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Política

Na Câmara, bancada de MS vota unida por fim da escala 6x1

Todos os deputados apoiaram PEC no 1º turno; texto segue para análise do Senado

Por Gustavo Bonotto | 27/05/2026 23:01
Na Câmara, bancada de MS vota unida por fim da escala 6x1
Vander Loubet (PT), Camila Jara (PT), Geraldo Resende (União), Dagoberto Nogueira (PP), Beto Pereira (Republicanos), Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL) e Luiz Ovando (PP) representam a bancada de Mato Grosso do Sul. (Foto: Reprodução/Agência Câmara)

Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul votaram a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e acaba com a escala 6x1 durante o primeiro turno da votação na Câmara dos Deputados, realizado nesta quarta-feira (27), em Brasília (DF).

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Os oito deputados federais de Mato Grosso do Sul votaram a favor da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e extingue a escala 6x1. A proposta foi aprovada na Câmara com 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo, e segue para o Senado. O texto prevê transição de 14 meses, proíbe redução salarial e mantém regimes diferenciados para setores essenciais.

Entre os representantes sul-mato-grossenses, votaram “sim” nos dois turnos Camila Jara (PT), Dagoberto Nogueira (PP), Luiz Ovando (PP), Geraldo Resende (União Brasil), Rodolfo Nogueira (PL) e Vander Loubet (PT). No segundo turno, seis parlamentares do Estado mantiveram voto favorável, enquanto Beto Pereira (Republicanos) e Marcos Pollon (PL) não registraram posicionamento no sistema eletrônico da Casa.

No âmbito geral, a proposta foi aprovada com ampla maioria. No primeiro turno, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. Já na segunda votação, o placar terminou em 461 votos a 19. O texto segue agora para análise do Senado, onde também precisará passar por duas votações antes de eventual promulgação.

A PEC altera trecho da Constituição Federal para estabelecer jornada máxima de oito horas diárias e 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Um deles deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.

Hoje, a Constituição permite jornada de até 44 horas semanais com apenas um dia obrigatório de descanso. O modelo ficou conhecido como escala 6x1, comum em setores como comércio, serviços, limpeza e alimentação.

O que muda - O texto prevê período de transição de 14 meses para adaptação das empresas e contratos de trabalho. Dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, trabalhadores contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Na mesma etapa, a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas.

Um ano depois dessa primeira redução, a jornada passará definitivamente para 40 horas semanais. Durante o período de adaptação, empresas e sindicatos poderão negociar acordos coletivos para reorganizar horários e escalas, desde que respeitem os limites previstos na nova regra.

O texto aprovado também proíbe redução salarial em razão da diminuição da jornada. A garantia vale para salários integrais, remunerações proporcionais e pisos salariais de categorias profissionais.

A proposta mantém possibilidade de regimes diferenciados para setores considerados essenciais ou que já trabalham em escalas específicas. É o caso de profissionais da saúde, segurança, transporte coletivo, limpeza urbana e trabalhadores submetidos à escala 12x36.

Nessas atividades, acordos e convenções coletivas poderão prever compensação de horários para assegurar, na média mensal, dois dias de descanso remunerado por semana. O texto determina ainda que pelo menos uma folga ocorra dentro do intervalo máximo de sete dias consecutivos de trabalho.

Exceções - A PEC também cria mudanças para profissionais com diploma de ensino superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social, atualmente equivalente a cerca de R$ 21 mil. Para esse grupo, não serão aplicadas regras constitucionais sobre duração da jornada e controle de ponto.

Outro ponto incluído no texto trata dos impactos para pequenos negócios. A proposta prevê que uma lei complementar defina regras de transição para MEIs (Microempreendedores Individuais), microempresas e empresas de pequeno porte.

Durante a tramitação, entidades empresariais pressionaram por prazo maior para adaptação às novas exigências. O período de transição acabou incorporado ao parecer final após negociação entre Congresso e governo federal.

Também está inclusa a perda automática de validade, dois meses após a promulgação da emenda constitucional, de convenções e acordos coletivos incompatíveis com as novas regras. A medida deve obrigar empresas e sindicatos a renegociar escalas e jornadas de trabalho.

A proposta ainda preserva jornadas inferiores a 40 horas já existentes. Trabalhadores que atualmente cumprem carga horária menor não terão aumento no tempo de serviço e também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado.