ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, SEXTA  06    CAMPO GRANDE 28º

Política

Energia instável trava produção rural e acende alerta na Assembleia

Deputados relatam longos períodos sem luz em aviários e cobram providências imediatas

Por José Cândido | 06/02/2026 15:12
Energia instável trava produção rural e acende alerta na Assembleia
Paulo Corrêa: "Não é um episódio isolado, é a frequência das quedas que preocupa". (Foto Divulgação)

A sequência de quedas no fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso do Sul e o impacto direto sobre a produção rural, o turismo e cidades do interior acendeu o alerta na Assembleia Legislativa. Durante a sessão ordinária desta quinta-feira (5), deputados cobraram providências e defenderam a criação de uma comissão para acompanhar o problema e pressionar a concessionária responsável.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Deputados estaduais de Mato Grosso do Sul manifestaram preocupação com as frequentes quedas de energia elétrica no estado durante sessão ordinária. O problema tem afetado diversos setores, desde a produção rural até o turismo, causando prejuízos significativos em várias regiões. A Assembleia Legislativa discutiu a criação de uma comissão para acompanhar a situação e pressionar a concessionária Energisa. Parlamentares também criticaram a aplicação rígida da Norma Regulamentadora 31, que trata da segurança no trabalho rural, argumentando que algumas exigências não condizem com a realidade do campo.

O deputado Paulo Corrêa (PSDB), 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, foi direto ao apontar os prejuízos causados pelas interrupções frequentes de energia. Segundo ele, a situação atinge desde aviários e assentamentos até áreas urbanas e polos turísticos.

“É urgente tomar providências em relação à qualidade do fornecimento de energia elétrica em todo o Estado. Estamos falando de uma concessão federal e do direito do consumidor sul-mato-grossense”, afirmou o parlamentar, ao lembrar que a Casa já enfrentou o tema no passado, inclusive com a CPI da antiga Enersul.

Paulo Corrêa citou casos de produtores que chegam a ficar oito ou nove horas sem energia, com perdas significativas, e destacou que o problema não se restringe ao campo. “O turismo em Bonito também está sendo prejudicado. Não é um episódio isolado, é a frequência das quedas que preocupa. Municípios como Nova Alvorada do Sul estão entre os mais afetados”, alertou.

O vice-presidente da Casa, Renato Câmara (MDB), reforçou que o tema já vem sendo discutido de forma recorrente nas frentes parlamentares da Avicultura, Suinocultura e do Leite, coordenadas por ele. Segundo o deputado, houve avanços no diálogo com a concessionária.

“Existe hoje, dentro da Energisa, um cadastro específico que dá prioridade no atendimento a produtores dessas áreas. Muitos ainda desconhecem essa facilidade. As frentes parlamentares têm conseguido apoio para agilizar ligações, mas é claro que precisamos avançar mais”, ponderou.

Além da energia, a sessão também abriu espaço para críticas às exigências da Norma Regulamentadora 31 (NR-31), que trata da segurança no trabalho rural. Paulo Corrêa questionou a aplicação rígida de regras sem considerar a realidade do campo.

“Querem trocar o chapéu pelo capacete no campo. Quero ver alguém aguentar meia hora de capacete no sol de Porto Murtinho. Quem acaba multado é o produtor. Isso é um absurdo”, desabafou.

Energia instável trava produção rural e acende alerta na Assembleia
Presidente da Assembleia, deputado Gerson Claro, pronto para tomar as medidas cabíveis. (Foto divulgação)

O presidente da Assembleia, Gerson Claro (PP), afirmou que, até o momento, não há exigência formal por parte do Ministério Público ou da Delegacia Regional do Trabalho sobre esse ponto específico. “Há comentários, mas nenhuma determinação legal. Se houver, vamos analisar e adotar as medidas cabíveis, porque considero inaceitável”, disse.

A crítica foi reforçada pelo deputado Coronel David (PL), que ampliou o debate ao mencionar outras exigências técnicas. “Não são juízes nem desembargadores, mas técnicos que criam regras sem considerar a realidade. Falar em ar-condicionado para transporte de bovinos e suínos acima de 30 °C e aquecedor abaixo de 10 °C é um completo descolamento da prática”, afirmou.

Entre quedas de energia e normas consideradas excessivas, a sessão deixou claro o recado dos parlamentares: o Estado precisa de serviços públicos mais eficientes e regras que dialoguem com a realidade de quem produz e vive no interior de Mato Grosso do Sul.