ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, SEXTA  06    CAMPO GRANDE 26º

Política

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo

Prefeitura cita defasagem milionária; moradores e entidades criticam aumento

Por Gustavo Bonotto e Judson Marinho | 05/02/2026 20:45
Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
Os secretários Isaac Araújo (Fazenda) e Marcelo Miglioli (Infraestrutura) e a procuradora-geral do Município Cecília Saad, durante audiência pública mobilizada pela Câmara Municipal. (Foto: Paulo Francis)

A audiência pública realizada na noite de quinta-feira (5), na Câmara Municipal de Campo Grande, evidenciou o confronto entre o Executivo e contribuintes sobre o veto total da prefeita Adriane Lopes (PP) ao Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspende os efeitos do decreto que reajustou a taxa de coleta de lixo e impactou o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de 2026. O debate ocorreu no plenário e antecede a votação do veto, marcada para o dia 10.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Câmara Municipal de Campo Grande realizou audiência pública para debater o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspende o reajuste da taxa de coleta de lixo e IPTU 2026. O Executivo defende a manutenção do veto, alegando defasagem na arrecadação de aproximadamente R$ 100 milhões anuais. Representantes da sociedade civil e Defensoria Pública criticam o aumento, apontando impacto desproporcional sobre famílias de baixa renda. A votação do veto está marcada para 10 de outubro, coincidindo com o vencimento da segunda parcela do IPTU. O debate expôs divergências sobre critérios técnicos e transparência no processo de reajuste.

Convocada pela Mesa Diretora, a audiência reuniu representantes da prefeitura, vereadores, entidades de classe e moradores. O Executivo defendeu a manutenção do veto e afirmou que a taxa está defasada há anos. Já advogados, defensores públicos e contribuintes criticaram o aumento e apontaram impacto maior sobre famílias de baixa renda.

“Existe um desequilíbrio econômico-financeiro absurdo. Isso é matemático. Não tem como sustentar uma situação dessas”, declarou o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli sobre a taxa. Segundo ele, o valor ficou anos sem correção e a atualização atual é menor do que reajustes feitos em períodos anteriores.

A procuradora do município, Cecília Saad, abriu a defesa do veto com um histórico das alterações legais. Segundo ela, o decreto questionado segue critérios técnicos previstos em lei complementar e não cria nova cobrança.

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
Para Cecília, houve inconstitucionalidade no projeto de lei que vetou aumento do IPTU. (Foto: Paulo Francis)

“A base de cálculo da taxa de coleta e remoção de lixo está prevista em lei complementar, com critérios definidos, como perfil socioeconômico do imóvel, área construída e localização”, afirmou. De acordo com Cecília, a prefeita vetou o projeto por entender que houve inconstitucionalidade na tentativa de suspender regras já estabelecidas em lei.

O secretário municipal de Finanças, Isaac José de Araújo, afirmou que a prefeitura deixa de arrecadar cerca de R$ 100 milhões por ano devido à defasagem da taxa. “Esse valor faz falta para investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura”, disse. Segundo ele, a discussão é decisiva para definir o futuro financeiro do município.

Na mesma linha, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, apresentou dados do contrato da coleta de lixo. Ele afirmou que o custo anual do serviço chegou a R$ 137 milhões em 2025, enquanto a arrecadação da taxa ficou em torno de R$ 41 milhões.

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
Empresários acompanharam audiência pública realizada nesta quinta-feira (5). (Foto: Paulo Francis)

O secretário também citou gastos extras com limpeza urbana. “Quando a população joga lixo em vias públicas e córregos, esse material precisa ir para o aterro sanitário, o que gera custo adicional para a prefeitura”, afirmou. Para ele, sem correção, Campo Grande corre risco de colapso financeiro.

Pela Defensoria Pública, o coordenador do Núcleo da Fazenda Pública, Moradia e Direitos Sociais, Danilo Hamano, afirmou que o aumento afeta principalmente a população mais pobre.

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
Danilo Hamano diz que moradores em vulnerabilidade são os maiores prejudicados por reajuste. (Foto: Paulo Francis)

“As pessoas de menor renda foram justamente as mais atingidas. Para muitas famílias, esse aumento pode significar a falta de dinheiro para o gás, para o alimento ou para o remédio”, disse. Ele pediu que as soluções priorizem os contribuintes em situação de maior vulnerabilidade.

Moradores também criticaram a medida. André Luís, do bairro Cabreúva, disse que o problema vai além da legalidade. “Não é só uma questão legal ou ilegal. Para mim, isso é imoral. Faltou dinheiro, aumenta-se o imposto, e a população não tem para onde correr”, afirmou. Ele também questionou a votação do veto no mesmo dia do vencimento da parcela do IPTU. “A pessoa fica sem saber se paga ou não paga”.

O comerciante Eduardo Shiguenori Yura, do bairro Tiradentes, relatou aumento acima do divulgado pela prefeitura. “Disseram que o IPTU subiu 5,32%, mas, no meu caso, o aumento foi de 21%”, afirmou. Ele defendeu mais transparência e critérios claros na cobrança. “A valorização do imóvel precisa ser justa. Não dá para somar valorização com várias taxas e penalizar a população”.

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
"Imoral", classifica André Luiz, morador do Bairro Cabreúva. (Foto: Paulo Francis)

Representando a ADVI-MS (Associação dos Advogados Independentes), o presidente Lucas Rosa criticou a forma como o reajuste foi implementado. “A Câmara e a sociedade foram surpreendidas. Esse aumento não passou pelo debate legislativo”, afirmou. Segundo ele, houve incoerências na reclassificação de bairros. “Regiões nobres passaram a pagar menos, enquanto bairros como o Tiradentes foram enquadrados em faixas mais altas. Isso não faz sentido”.

Ao final da audiência, o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), avaliou que o debate ampliou a transparência. “Hoje o cidadão começa a entender quanto custa a coleta de lixo, como funciona o contrato e por que esse tema é tão sensível”, afirmou.

Segundo ele, a audiência pode ou não influenciar a votação. “Quem vota terça-feira já tem convicções formadas, mas esse debate é um ganho para a população, porque amplia a discussão e traz informações que antes estavam restritas a documentos técnicos”, disse.

A votação do veto da prefeita Adriane Lopes está marcada para terça-feira (10), mesma data do vencimento da segunda parcela do IPTU.

Em audiência, secretário cita desequilíbrio "absurdo" em defesa da taxa do lixo
O presidente da Casa de Leis, Epamimondas Neto. (Foto: Paulo Francis)