Ex-vereadora promete demissões “em nome de Jesus” após reeleição de Lula
Outro lado: Bela Barros pediu desculpas pelas declarações e disse não ter poder em negócios citados

A ex-deputada estadual e ex-vereadora de Dourados Francisca Felisbela Barros, de 69 anos, afirmou ter demitido um funcionário e prometeu dispensar outros oito “em nome de Jesus”, ao comentar uma publicação nas redes sociais sobre empresários que estariam demitindo trabalhadores por votarem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
RESUMO
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A ex-deputada estadual e ex-vereadora de Dourados Bela Barros, de 69 anos, comentou em um vídeo no Instagram que demitiu um funcionário e demitiria outros oito "em nome de Jesus", em referência a empresários que dispensariam eleitores de Lula. Após a repercussão, pediu desculpas e negou demissões, dizendo que os restaurantes pertencem aos filhos. O caso ocorre quando o MPT-MS registra 29 denúncias de assédio eleitoral no Estado, alta de 136,4%.
A declaração repercutiu nesta terça-feira (27), mas a ex-parlamentar voltou atrás, pediu desculpas e negou que alguém tivesse perdido o emprego. Na retratação, disse ainda que os sete restaurantes mencionados por ela pertencem aos filhos e que não tem poder para contratar ou demitir funcionários.
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A manifestação ocorreu nos comentários de um vídeo publicado no Instagram pelo pastor Leandro Reis, da Igreja Deus Tem Mais, situada no Rio de Janeiro (RJ). Na gravação, o religioso discutia supostas demissões de funcionários por votos em Lula. O vídeo trazia a mensagem de que quase 150 pessoas haviam sido dispensadas, mas não apresentava comprovação do número.
Foi nessa publicação que Bela escreveu: “Hoje nós também demitimos um, mas vamos demitir uns oito em nome de Jesus”. A ex-parlamentar também afirmou que a família possui sete restaurantes e defendeu que consumidores deixassem de comprar de empresários ligados ao partido do presidente eleito.
“Temos sete restaurantes!”, comentou. Em seguida, acrescentou: “É só passamos a comprar de empresários que não são do PT”.
As declarações ganharam repercussão nas redes sociais. Horas depois, no entanto, Bela apareceu em vídeo para pedir desculpas. A empresária afirmou que estava envergonhada e atribuiu os comentários à tristeza provocada pelo resultado das eleições.
“Bem, eu sei que vocês estavam esperando uma fala minha. E eu estou aqui agora neste momento para me retratar, para pedir desculpas para vocês da da da fala infeliz que eu tive. Hoje eu me sinto muito envergonhada disso que eu fiz, eu preciso pedir desculpas para vocês que eu ofendi e também para os meus filhos que são os proprietários dos restaurantes e que não nem sabiam disso que que eu estava falando”, disse.
A ex-vereadora também negou a informação sobre os desligamentos, contrariando o comentário publicado anteriormente. “Ninguém foi demitido, ninguém vai ser demitido e eu não tenho poder nenhum de contratação nas empresas, porque as empresas são dos meus filhos. Foi uma coisa que aleatória que eu disse. Então me desculpem e aqui está feita a minha retratação a vocês que foram ofendidos por mim e aos meus filhos que não tem nada a ver com essa história toda.”
Vale ressaltar que Bela Barros foi derrotada nas urnas para o então prefeito Laerte Tetila (PT), que disputava a reeleição em 2004. Depois, atuou como vereadora de Dourados por quatro mandatos, ocupou uma cadeira na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) e disputou a Prefeitura de Dourados em 2004 e 2024. Na última eleição municipal, concorreu pelo PDT.
Assédio eleitoral - O episódio ocorre em meio ao aumento das denúncias de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul. Conforme levantamento divulgado pelo MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) na quinta (22), o Estado registrou 29 denúncias neste ano, contra 11 contabilizadas até o primeiro turno, em 4 de outubro. O crescimento foi de 136,4%.
Segundo a cartilha do MPT sobre assédio eleitoral, trabalhadores não podem sofrer ameaças, constrangimentos, perseguições ou prejuízos profissionais em razão de suas convicções políticas. A proteção também abrange manifestações de apoio a candidatos e partidos.
O órgão considera que a prática pode ocorrer tanto no ambiente de trabalho quanto em situações relacionadas à atividade profissional, inclusive por meio de mensagens e publicações em ambientes digitais. Ameaças de demissão, tratamento discriminatório e retaliações motivadas pela preferência política estão entre as condutas que podem caracterizar assédio eleitoral.
O MPT-MS esclarece que as denúncias de assédio eleitoral continuam sendo recebidas mesmo com o encerramento das eleições. A procuradora-chefe do órgão, Cândice Arosio, afirma que situações relatadas depois da votação também podem ser investigadas.
“O MPT continua recebendo denúncias mesmo após o encerramento da eleição ou de um turno específico. A atuação do órgão não se limita ao dia da votação, pois é necessário apurar as situações relatadas e adotar as medidas cabíveis quando constatadas irregularidades”, explicou em comunicado.

