A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

22/07/2011 10:00

Subprocurador da República considera inconstitucional exame da OAB

Luana Lourenço, da Agência Brasil

O subprocurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer em que considera inconstitucional o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por violar o direito ao trabalho e à liberdade de profissão, garantido pela Constituição Federal.

“Não contém na Constituição mandamento explícito ou implícito de que uma profissão liberal, exercida em caráter privado, por mais relevante que seja, esteja sujeita a regime de ingresso por qualquer espécie de concurso público”, argumenta Janot no parecer divulgado ontem (21).

O STF deve julgar em breve um recurso de um bacharel de Direito que contesta a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julgou legítima a aplicação do Exame de Ordem pela OAB. O relator do caso no STF é o ministro Marco Aurélio Melo.

O parecer de Janot será anexado ao processo, mas a opinião oficial da Procuradoria-Geral da República deverá ser defendida em plenário pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, que foi reconduzido ao cargo pela presidenta Dilma Rousseff, mas aguarda aprovação do Senado para voltar ao comando do Ministério Público Federal.

No parecer, o subprocurador diz que o exame da OAB “nada mais é que teste de qualificação” e que funciona como um instrumento de reserva de mercado. A exigência da prova para o exercício da advocacia também desqualifica o diploma universitário de Direito, na avaliação de Janot. “Negar tal efeito ao diploma de bacharel em Direito é afirmar que o Poder Público não se desincumbiu do dever de assegurar a todos a oferta dos meios necessários à formação profissional.”

Em nota, o Movimento Nacional dos Bacharéis de Direito (MNDB), contrário à exigência da OAB, elogiou o parecer de Janot e diz que a manifestação do subprocurador corrobora decisões judiciais recentes que consideram o exame inconstitucional.

“O parecer é um novo marco histórico na luta de nossa entidade contra esse exame de ordem, cada dia mais publica e juridicamente ilegal, juntando-se às decisões emanadas da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, em Goiás, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso e à decisão do desembargador Vladimir Carvalho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região”.



ACEFALIA JURÍDICA Mais uma vez as cenas se repetem. As cenas de uma peça exaustivamente encenada por protagonistas que, fechadas as cortinas, comprazendo-se com as luzes dos holofotes a eles, tão somente a eles voltadas põem-se a rir dos coadjuvantes. Esse teatro deliberadamente escolhido pela OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – já virou rotina no País onde, segundo a Constituição Federal, todos são iguais. Ordem? Não envolve aqui uma ironia? Afinal o que significa ordem a não ser o cumprimento da Constituição Federal? Continuemos. Os dignos doutores escolhidos para representar a Ordem dos Advogados do Brasil, em sua pretensa onipotência, ao publicarem os resultados das provas obrigatórias para que os bacharéis em Direito conquistem o direito de exercerem a profissão, promovem um alarido capaz de fazer inveja a um afinado bando de gralhas. Comédia ou tragédia? Até isso fica difícil determinar diante da publicação dos resultados pífios das últimas provas, pois como a flauta que usa o sopro do flautista, esses protagonistas põem-se a entoar uma ode conhecida: os candidatos não sabem ler, não saber interpretar, não têm conteúdo. Provocam perplexidade. São uns despreparados saídos de cursos reprováveis, mas autorizados pelo MEC que, além de não avaliar aqueles já existentes, continua a conceder autorização para o funcionamento de uma infindável catarata de outros. E mais, magnânima que é, a OAB, sob o manto diáfano da justiça, - quanta pretensão! - argumenta que o grau de dificuldade proposto nas referidas provas é condizente e se justifica pela proteção que ela, por meio de provas de conhecimento, confere à sociedade contra os maus profissionais. Isso mesmo, proteção a uma sociedade amedrontada pelos privilégios dos bandidos à solta nas ruas; pela impunidade daqueles que assaltam o poder público, descaradamente; proteção a uma sociedade que transita à mercê da sorte. Por sua vez, o MEC dispara justificativas a respeito do empenho e zelo no quesito fiscalização dos cursos já existentes, bem como rigor na autorização para funcionamento de outros novos. Rebate as acusações lançadas pela Ordem com invejáveis discursos, cujo mote sistemático são as suas modernas políticas educacionais. Simultaneamente a essa luta entre elefantes - paráfrase de um conhecido provérbio africano -, o capim vai morrendo a cada nova prova. Em consequência, não fica difícil depreender que esses gênios – não poderia ser diferente - façam parte não apenas do poder, mas de um deserto de homens e ideias. Afinal, por que a OAB não volta as suas preocupações para a educação-base, aquela que será o alicerce do indivíduo por toda a sua vida; não volta as suas ideias à elaboração de projetos capazes de preparar melhor os professores, reavaliar os programas da falida educação brasileira? Não seria proveitoso ouvir a sociedade – ela tem idéias, sim -, oferecendo-lhe oportunidades de uma participação maior? Não seria adequada uma revisão nas grades dos cursos de Direito que, ao envolverem todos os seus ramos, exige que o acadêmico e futuro operador do Direito seja um polivalente nato? Evidentemente não descartamos a prática de um conhecimento geral do mundo afeito ao Direito, todavia, entendemos que ao acadêmico deva ser dada a oportunidade de, no decorrer do curso, fazer a sua opção pelo ramo desejado; opção essa que, além de eficaz na formação de profissionais especializados pouparia tempo do acadêmico, a exemplo daquele que, mesmo odiando Direito Penal vê-se obrigado a chafurdar no Código Penal em detrimento do ramo por ele escolhido, tão somente para prestar a referida prova e, depois fechá-lo para sempre. Só não enxerga a obviedade da questão aqui discutida aqueles que permanecem deitados em berço esplêndido. Outrossim, vale ainda lembrar aos donos da verdade, sim, aqueles mesmos que propõem questões erradas e depois passam pelo constrangimento – ficariam eles constrangidos? - da anulação das mesmas que, críticas desacompanhadas de sugestões ou solução não merecem credibilidade, não têm eco. Isso posto, faz-se mister lembrar à ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL que os bacharéis em Direito não são analfabetos funcionais como sugere, mas vítimas das deficiências, em especial, do ensino do primeiro grau, bem como da incompetência velada daqueles que detêm o poder com o qual se deliciam. Afora tantos descalabros, cabe-nos esclarecer não sermos contrários às provas da OAB, mas à prepotência dessa instituição; à sua inércia diante de fatos estapafúrdios que atormentam a sociedade. Somos contrários às críticas depreciativas desferidas aos candidatos. Somos contrários às regras definidas para a realização de referidas provas, a exemplo a obrigação de refazer a primeira fase em caso de reprovação na segunda. O cerne dessa exigência, a nosso ver injusta, provavelmente resida no pagamento da taxa de inscrição que, consequentemente, seria reduzida à metade. Por fim, diante de fatos tão contraditórios, só nos resta aplaudir o Tiririca, membro da Comissão de Educação do Congresso e que, como é sabido, precisou tão somente de uma provinha - sem segunda fase e sem taxa de inscrição -, para conquistar o direito de assumir uma cadeira no Congresso Nacional, bem como registrar que a autora deste texto – acadêmica de Direito -, caso não obtenha aprovação nos exames a serem prestados, será mais uma a juntar-se à legião de bacharéis burros, analfabetos e despreparados para o exercício do Direito, ao tempo que os detentores do poder continuarão a assimilar o anomismo egônomo do rei Luís XVI e a exercitar a sua célebre frase: L’Etat c’est moi! Aplausos para Tiririca. Fechem-se as cortinas e até o próximo ato. JULIETA DE OLIVEIRA ANDRADE Maringá, 15 de julho de 2011 julietandrade@hotmail.com
 
Julieta de Oliveira Andrade em 30/07/2011 01:04:51
Olha não sou contra a OAB esse exame ajuda e muito a selecionar otimos profissionais, mais na realidade isso já esta se tornando esquisito a OAB cobra mais de 600,00 anuais para o advogado poder advogar na realidade a OAB está ai é so para lucrar pensem nisso.
 
Alex Correa em 22/07/2011 10:41:18
"Basta estudar que passa" é no mínimo uma afirmação descabida e sem o menor conhecimento de causa, apesar do "Dr." ostentado no nome, pois sou capaz de desafiar a grande maioria dos "causídicos" militantes atualmente no meio jurídico do nosso Estado à se submeterem ao último exame 2011.1 que foi aplicado no domingo passado.
Fala-se tanto dos níveis dos cursos jurídicos, mas uma prova dessa só cursando o Largo de São Francisco e olha lá...alguns reprovarão.
Sem desmerecer aqueles que conseguiram passar, pois são verdadeiros heróis, se não for na decoreba não passa...isso é medir nível de conhecimento???
Comparativamente, traçando paralelos, é o mesmo que alguns cursos de formação de condutores fazem, ensinam a fazer baliza e ser aprovado, dirigir bem é outro detalhe que só o tempo dirá.
Deveria haver exame sim, em todas as profissões, mas como uma forma coerente de qualificar profissionais por especialidade. Se o bacharel optar por ser criminalista, vai fazer uma especialização em Dir. Penal e ao final de certo tempo prestará um exame específico, qualificador e com finalidade pedagógica. Isto que está ai nos dá o direito de pensar que tem dupla finalidade; arrecadatória e seletiva de mercado de trabalho. Só é aprovado no máximo 10% de todos que se candidatam.
 
claudionor caldeira em 22/07/2011 09:34:48
De fato, o Exame da OAB não dói... É como se fosse uma SENTENÇA DE MORTE contra o diploma universitário de direito, adquirido a peso de muito sacrifício e expectativa líquida, certa e democrática do exercício da profissão de Advogado, COMO OCORRIA ATÉ ANTES DE 1994.
O Exame da OAB não dói... Principalmente para aqueles que, por flagrante medo da concorrência (quiçá jamais testados neste Exame), torcem, de forma vergonhosa, pela sempre perene reserva de mercado.
O Exame da OAB não dói... Mas envergonha, principalmente quando se vê aqueles que vivem debruçados sobre a Carta Magna dia e noite e a interpretam à sua conveniência, e se calam omissos e ainda, acham graça daqueles que, no lugar desse inconveniente escárnio de mal-educados, deveriam demonstrar, no mínimo, solidariedade com aqueles que poderão ser colegas seus...
Enfim, dói tudo quando nos deparamos com profissionais mesquinhos e cegos de consciência.
 
Dr. Pablo Ramenzzoni em 22/07/2011 09:21:48
O Exame de Ordem não dói...hehehe , basta estudar que passa...!!!
 
DR FABIO VERSOLATO em 22/07/2011 02:33:15
OAB quer que MEC supervisione faculdades de direito com baixo desempenho
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, pedirá ao ministro Fernando Haddad que o Ministério da Educação (MEC) supervis...
Reforma da Previdência deve ser votada na semana que vem, diz Meirelles
A reforma da Previdência deve ser votada na semana que vem, de acordo com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. A declaração foi dada na noite de...
Quanto mais reforma demorar, mais dura será correção, diz ministro
Caso o governo não consiga aprovar a reforma da Previdência ainda este ano, conseguirá em 2018, disse hoje (11) o ministro do Planejamento, Dyogo Oli...
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions