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Campo Grande, Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

06/04/2017 13:14

Produtores sugerem criação do cinturão verde em Campo Grande

Dados da Agraer atestam que apenas 15% dos alimentos vendidos na cidade são produzidos na Capital

Lucas Junot
O evento lotou o auditório da Acrissul, no parque de exposições (Foto: Izaias Medeiros/CMCG)O evento lotou o auditório da Acrissul, no parque de exposições (Foto: Izaias Medeiros/CMCG)

Representantes do agronegócio apresentaram ao Legislativo Municipal a proposta de criação de um cinturão verde na Capital, para concentrar e difundir a produção da agricultura familiar, quilombola e indígena em Campo Grande.

A ideia veio do  presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Jonatan Pereira Barbosa, durante a primeira edição do projeto "Câmara Participativa", que levou os trabalhos legislativos até a 79ª Expogrande, na noite desta quarta-feira (5).

Na pauta de discussões esteve o debate sobre políticas públicas para o agronegócio, onde pelo menos 20 apontamentos foram extraídos e serão encaminhados pelo Legislativo Municipal.

"Quero sugerir uma proposta suprapartidária para criar um cinturão verde em Campo Grande. Uma Capital como a nossa, importar hortifruti é uma vergonha pra nós, com terras tão férteis, com agricultura familiar tão forte. O prefeito concordou em implantar”, afirmou Jonatan.

O diretor executivo da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Lucas Galvan destacou que o Estado importa 70% dos hortifruti que consome. "Em 2009, fizemos um projeto de monitoramente das atividade agrícolas, que geram muita renda, muito emprego, tínhamos 13 mil hectares em Campo Grande, uma cidade que tem 800 mil hectares. Em sete anos temos 43 mil hectares. Pouco mais que triplicamos a área produtiva de soja, que era de 5 mil hectares e passou para 16 hectares", destacou.

Segundo o diretor presidente da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Enelvo Felini, existem 132 famílias quilombolas  e outras 50 famílias indígenas produzindo na Capital. São oito assentamentos ao redor de Campo Grande, com 347 famílias. No total, fora os sitiantes e chacareiros, são 954 famílias no campo, na zona rural. 85% do alimento que chega ao Ceasa e é vendido para o Estado, vem de outros estados. Apenas 15% são Campo Grande.

"Temos hoje 22 mil toneladas de tomate que chegam por ano em Campo Grade. São mais 19 mil de banana, 19 mil de batatinha. Só três alimentos não podemos produzir aqui, a cebola, a maça e a batatinha. O resto tudo podemos produzir aqui e comprar direto da agricultura familiar. Estamos negociando fornecer alimentos para a Santa Casa, que serve cinco mil refeições por dia. Queremos fornecer só produtos orgânicos, para ajudar a melhorar a saúde dos pacientes. A maioria desse consumo será adquirido ao redor de Campo Grande, diminuindo nossa importação", sugeriu.

A presidente da Associação Broto Frutos Culinária do Cerrado, Rosa Maria da Silva solicitou aos vereadores ajuda na regularização de documentos dos lotes, que tem dificultado a implantação de agroindústrias pelos pequenos produtores.

"Em primeiro lugar, que é o problema documental dos assentamentos e áreas rurais. Muitos não tem documentação pessoal regularizada e nem documentação dos lotes e não consegue instalar uma agroindústria. Não conseguimos fazer a diversificação da produção. In natura dá, mas precisamos agregar valor à produção. Já encontramos no próprio local uma dificuldade. As incubadoras não conseguem trazer todos os produtores pra cá, por falta da regularização dos documentos, do alvará sanitário e o fiscal barra o produto. Nos falta estrada bem conservada, ponte, ponto fixo para comercializar os produtos diariamente, para que os produtores possam se revezar, precisamos dessa logística de transporte e armazenamento", afirmou.

O gerente de Inspeção e Defesa Sanitária Animal da Iagro, Rubens de Castro Rondon, destacou o papel desempenhado pela Iagro no setor. "Hoje, MS detém, com certeza, o título de melhor produtor, melhor carne do Brasil. A agricultura não foge disso: a soja, o algodão, o milho, além da qualidade, tem uma participação muito grande. Todos sabem que o agronegócio em MS tem uma participação gigantesca na balança comercial do Estado. Estamos há 11 anos sem foco de febre aftosa", disse.

O presidente da Câmara Municipal, vereador João Rocha (PSDB), destacou que foram colhidos durante a 1ª Câmara Participativa, 20 pontos que poderão ser transformados em indicações a serem encaminhadas ao Executivo. "Tudo graças a presença de vocês. É o nosso feito para com segmento e com a sociedade. Temos vontade política de fazer melhor, de honrar a confiança que nos foi depositada nas eleições. Quero destacar o quanto foi rica essa nossa sessão, aprendemos muito, temos muito material para trabalhar", disse o chefe do Poder Legislativo.



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