Economista promete governo mais transparente em MS e distribuição da riqueza
Plano é dividido em cinco pilares: transparência, saúde, educação, segurança e economia e desenvolvimento

A promessa de implementar a gestão mais transparente de Mato Grosso do Sul abre o plano de governo do economista Renato Gomes (DC), que disputa o Executivo estadual nas eleições deste ano. De acordo com o documento entregue à Justiça Eleitoral nesta quinta-feira (13), o candidato ainda defende a distribuição da riqueza do Estado para a população.
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Para o candidato, nos últimos anos o Estado enriqueceu, mas não houve transformações na vida dos sul-mato-grossenses. "O Estado tem um dos maiores agronegócios do país, PIB que quase triplicou em uma década e é o maior exportador de celulose do Brasil, mas a renda do seu povo cresce a uma fração dessa riqueza, o interior escoa a produção por estradas de chão e a saúde pública opera em colapso", diz o documento.
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Gomes apresenta instrumentos de transparência para alcançar uma melhor distribuição da riqueza. "O compromisso é fazer do MS o governo mais transparente da sua história, porque só quem vê para onde vai o dinheiro pode cobrar que ele chegue à sua vida", completa.
Entre as medidas concretas apresentadas estão a criação de painéis públicos e QR code em pontos estratégicos do Estado; um Portal da Transparência refeito para o cidadão comum, com dados abertos de verdade e linguagem simples; um aplicativo que leva as contas ao celular; o Canal 157 para tirar dúvidas e denunciar; e o uso de inteligência artificial no setor público, para aumentar a produtividade e para fiscalização.
Ao longo de 62 páginas, o plano de governo apresenta a fundamentação e a metodologia usadas para explicar as promessas, que estão divididas em cinco pilares: Transparência Total e Estado Honesto; Saúde; Educação; Segurança e Economia; e Economia e Desenvolvimento, que somam 119 propostas.
Segundo o método apresentado, cada proposta segue o “Caminho Óctuplo” de Bardach (Harvard/Berkeley) e do núcleo de estratégia de Rumelt, com o diagnóstico, caminhos possíveis, ação, meta, custo e financiamento e fonte.
No primeiro pilar apresentado, Transparência Total e Estado Honesto, o economista defende a ampliação do quadro de servidores públicos efetivos por meio de concurso público. O objetivo é alcançar apenas 40% de comissionados no governo.
O candidato ainda mira na fiscalização de benefícios fiscais: "não cumpriu, perde e devolve" e na implementação de uma quarentena para impedir que quem assumiu cargos de confiança no governo seja indicado para vagas no Judiciário.
O plano ainda contempla uma revisão da alíquota da previdência. "MS cobra 14% LINEAR de contribuição previdenciária de todo servidor, inclusive o de baixo salário, o que é regressivo: o mesmo percentual pesa muito mais em quem ganha pouco". A proposta prevê a substituição de uma tabela progressiva que começa com 7,5% a 11% para faixas mais baixas e até 16% para faixas mais altas. "Alívio imediato no salário líquido do servidor de baixo e médio salário. Sistema previdenciário mais justo e equilibrado, sem perda de arrecadação", completa.
Na saúde, o candidato apresenta um plano emergencial para desafogar a Santa Casa de Campo Grande nos primeiros 100 dias de governo. Para alcançar o objetivo, o economista não detalha o plano, apenas cita a proposta "de alívio do sofrimento humano; normalizar o atendimento nos principais hospitais; investir em novas estruturas".
O economista também quer elevar a aplicação em saúde de 12% para 18-20% do orçamento, com aumento gradativo de 2% em cada ano de governo; além de auditar a Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) e realizar auditoria nas PPPs (Parcerias Público-Privadas) de saúde.
Para educação, o economista propõe o cofinanciamento de crianças de até 3 anos nos municípios, a entrega de reformas de escolas e alfabetização de idosos com igrejas e comunidades. O candidato apresentou apenas uma proposta para a cultura, que prevê a prioridade ao artista local nos editais e eventos públicos.
Na segurança pública, o candidato tem como prioridade segurança na fronteira e propõe ampliar e reforçar o efetivo policial com novos concursos e investir em mais tecnologia. Entre as ações previstas está a criação de uma "muralha digital", com câmeras, leitura de placas, integração de dados das forças de segurança e o uso de inteligência artificial "para seguir o dinheiro do crime".
O economista ainda apresenta a implementação de uma política estadual de enfrentamento ao feminicídio, com ações de proteção, delegacias da mulher, botão do pânico e dados públicos.
No último pilar apresentado, Economia e Desenvolvimento, Gomes traz propostas mais populares, como zerar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do gás de cozinha para famílias cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único) e da cesta básica, para reduzir o custo até 50%; além da isenção até 150 kWh e faixas progressivas de ICMS.
O economista ainda se posicionou contra a reativação da Lotesul, loteria estadual, porque acredita que institucionaliza o jogo e extrai renda dos mais pobres. "Não institucionalizar; se existir, restringir a beneficiários de programas sociais e cobrar imposto alto", defende, citando o viés católico da proposta.
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