Fora da Assembleia, Neno agradece eleitores e evita falar de processos
Ex-deputado negou entrevista, mas enviou manifestação em que agradece eleitores
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), quebrou o silêncio nesta quinta-feira (21), depois que a retotalização dos votos das eleições de 2022 confirmou a perda da cadeira dele na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). Procurado pelo Campo Grande News, ele não quis conceder entrevista, mas enviou uma nota com tom de despedida, em que agradeceu aos eleitores, fez um balanço do período no Legislativo e tratou a saída como “fim de ciclo”.
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O ex-deputado Neno Razuk (PL) emitiu nota de despedida após a retotalização dos votos de 2022 confirmar sua saída da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Sem mencionar sua condenação a 15 anos de prisão pela Operação Successione, ele agradeceu aos eleitores e destacou sua atuação por causas sociais. Com o fim do mandato, Neno perde o foro privilegiado, e seus processos criminais passam a tramitar em primeira instância.
Ontem mesmo, antes da decisão do TRE, Neno deixou Campo Grande e voltou para Dourados, sua base eleitoral.
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A manifestação foi feita pelo próprio político, não por sua defesa. No texto, Neno não menciona os processos criminais ligados à Operação Successione, investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), nem a condenação em primeira instância que já pesa contra ele. O foco da nota ficou na atuação parlamentar e nas bandeiras defendidas nos quase oito anos de mandato.
“Hoje encerro um ciclo de quase 8 anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Agradeço, de coração, aos 17.023 eleitores que confiaram em mim. Cada voto foi honrado com muito trabalho e responsabilidade”, afirmou.
Na mesma declaração, o ex-deputado disse que deixa o cargo com a sensação de ter atuado por causas sociais. “Levo comigo a certeza de que lutei por causas importantes, especialmente pelas pessoas com deficiência, pelo TEA (Transtorno do Espectro Autista) e pelos neurodivergentes.”
A saída de Neno ocorre após a Justiça Eleitoral determinar a retotalização dos votos do PL nas eleições de 2022. Com a anulação de votos da legenda, o partido perdeu uma cadeira na Assembleia, que passa ao PSDB, por meio do suplente João César Mattogrosso. A mudança atingiu diretamente a vaga ocupada por Neno.
O tom de despedida contrasta com o cenário jurídico do ex-parlamentar. Fora do mandato, Neno perde a prerrogativa de foro ligada ao cargo de deputado estadual. Na prática, os processos criminais passam a tramitar sem a proteção processual do mandato, na primeira instância. Isso não significa prisão automática, já que ele ainda pode recorrer. Antes do fim dos recursos, eventual prisão só pode ocorrer se for cautelar, como uma preventiva, desde que o juiz aponte requisitos legais concretos.
Neno foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão em processo ligado à Operação Successione. A sentença foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, por crimes como organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho.
A Operação Successione investiga um suposto esquema de exploração do jogo do bicho, lavagem de dinheiro e corrupção em Mato Grosso do Sul. Em fase mais recente, a 4ª Vara Criminal realizou audiência de instrução com réus apontados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) como integrantes do grupo investigado.
Além de Neno, familiares e outros investigados aparecem em desdobramentos da operação. Entre eles estão Roberto Razuk, pai do ex-deputado, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, citados nas investigações. Como os processos ainda têm recursos e fases pendentes, as acusações devem ser tratadas como imputações do MPMS, não como fatos definitivos.


