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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

20/04/2013 08:54

Dois partidos polarizam eleição que põe à prova democracia no Paraguai

Nícholas Vasconcelos
Efraín, do Liberal, é o partido do atual presidente que tenta se manter no comando. (Foto: ABC Color)Efraín, do Liberal, é o partido do atual presidente que tenta se manter no comando. (Foto: ABC Color)
Horácio representa o Colorado, que tenta voltar ao poder. (Foto: ABC Color)Horácio representa o Colorado, que tenta voltar ao poder. (Foto: ABC Color)

O Paraguai elege neste domingo (21) o novo presidente em uma disputa polarizada entre os partidos Colorado e Liberal, que tentam provar a maturidade da democracia no país, numa tentativa de se reaproximar do Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) e da Unasul. As duas organizações, econômica e militar da América do Sul, suspenderam o país vizinho no ano passado como represália ao impeachment de Fernando Lugo, tratado como golpe de estado.

Horácio Cartes, do Partido Colorado, e Efraín Alegre, do Partido Liberal, se revezam na liderança das pesquisas eleitorais em diferentes institutos. Em um levantamento, Horácio aparece na frente, enquanto em um segundo estudo aparece Efraín com o futuro presidente.

“É a chance de mostrar para a América que o processo eleitoral é sólido, depois do impeachment do Lugo o Paraguai ficou isolado”, comenta Neimar Machado, analista político e professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Ele lembra que o processo que terminou com a saída de Fernando Lugo foi criticado por organismos internacionais e por políticos sul-americanos, já que o ex-presidente afirma não ter tido o direito amplo de defesa.

O Colorado, que ficou 61 anos no poder, tenta voltar ao comando do país que atualmente está nas mãos do Liberal, do atual presidente Frederico Franco. Ele era o vice-presidente de Fernando Lugo.

Mato Grosso do Sul tem uma forte presença da cultura e do povo paraguaio, já que faz fronteira com o país, além de ter sido palco da Guerra do Paraguai e ter “avançado” sobre o vizinho no término do conflito.

O Consulado do Paraguai em Campo Grande tem 4,5 mil paraguaios registrados. No entanto, a estimativa é de que o  número de paraguaios passe de 30 mil pessoas, o que torna a cidade e o Estado a maior colônia. No entanto, quem vive aqui precisa se deslocar até o Paraguai para votar, já que o sistema eleitoral não permite a instalação de urnas no Brasil. 

“Nesta eleição votam os paraguaios que vivem na Argentina, Espanha e Estados Unidos e nosso Consulado vai estar aberto no domingo para justificar a ausência, das 7h às 16h”, afirma o cônsul Angel Adrian Gill Lesme, responsável pela representação diplomática na Capital.

Frederico Franco, assumiu a presidência depois da queda de Fernando Lugo. (Foto: Agência Brasil)Frederico Franco, assumiu a presidência depois da queda de Fernando Lugo. (Foto: Agência Brasil)

Lesme explica que o sistema ainda não permite a votação no Brasil, mas quem vive aqui e está regular com as autoridades eleitorais pode comparecer às urnas do outro lado da fronteira.

Há a preocupação com a segurança no processo eleitoral do país vizinho, já que não se sabe o resultado do pleito e como a parte derrotada pode se comportar. “O Paraguai teve golpe de Estado numa época em que não se acreditava mais em golpe na América do Sul, então é imprevisível o resultado”, diz Neimar Machado.

Ele lembra que o país depende muito dos vizinhos, que embora tenha sido suspenso do Mercosul, precisa muito dos turistas brasileiros e argentinos para movimentar a economia. “Em Assunção, por exemplo, é possível ver outdoors escritos em português”, lembra.

“É uma eleição muito disputada, voto a voto mesmo”, comenta o empresário Ricardo Zelada Cafure, que é paraguaio e tem negócios em Concepción, a 500 quilômetros de Campo Grande. Cafure diz que, apesar de ser um processo concorrido, tem visto a corrida presidencial muito tranquila do ponto de vista da segurança. Neste sábado (20), o empresário pega a estrada para poder votar “Vou comparecer domingo e exercer meu direito ao voto”, afirmou.

A disputa sente o reflexo da morte do general Lino Oviedo, que morreu em um acidente de helicóptero em fevereiro. Em 1989, Oviedo foi um dos articuladores do golpe que derrubou o ditador Alfredo Strossner e em 1999 foi acusado de incitação para o assassinato do vice-presidente José Maria Argaña, assim como de participar das manifestações que levaram a saída do presidente Raúl Cubas.

O militar aposentado era candidato à presidente pela Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos) e o apoio dos seus seguidores é apontado como fundamental para definir a disputa.

“A morte de Oviedo abriu uma lacuna que vai fortalecer os dois partidos”, analisa Albino Romero, vice-presidente da Colônia Paraguaia da Capital. Ele diz que aqui há apoiadores e eleitores tanto do Colorado quanto do Liberal, que acredita que todo processo transcorra com harmonia.

Essa opinião é dividia também pelo cônsul de Campo Grande, que diz que não há conflitos internos. “São acusações aqui, acusações ali, mas tudo muito tranquilo”, disse.



"Golpe de estado" no Paraguai?!?!? "Dá um desconto, vai!..."
Quer dizer então que o impeachment do Fernando (o brasileiro) valeu por ele "ser neoliberal", e o do outro Fernando (o paraguaio) é inválido porque este é de esquerda? (E não sou favorável a nenhum dos dois.)
Por aí vemos que o critério atual para dar aula em universidade não é saber bem, mas defender uma ideologia do mal.
Uma coisa é a lei (e/ou a política) paraguaia ser falha. Outra completamente diferente é pintar o Lugo (imoral desde os tempos da sacristia) de "coitadinho" porque "é dos pobres" (sei...). Fato: Lugo foi deposto merecida e legitimamente, por deixar alastrar a violência em seu país. O abuso institucional não tolhe o uso justificado das instituições. Nem aqui, nem no Paraguai, nem no resto do mundo.
 
Marcel Ozuna em 21/04/2013 00:07:36
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