Empresário de Dourados leva experiência para primeira disputa ao Senado
Valter Juvenal de Oliveira (PRD) defende regras rígidas para apostas e diálogo em mudanças trabalhistas
Aos 57 anos, o empresário Valter Juvenal de Oliveira, conhecido como Valter da Comagran, disputa pela primeira vez uma eleição. Natural de Dourados, ele concorre ao Senado pelo PRD (Partido Renovação Democrática) com a proposta de levar para a política a experiência acumulada em décadas de atuação no setor privado.
RESUMO
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Valter Juvenal de Oliveira, o "Valter da Comagran", empresário de 57 anos de Dourados, disputa pela primeira vez uma eleição ao concorrer ao Senado pelo PRD. Com patrimônio declarado de R$ 16,3 milhões, ele defende transparência nos recursos públicos, fiscalização de emendas parlamentares e regulamentação de apostas esportivas. O candidato também se posiciona sobre a escala 6x1 e afirma que apoiaria impeachment de ministros do STF mediante provas.
Dono de uma trajetória ligada ao agronegócio, ao comércio e à relação com produtores rurais, trabalhadores e empresários, Valter declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 16,3 milhões. A maior parte dos bens está concentrada em participações societárias e terrenos.
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O candidato afirma que poderia ter escolhido permanecer dedicado apenas à empresa e à família, mas decidiu entrar na disputa por acreditar que a experiência empresarial pode contribuir para a gestão pública.
“Eu poderia apenas continuar cuidando da minha empresa, da minha família, mas construí minha história trabalhando, empregando pessoas e pagando impostos. Então resolvi fazer algo diferente hoje para Mato Grosso do Sul”, afirmou ao Campo Grande News.
Segundo Valter, sua principal motivação é levar ao Senado uma visão baseada em responsabilidade com os recursos públicos. Ele afirma que conhece tanto a realidade do produtor quanto a do empresário e defende que os impostos arrecadados precisam retornar em serviços para a população.
“Conheço os dois lados, o lado do produtor e o lado do empresário. Quero levar esse lado empresarial para dentro da política, porque vemos muitos desmandos, descasos e irresponsabilidade com o dinheiro que recolhemos em impostos”, disse.
Primeira campanha
A disputa pelo Senado marca a estreia de Valter no cenário eleitoral. Ele afirma que a campanha tem sido uma experiência intensa e diferente da rotina empresarial.
Criado no campo e com atuação próxima ao setor produtivo, o candidato diz que tem apresentado aos eleitores propostas relacionadas principalmente à transparência na administração pública.
Entre os pontos que pretende defender está um maior acompanhamento das emendas parlamentares destinadas pelo Senado. Para ele, os recursos precisam ter mecanismos mais claros de fiscalização.
“Principalmente a transparência, que hoje a gente não tem muito, principalmente nas emendas que vêm do Senado, que não têm aquele acompanhamento da maneira como eu acho que deveria ser”, declarou.
Valter conta que tem percorrido cidades onde mantém relações construídas ao longo de mais de duas décadas de trabalho, mas reconhece que a estrutura limitada do partido dificultou uma presença maior em todo o Estado. Segundo ele, as redes sociais também passaram a ser uma ferramenta importante para alcançar eleitores em municípios mais distantes.
“Como somos um partido pequeno, que não tem estrutura, algumas cidades mais longe a gente não teve condições de estar presente. Foi uma campanha curta, de 40, 45 dias, para percorrer um Estado do tamanho de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Escala 6x1 e apostas
Sobre o debate envolvendo o fim da escala de trabalho 6x1, Valter afirma que defende melhorias na qualidade de vida dos trabalhadores, mas considera necessário avaliar o impacto das mudanças sobre pequenas e médias empresas.
O candidato lembra que também já trabalhou sob regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e diz entender a necessidade de equilíbrio entre trabalhadores e empregadores.
“Eu defendo que o trabalhador tenha qualidade de vida e passe mais tempo com a família, mas temos que considerar a realidade das pequenas e médias empresas, principalmente comércio e indústria. A mudança precisa ser construída com diálogo e responsabilidade”, afirmou.
Em relação aos sites de apostas esportivas, as chamadas bets, Valter defende uma regulamentação mais rígida. Para ele, essas plataformas precisam de maior controle para evitar impactos sobre famílias e jovens.
“Não podemos aceitar que essas plataformas sejam usadas para destruir famílias, incentivar o individualismo ou atingir nossos jovens com apostas que não são regulamentadas”, disse.
Polarização e papel do Senado
Ao comentar a polarização política no país, Valter afirma que o confronto de ideias faz parte da democracia, mas critica o que chama de disputa pelo controle político. Na avaliação dele, divergências podem existir desde que sejam acompanhadas de diálogo e respeito ao contraditório.
“A polarização não é necessariamente ruim. A ideia é confrontar divergências de ideias, e isso faz parte da democracia. O problema é quando deixa de ser proposta e passa a ser apenas uma disputa de controle”, afirmou.
Para o candidato, o Senado terá papel central nos próximos anos pela responsabilidade de analisar projetos e mudanças legislativas. Ele avalia que a escolha dos senadores terá grande importância no atual cenário político, já que a Casa participa da aprovação de leis e também possui atribuições de fiscalização.
“O Senado é uma das instituições mais importantes do Brasil. Estamos vivendo um momento em que serão votadas muitas leis, e cabe ao Senado aprovar ou não”, declarou.
STF e impeachment
Sobre as discussões envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal), Valter afirma que pretende apoiar pedidos de impeachment de ministros da Corte caso haja comprovação de irregularidades.
O candidato critica o que considera distanciamento entre autoridades e a realidade da população, mas afirma que decisões devem ser tomadas com base em investigações e provas. “Desde que seja pesquisada e realmente comprovada a culpa, eu apoiarei e assinarei. É uma forma de defender a Constituição do Brasil”, afirmou.
Valter diz que o senador precisa ter independência para tomar decisões e não ficar condicionado a interesses ou situações pessoais. “Precisamos de pessoas que realmente tenham sua vida sem um passado turbulento, que possam tomar sua própria decisão. O senador precisa cumprir aquilo para que foi eleito pelo voto do povo”, concluiu.
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