já havia conversado com o prefeito Gilmar Olarte antes do recesso, ele não será mais o líder do Executivo na Casa. “Continuo na base do prefeito, mas prefiro dar a oportunidade para outro colega desempenhar essa liderança”, destacou.

Perguntado sobre a possibilidade de assumir a liderança, Chiquinho Teles disse que não seria ele o novo líder. “Prefiro manter minha independência. Posso ajudar melhor o prefeito tendo a liberdade de ajudá-lo naquilo que for necessário e também poder criticar aquilo que eu sou cobrado pela população”, contou.

CPI – A CPI das Contas Públicas retomam os depoimentos dos secretários municipais nesta quarta-feira, 5, quando os membros vão ouvir o secretário Valdir Gomes, da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano). Na sequência, ainda sem data marcada, o próximo a depor será o secretário Andre Luiz Scaff, da Seplanfic (Secretário Municipal de Planejamento, Finanças e Controle).

Conforme o presidente da Comissão, vereador Eduardo Romero, no próximo dia 11 de agosto, conclui-se o prazo de 90 dias da CPI e ele deve solicitar mais 30 dias, conforme previsto no regimento. Com isso o relatório final deve ser entregue até o dia 11 de setembro. “Não parei um dia sequer no recesso em função da análise do material recebido e a preparação do relatório final”, revelou o parlamentar.

Segundo ele, nos próximos dias, os membros da Comissão vão avaliar se ainda vão reconvocar algum secretário em razão de dados que foram analisados e que apresentaram diferenças relativas as informações nas oitivas. Romero também admitiu solicitar algumas informações à Polícia Federal sobre a operação Lama Asfáltica se houver alguns contratos que influenciem no resultado do relatório. “Não é o objeto da Comissão essa operação, mas se houver necessidade vamos pedir informações”, declarou.



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