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Política

Nem com nome de senadora na urna, Santullo conquista cadeira na Assembleia

Candidato usou “Santullo da Tereza” na tentativa de aproveitar vínculo com Tereza Cristina, mas terminou como

Por Jhefferson Gamarra | 05/10/2026 13:48
Nem com nome de senadora na urna, Santullo conquista cadeira na Assembleia
Marco Santullo ao lado da senadora Tereza Cristina em agenda em Brasília (Foto: Divulgação)

Nem o "empréstimo" do nome de uma das principais lideranças políticas de Mato Grosso do Sul foi suficiente para levar Marco Aurélio Santullo (PP) à Assembleia Legislativa. Candidato pela primeira vez a um cargo eletivo, ele disputou as eleições deste domingo (5) usando na urna o nome “Santullo da Tereza”, numa estratégia que buscava associá-lo à senadora Tereza Cristina (PP), mas terminou como suplente, com 14.245 votos.

RESUMO

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Marco Aurélio Santullo (PP) não conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e ficou como suplente, com 14.245 votos, mesmo usando na urna o nome "Santullo da Tereza" para se associar à senadora Tereza Cristina (PP). Estreante nas urnas, ele atribuiu o resultado à falta de votos e à vantagem de candidatos com mandato. Ex-superintendente da Funasa, declarou R$ 1,01 milhão em receitas de campanha e pretende permanecer no partido.

A estratégia tinha como pano de fundo os 829.149 votos obtidos por Tereza Cristina na eleição para o Senado em 2022. A expectativa era aproveitar parte da força eleitoral da senadora e do vínculo político construído entre os dois ao longo dos anos. Santullo, porém, reconheceu que o resultado ficou abaixo do que esperava, embora avalie que houve, sim, transferência de votos.

Questionado sobre a derrota, o candidato foi direto ao atribuir o resultado à quantidade de votos obtida. Segundo ele, faltaram votos para alcançar uma das cadeiras da Assembleia. Santullo também avaliou que candidatos que já possuem mandato e contam com estruturas políticas e eleitorais partiram em vantagem.

“Foi simplesmente falta de votos, fiz 14.245, a campanha foi bem tranquila, mas é uma opção do eleitor, achava que dava pra fazer um pouco mais”, afirmou.

Apesar de ter percorrido diferentes regiões do Estado durante a campanha, Santullo disse que conduziu a disputa de maneira tranquila. Ao comentar a força das estruturas políticas na eleição, apontou que quem já ocupa mandato teve vantagem na disputa.

“Se você olhar isso, você vê que as grandes estruturas daqui ganharam a eleição. Quem já tem mandato”, afirmou.

Nome de Tereza na urna - A escolha do nome “Santullo da Tereza” não foi casual. A intenção era deixar explícita na urna a ligação política construída com Tereza Cristina, relação que os dois apresentaram durante a campanha como resultado de anos de atuação conjunta em Brasília e em projetos ligados a Mato Grosso do Sul.

Santullo explicou no inicio da campanha que decidiu adotar o nome em razão da trajetória que construiu ao lado da senadora.

“Quando resolvi me apresentar como Santullo da Tereza, é porque foi com a nossa senadora Tereza Cristina que vivi uma experiência única de trabalho e resultado. Nossas jornadas se cruzaram e nosso trabalho se completou, formando uma parceria, que além de ter essa sintonia, teve entrega para quem precisa. E o resultado, a gente vê andando pelo Estado”, afirmou.

Durante a campanha, Tereza Cristina também explicou a origem da relação entre os dois e defendeu a candidatura de Santullo à Assembleia.

Segundo a senadora, os dois se conheceram quando ela ainda era deputada federal e Santullo foi indicado para trabalhar na Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Na época, segundo ela, havia projetos parados no órgão, especialmente relacionados a áreas como abastecimento de água, saneamento, esgotamento sanitário e estradas vicinais.

“Eu, quando deputada federal, conheci o Marco Aurélio Santullo quando ele foi indicado para trabalhar na Funasa. Nessa época, a Funasa tinha muitos projetos parados, e então eu comecei a discutir com ele uma série de coisas de interesse no campo onde eu já militava, principalmente na área rural, porque nós precisávamos muito de água, de saneamento, de esgotamento, de estradas vicinais”, disse Tereza.

A senadora destacou ainda a experiência de Santullo em Brasília e afirmou que a parceria resultou na liberação e retomada de projetos considerados importantes para o Estado.

“Uma parceria que eu considero muito bem-sucedida, porque, além de trazer novos recursos, nós destravamos uma série de projetos e programas que estavam parados e que eram importantíssimos para o desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou.

Na reta inicial da campanha, Tereza chegou a pedir votos para Santullo e defendeu que ele fosse eleito para atuar na Assembleia Legislativa.

“É por isso que hoje eu estou aqui e quero muito que o Marco Santullo, o Santullo da Tereza, possa se eleger e ir para a Assembleia Legislativa para ajudar o Estado do Mato Grosso do Sul”, declarou.

Experiência na administração pública - Apesar de ser estreante nas urnas, Santullo chegou à eleição com uma trajetória de décadas no serviço público e na administração.

Nascido em Aquidauana, ele é formado em Administração de Empresas e Ciências Políticas em Brasília. A carreira pública começou como auxiliar administrativo na Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul.

Em 1982, passou a trabalhar na Câmara Federal como assessor técnico legislativo. No início de 1986, participou do grupo técnico legislativo da Câmara dos Deputados e viajou em missão para estudar o funcionamento do Parlamento em Londres.

Em 2016, assumiu a Superintendência da Funasa. Três anos depois, em 2019, foi nomeado diretor administrativo-financeiro da Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural), função que exerceu por quatro anos.

Já em março de 2024, assumiu a Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais da Prefeitura de Campo Grande, durante a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).

A experiência administrativa, a proximidade com Tereza Cristina e a passagem pelo comando de uma secretaria municipal compuseram a base da primeira tentativa de Santullo de transformar capital político e experiência na administração pública em mandato eletivo.

O resultado, contudo, foi insuficiente para garantir uma cadeira na Assembleia. Com 14.245 votos, ele ficou na condição de suplente.

Mais de R$ 1 milhão captados - A campanha de Santullo movimentou mais de R$ 1 milhão em receitas, conforme a prestação de contas parcial apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atualizada em 2 de outubro. Até aquela data, o candidato havia declarado R$ 1,01 milhão em recursos captados e R$ 800 mil em despesas contratadas.

A maior parte dos gastos foi destinada à contratação de pessoal, que consumiu R$ 479 mil, o equivalente a 60% das despesas informadas. Em seguida aparecem publicidade por materiais impressos, com R$ 129 mil (16%), e serviços advocatícios, com R$ 60 mil (7%).

Também foram registrados R$ 36 mil em cessão ou locação de veículos, R$ 29 mil em impulsionamento de conteúdos, R$ 28 mil em serviços contábeis, R$ 16 mil em publicidade em jornais e revistas e R$ 11 mil em locação ou cessão de bens imóveis.

Mesmo com a estrutura financeira e política construída para a primeira disputa eleitoral, Santullo não conseguiu transformar a associação com Tereza Cristina em votos suficientes para conquistar uma vaga. Ao reconhecer que esperava um desempenho melhor, o candidato encerrou a disputa atribuindo o resultado principalmente à falta de votos e sinalizando que pretende permanecer no PP.

“Sou desapegado, tranquilo. Não tenho muito o que fazer”, afirmou ao comentar os próximos passos após a eleição.