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Política

Pilhas de reais estavam em casa de conselheiro; 20 alvos tiveram sigilo quebrado

Um das linhas de investigação da Mineração de Ouro é sobre venda de sentença na avaliação de contas públicas

Por Aline dos Santos | 08/06/2021 11:24
Viatura da PF em frente a prédio de luxo na Rua Antônio Maria Coelho. (Foto: Marcos Maluf)
Viatura da PF em frente a prédio de luxo na Rua Antônio Maria Coelho. (Foto: Marcos Maluf)

Destaque na operação Mineração de Ouro, as pilhas de dinheiro apreendidas pela PF (Polícia Federal) estavam na residência do conselheiro do TCE/MS (Tribunal de Contas do Estado), Ronaldo Chadid.

Horas depois de sair às ruas, a ação, que cumpriu 20 mandados de buscas com autorização do ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), entrou em sigilo. Mas ele também determinou a quebra dos sigilos fiscais e bancários de 20 alvos.

Além de Chadid, foram alvos os conselheiros Waldir Neves e Osmar Domingues Jeronymo. Uma das linhas de investigação é sobre venda de sentença na apreciação de contas públicas.

Composta por PF, Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União),a força-tarefa percorreu roteiro que incluiu gabinetes no TCE, prédio de luxo e  escritórios. As ordens judiciais foram cumpridas em Campo Grande, Sidrolândia e Brasília.

As investigações dos  crimes de peculato, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro  tiveram início a partir de telefonemas interceptados durante a operação Lama Asfáltica, que foram encaminhados ao STJ porque conselheiro do TCE tem prerrogativa de foro.

De acordo com a Receita Federal, há suspeita de irregularidade na apreciação e julgamento de processos relativos à empresa detentora da concessão dos serviços de coleta de lixo e de tratamento de resíduos sólidos em Campo Grande.

Segundo a CGU, as buscas são para esclarecer a possibilidade de venda de decisões, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e contratação de funcionários “fantasmas”.

O Tribunal de Contas do Estado fiscaliza a aplicação das verbas em áreas como educação, saúde, habitação e infraestrutura.

Equipe da PF foi a escritório de Vanildo Neves, irmão do conselheiro Waldir Neves. (Foto: Henrique Kawaminami)
Equipe da PF foi a escritório de Vanildo Neves, irmão do conselheiro Waldir Neves. (Foto: Henrique Kawaminami)

“A possível existência de julgamento parcial e de envolvimento desses membros em esquema de corrupção afetaria diretamente o bem-estar dos cidadãos, uma vez que implicaria no desvio da aplicação de recursos públicos de áreas importantes, como as que foram citadas, ampliando a exclusão social e a desigualdade econômica”, informa a nota divulgada pela CGU à imprensa.

Alvos - A reportagem apurou que policiais foram à residência de Waldir Neves e seu gabinete do TCE, no Parque dos Poderes. Outro ponto de parada no roteiro da operação foi escritório na Rua Manoel Inácio de Souza, no Jardim dos Estados, em Campo Grande.

O local tem placas da Mineradora Betione, escritório de advocacia Neves e Barbosa e escritório de corretor de imóveis de Vanildo Neves, irmão de Waldir Neves. Vanildo, que foi vice-prefeito de Aquidauana, também é um dos sócios administradores da mineradora. A reportagem tentou contato por telefone, mas as ligações não foram atendidas.

A Polícia Federal também foi ao Edifício Dorsay, na Rua Antônio Maria Coelho. O Campo Grande News apurou que vivem no prédio o conselheiro Ronaldo Chadid e o irmão do conselheiro Osmar Jeronymo, que foi secretário de Governo na gestão do ex-governador André Puccinelli (MDB).

O nome da operação é Mineração de Ouro por haver indícios de que a aquisição de direitos relacionados à mineração tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro. O TCE ainda não se manifestou sobre a operação, mas deve divulgar nota no decorrer do dia. A reportagem não conseguiu contato com os citados.

Equipe da força tarefa cumpre mandado em setor do Tribunal de Contas. (Foto: Divulgação/PF)
Equipe da força tarefa cumpre mandado em setor do Tribunal de Contas. (Foto: Divulgação/PF)


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