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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

01/10/2018 14:25

Investigado na Lava Jato, empresário de MS atua na campanha de Haddad

Giovane Favieri, ex-sócio da VBC e NDEC e réu em ação sobre lavagem de dinheiro, é um dos prestadores de serviço na campanha do presidenciável petista com nova empresa

Humberto Marques
Prestação de contas de Haddad confirma prestação de serviço da Rental, de Favieri. (Imagem: TSE/Reprodução)Prestação de contas de Haddad confirma prestação de serviço da Rental, de Favieri. (Imagem: TSE/Reprodução)

O empresário Giovane Favieri, ex-sócio da VBC e da NDEC –empresas que atuavam na área de mídia e publicidade em Mato Grosso do Sul– e réu por suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, é um dos prestadores de serviços à campanha do presidenciável Fernando Haddad (PT) à Presidência da República.

Ele é um dos sócios da Rental, que atua na locação de estruturas e equipamentos para gravações de Haddad. Valdemir Garreta, um dos colabores à Justiça no Peru sobre investigações a respeito de caixa dois da Odebrecht naquele país, também é um dos colaboradores da empresa.

A Rental recebeu R$ 2,1 milhões da campanha de Haddad, conforme demonstrativo de despesa datado de terça-feira (25) e entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo.,

Favieri foi denunciado na Lava Jato em outubro de 2016, sob acusação de receber parte do empréstimo fraudulento contratado pelo empresário José Carlos Bumlai junto ao Banco Schahin. Os R$ 12 milhões foram contratados de uma empresa cujo controlador prestava serviços à Petrobras e abatidos de forma fraudulenta. O Grupo Schalin foi favorecido por contrato de R$ 1,6 bilhão com a estatal para operar um navio-sonda.

Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, admitiu a prática, sendo condenado a 9 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro.

Campinas – Favieri ainda se tornou réu em outra ação derivada do caso, que versa sobre o uso de dinheiro do empréstimo para pagar dívidas da campanha do ex-prefeito de Campinas, o corumbaense Hélio de Oliveira Santos (PDT), por ordem do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Favieri (à esquerda) afirma que não havia meios de controlar doações nas campanhas anteriores. (Foto: Arquivo)Favieri (à esquerda) afirma que não havia meios de controlar doações nas campanhas anteriores. (Foto: Arquivo)

Nesse processo, segundo o Estadão, a publicitária Mônica Moura afirmou que Favieri pagou R$ 800 mil “por fora” para ajudar na campanha de Hélio em 2004.

Favieri, em 2016, já havia sido o maior receptor de despesas eleitorais na campanha derrotada de Haddad à Prefeitura de São Paulo, por meio da F5BI, que recebeu R$ 3,5 milhões –22% dos gastos da campanha.

Seu sócio, Garreta, fechou acordo sigiloso com autoridades do Peru admitindo o recebimento de US$ 700 mil para conduzir a campanha do ex-presidente Ollanta Humala. A Odebrecht teria doado R$ 3 milhões ao então candidato.

Outro lado – Favieri, ao Estadão, disse que a força-tarefa da Lava Jato nunca questionou a prestação de serviços, e sim ter recebido recursos vindos do Bertin. Segundo ele, não havia como identificar a origem dos recursos, levando-o a pedir absolvição sumária no caso.

Sobre a denúncia de Moura, ele confirmou o repasse de R$ 600 mil à publicitária e outros R$ 200 mil em dinheiro, também apontando ser difícil identificar os pagadores. O empresário destacou que, atualmente, são tomadas precauções necessárias “para não ter esse tipo de dor de cabeça”. Giovane Favieri teve o nome envolvido na suspeita de desvios de recursos no Estado, no episodio conhecido como “farra da publicidade”. A acusação foi arquivada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Garreta e Haddad optaram por não se manifestar.



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