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Política

Família de Bernal acusa Estado de falhar na proteção de ex-prefeito

Nota afirma que a morte foi “anunciada” e cita seis pedidos para que ele deixasse a prisão

Por Gustavo Bonotto e Silvia Frias | 14/07/2026 19:31
Família de Bernal acusa Estado de falhar na proteção de ex-prefeito
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, em entrevista ao Campo Grande News. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A família e os advogados que o defendiam o ex-prefeito Alcides Bernal acusam o Estado de omissão ao falhar na proteção à vida do político durante o período em que ele permaneceu preso. Em nota pública divulgada às 19h23 desta terça-feira (14), a defesa alerta que apresentou seis pedidos para que político deixasse o presídio antes da morte.

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A família e os advogados do ex-prefeito Alcides Bernal acusaram o Estado de falhar na proteção à vida do político, preso desde março. A defesa afirma ter apresentado seis pedidos de liberdade entre abril e julho, todos negados pela Justiça. Bernal morreu aos 60 anos, na madrugada de segunda-feira (13), após um infarto durante cateterismo de urgência na Santa Casa de Campo Grande, antes de ser julgado pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini.

“Sua morte não foi imprevisível. Foi anunciada. E foi anunciada por escrito, com base em ciência. A voz da ciência foi silenciada pelo receio da opinião pública”, afirma trecho do documento obtido pelo Campo Grande News.

A nota tem as assinaturas da filha Sarah Bernal, da esposa Mirian Gonçalves e dos advogados Walquiria Moraes, Wilton Acosta, Ricardo Machado Filho e William Maksoud. Familiares e defensores afirmam que alertaram a Justiça várias vezes sobre o grave quadro de saúde de Bernal.

A família também critica o retorno do ex-prefeito ao Presídio Militar Estadual após a alta hospitalar. Conforme o texto, a escolta levou Bernal em um camburão, sem o suporte necessário para um paciente recém-operado do coração.

O texto público cita ainda um ofício da administração do presídio que informou a falta de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), unidade coronariana, cardiologista e equipe de enfermagem em regime de plantão. Para os signatários, a unidade não tinha estrutura para atender um paciente no período após uma cirurgia cardíaca.

“A defesa afirma, com todas as letras, que o Estado falhou no seu dever de proteção à vida de quem estava sob a sua custódia. Essa falha não pode ser normalizada nem esquecida”, diz o documento.

Familiares e advogados também afirmam que a busca por Justiça não pode retirar direitos fundamentais e criticam decisões motivadas, segundo eles, pela pressão da opinião pública.

Alcides Bernal não chegou ao seu julgamento. Morreu presumido inocente. A história registrará o dia em que a Justiça deixou de cumprir a sua missão de resguardar, de forma técnica e científica, a vida de um homem, sucumbindo, mais uma vez, à pressão da opinião pública”, afirma a nota.

O político completaria 61 anos nesta terça, “[...] mas infelizmente deixa esposa viúva e filha que o amavam muito”, encerra a manifestação.

Histórico - Bernal morreu aos 60 anos, às 0h35 de segunda (13), na Santa Casa de Campo Grande. O ex-prefeito sofreu um novo infarto durante o terceiro cateterismo de urgência. Os médicos identificaram trombose nos stents implantados no coração e tentaram restabelecer o fluxo de sangue, mas não conseguiram.

O político havia retornado ao Presídio Militar Estadual após receber alta hospitalar na sexta (10). Já no sábado (11), ele voltou a sentir-se mal e foi levado à Santa Casa, onde permaneceu internado até a morte.

O ex-prefeito estava preso desde março pela morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em casa na Rua Antônio Maria Coelho, região do Jardim dos Estados. Bernal admitiu os disparos, mas afirmou que agiu para se defender após receber um alerta sobre uma suposta invasão ao imóvel.

A Caixa Econômica Federal havia retomado a casa por falta de pagamento e vendido o imóvel a Mazzini. O auditor foi ao endereço acompanhado por um chaveiro para assumir a posse do bem quando foi baleado.

A Justiça decidiu, em junho, que Bernal deveria ser julgado por júri popular. O ex-prefeito morreu antes do julgamento.

Veja a íntegra da nota abaixo:

Família de Bernal acusa Estado de falhar na proteção de ex-prefeito