Nelsinho pede união e afirma em convenção que recuo foi decisão “acertada”
Senador reconhece frustração de apoiadores, mas diz que experiência pesou na escolha de deixar a disputa

O senador Nelsinho Trad explicou a apoiadores por que desistiu da disputa ao Senado e pediu união em torno da reeleição do governador Eduardo Riedel durante discurso na convenção estadual do PSD (Partido Social Democrático), na tarde deste sábado (1º), no Rádio Clube Cidade, em Campo Grande. Cercado por familiares, colegas e dirigentes, ele atribuiu o recuo a entraves partidários e ao risco de enfrentar uma campanha sem estrutura.
RESUMO
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O senador Nelsinho Trad discursou na convenção estadual do PSD, em Campo Grande, explicando sua desistência da candidatura ao Senado. Ele atribuiu o recuo a entraves partidários e à falta de estrutura para uma campanha. Trad anunciou que será suplente de Reinaldo Azambuja e prometeu apoio ativo à reeleição do governador Eduardo Riedel, afirmando que a decisão foi tomada com razão e que continuará contribuindo pelo estado no Congresso Nacional.
O encontro foi mantido mesmo depois de o senador recuar com a candidatura. No local, Nelsinho disse que tomou a escolha com base na razão e relacionou a postura à sua profissão de médico-cirurgião. “Eu fiz com a razão”, afirmou. Segundo ele, “[...] na hora de agir, tem que ser com a razão”.
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“Eu fiz com a razão. Eu exercitei isso em função da atividade profissional que eu sou, que eu sou médico-cirurgião. O médico tem que fazer com a razão. O coração é para você envolver o paciente, as pessoas, mas, na hora de agir, tem que ser com a razão”, disse Nelsinho Trad.
O parlamentar justificou que mesmo com apoio de colegas, passou por um empecilho jurídico-partidário, alegando que não poderia seguir adiante sozinho.
"O Dagoberto [Nogueira] já declarou apoio para mim. A Isa [Marcondes] já declarou apoio para mim. O Juliano Ferro. Não dá pra ir sozinho. A conjuntura nacional me orientou a fazer parte da coligação que eu ajudei a construir e na qual eu acredito. O que foi falado hoje é tudo em que eu acredito e tudo que eu fiz quando fui prefeito e deu certo. Como é que eu não vou apoiar uma pessoa em quem acredito e que vai ser o melhor para todos nós?”

Nelsinho reconheceu que a desistência provocou frustração entre apoiadores e integrantes do PSD que defendiam a candidatura dele ao Senado.
“Mesmo sabendo o desalento e o desapontamento que gerou em muita gente, tenho a convicção de que essa foi a decisão acertada. Diziam que eu estava entre os eleitos, brigando para ser o segundo, e em algumas pesquisas em primeiro. Diziam que eu era o primeiro em Campo Grande.”
“Mas eu já passei por duas experiências de entrar em uma eleição majoritária sem estar planejado e preparado. Uma com meu pai, em 1996, e outra minha, em 2014. Eu tenho essa lembrança, essa experiência e esse sentimento. Eu não ia cometer o mesmo erro.”
“Essa eleição que eu vou disputar na suplência do Reinaldo Azambuja vai ser a minha quinta eleição majoritária seguida. Eu aprendi a fazer isso. Tem horas na vida em que você tem que dar um passo para trás para andar para frente. E foi isso que eu fiz.”
O parlamentar, no entanto, afirmou que não considera o recuo um encerramento da trajetória política e disse que continuará no Congresso Nacional.
“Eu não preciso provar mais nada para mim. Eu já sou feliz comigo mesmo. Tenho discernimento e condições de continuar contribuindo, ajudando o meu Estado e ajudando o meu País. Eu tenho pautas muito importantes no Congresso para continuar tocando. Eu vou fazer isso com a grandeza que eu tenho e com a qual sou reconhecido no Brasil. Qualquer porta em que eu bato se abre pela nossa história e pela nossa trajetória. Eu não vou desapontar o meu Estado por não trabalhar. Posso ter setores que não concordem com aquilo que eu encaminho, mas isso faz parte da política.”
“Tudo na vida tem consequência. Tudo que você fizer tem consequência. Eu tenho a convicção de que a consequência disso terá um destino muito promissor para vocês que estão aqui e para mim, que estou liderando todos vocês”, discorre Nelsinho Trad sobre recuo na candidatura.
Já em coletiva de imprensa, Nelsinho confirmou que será suplente de Reinaldo Azambuja (PSDB-MS) na disputa ao Senado e prometeu participar ativamente da campanha.
“Vamos nos inserir na campanha do Reinaldo. Eu sou o suplente dele e vou ajudá-lo a encaminhar as coisas junto com ele em Brasília. Em vez de ter só o Reinaldo, vocês vão ter dois senadores em um. Isso vai ser muito importante para o Estado. Isso é o nosso time. A questão de ser preterido é uma coisa natural na política. O [Edson] Giroto me abraçou aqui e lembrou que, em 2004, ele foi preterido e quem foi escolhido fui eu. A vida é feita das circunstâncias e das situações.”
O senador também falou sobre as divergências políticas dentro da própria família. O irmão dele, o deputado federal Fábio Trad, atua em outro grupo político.
“Quem sou eu para romper isso? As consequências de um ou de outro vão caber a cada um de nós. A gente que é homem público tem que ser espelho para a sociedade. As pessoas olham para você e se miram em você.”
“Eu não podia colocar para o público uma briga de dentro da minha casa. Jamais eu ia fazer isso. Eu respeito ele lá, e ele me respeita cá. E a vida segue.”
Na parte final do discurso, o senador agradeceu à equipe que trabalhou durante quase dois meses na preparação da candidatura ao Senado.
“Eu não vou deixar vocês na beira da estrada. Vocês estão inseridos nesse processo, assim como eu estou. Estou muito feliz com o comprometimento de cada um. Quantos dias e quantas noites nós viajamos juntos, quantas turbulências no ar passamos de lá para cá e daqui para lá. Isso tudo não foi em vão. O trabalho nos arrasta para a vitória, e nós trabalhamos. Nós vamos vencer de um jeito ou de outro.”
“Vou estar sempre, como sempre estive, à disposição para ouvir, acalmar e confortar. Projetos pela frente nós vamos esperar que o horizonte coloque. Condições, competência e time nós temos”, finaliza Nelsinho.

