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Política

Entre candidatos que buscam reeleição, 60% ficaram mais ricos

O Campo Grande News analisou declaração de patrimônio de 474 eleitos em 2016 que se candidataram neste ano

Por Guilherme Correia | 29/10/2020 13:15
Eleições municipais seguem a todo vapor com regras definidas pela pandemia de covid-19 (Foto: Paulo Francis)
Eleições municipais seguem a todo vapor com regras definidas pela pandemia de covid-19 (Foto: Paulo Francis)

Eleitos em 2016 nos municípios de Mato Grosso do Sul, 292 políticos que buscam se eleger em cargos municipais nas eleições de 2020 "ficaram mais ricos" depois de ocupar cargos públicos. Ao mesmo tempo em que 176 "ficaram mais pobres" e seis não tiveram alteração no patrimônio.

Se somar todas as reduções de patrimônio, significaria que esse grupo de políticos, ao todo, perdeu R$ 66.491.270,38. Ao mesmo tempo, contabilizando os que acresceram bens no detalhamento, o aumento patrimonial foi de R$ 96.597.616,48.

Levantamento feito pelo Campo Grande News cruzou valor total dos bens declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral nas eleições municipais deste ano e passada.

Patrimônio aumentou - Eleito vereador em Sete Quedas nas eleições passadas, Salatiel Adriano de Assis (PSB), conhecido como "Salatiel da Rádio", declarou que tinha um veículo terrestre avaliado em baixíssimos R$ 35. Proporcionalmente, foi o maior aumento, já que hoje tem mais de R$ 1 milhão em bens.

O detalhamento inclui prédio avaliado em R$ 250 mil, um Eco Sport de R$ 25 mil, um Fiat Uno de pouco mais de R$ 18 mil, chácara avaliada em R$ 250 mil, terreno de R$ 150 mil e outro prédio de R$ 350 mil.

Além dele, outros 19 candidatos acrescentaram cifra superior a R$ 1 milhão em bens declarados. Maior diferença em valores brutos foi verificada no Odilon Ferraz Alves Ribeiro (PSDB), prefeito de Aquidauana, que passou de pouco mais de R$ 3,3 milhões para R$ 16,5 milhões.

Salatiel declarou apenas veículo avaliado em R$ 35 em 2016 (Foto: DivulgaCand/consulta feita em 29 de out.)
Salatiel declarou apenas veículo avaliado em R$ 35 em 2016 (Foto: DivulgaCand/consulta feita em 29 de out.)

Patrimônio reduziu - Entre os que tiveram valor reduzido, destaca-se Carlos Alberto Prado (DEM), que declarou R$ 19 mil em 2016 e, quatro anos depois, declarou caderneta de poupança avaliada em pouco mais de R$ 200 reais. Proporcionalmente, foi a menor redução.

Outro caso curioso é o de Rogério Rohr (PSD), que busca reeleição em São Gabriel do Oeste. Quando se elegeu vereador pelo município, Rohr declarou R$ 827.083,46 em bens patrimoniais mas agora todos os bens que declarou aparecem com valor zerado - o que pode ser configurado enquanto erro no preenchimento.

Vereador que declarou mais de R$ 800 mil em 2016 aparece com bens com valores zerados neste ano (Foto: ConsultaCand/consulta feita em 29 de out.)
Vereador que declarou mais de R$ 800 mil em 2016 aparece com bens com valores zerados neste ano (Foto: ConsultaCand/consulta feita em 29 de out.)


Candidatos no geral - Dos mais de oito mil candidatos a cargos municipais em todo Mato Grosso do Sul em 2020, aproximadamente 2,5 mil se candidataram nas últimas eleições - desses, 1.537 têm bens declarados à Justiça Eleitoral.

Maior parte (911), aproximadamente 59,2%, "ficaram mais ricos". O patrimônio que declararam em 2020 era maior que o declarado em 2016.

572 candidatos tiveram redução no montante, com base no levantamento, que cruzou o valor total dos bens declarados pelos candidatos ao TSE em 2016 e 2020. Além disso, 51 não alteraram valor.

Dados - Como forma de incentivar a transparência, o Campo Grande News disponibilizou o levantamento na íntegra, para que os eleitores possam consultar os dados, por meio deste link.

As informações utilizadas foram consultadas no repositório de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e no portal do CEPESP (Centro de Política e Economia do Setor Público) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

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