Vereadora é acusada de insinuar em vídeo que prefeito agride mulheres
Um boletim de ocorrência foi registrado em delegacia citando suposta calunia proferida pela parlamentar
A vereadora de Nova Alvorada do Sul, Andréa Fim (PSDB), foi alvo de um registro de ocorrência por suposta calúnia após publicar um vídeo nas redes sociais em que critica ações relacionadas ao Agosto Lilás e relembra um episódio ocorrido durante evento da Prefeitura.
RESUMO
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A vereadora Andréa Fim, de Nova Alvorada do Sul, é alvo de um registro de ocorrência por calúnia após criticar o prefeito José Paulo Paleari em vídeo sobre o Agosto Lilás. A parlamentar relembrou um episódio em que teve seu microfone desligado e foi vaiada em evento público, questionando a coerência das políticas de combate à violência contra a mulher na gestão. O assessor jurídico da prefeitura registrou o caso na Polícia Civil por entender que a fala sugere que o prefeito é um agressor.
A ocorrência foi registrada na Polícia Civil do município na sexta-feira (7). No boletim, o comunicante é identificado como assessor jurídico da Prefeitura de Nova Alvorada do Sul. Ele relata que a parlamentar publicou um vídeo e uma imagem do prefeito José Paulo Paleari (PP) relacionados ao Agosto Lilás, campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher.
Segundo o registro policial, o comunicante entendeu que a publicação da vereadora teria sugerido que Paleari seria “agressor de mulheres”. A ocorrência foi registrada como calúnia, prevista no artigo 138 do Código Penal, tendo como local a internet e como referência as redes sociais.
No vídeo, Andréa questiona a atuação do município durante o Agosto Lilás e relaciona a campanha a um episódio em que afirma ter sido impedida de concluir uma fala durante um evento público.
“Acabei de ver essa postagem na rede social, uma mensagem bonita, mas que me trouxe um sentimento nesse Agosto Lilás, que eu preciso compartilhar com vocês. Um sentimento de indignação”, afirmou.
A vereadora disse que considera ter passado por um momento de “maior humilhação pública” em sua trajetória política ao ser vaiada e ter o microfone desligado durante uma solenidade. Segundo ela, o que mais a incomodou foi não ter recebido posteriormente um pedido de desculpas ou retratação.
“E agora vendo essa postagem, eu me pergunto: defende quais mulheres? Que tipo de política pública está sendo realizada?”, questionou.
Andréa também afirmou que as ações de combate à violência contra a mulher não devem ficar restritas a publicações durante o mês de agosto.
“O respeito às mulheres deve ser na prática. Aquele microfone desligado não calou minha voz e não vai calar”, declarou.
Climão em evento da Prefeitura - As declarações ocorrem cerca de um mês e meio após um episódio envolvendo a vereadora e o prefeito durante a inauguração da Casa do Artesanato, em frente ao camelódromo de Nova Alvorada do Sul, em 19 de junho.
Na ocasião, Andréa utilizou o microfone durante a solenidade para reclamar de problemas enfrentados por ela e por artesãs do município. A parlamentar relembrou uma situação ocorrida em abril de 2024, quando teria solicitado ao prefeito uma tenda para a realização de uma feira.
Segundo relato da vereadora, o pedido foi negado e, durante a realização da feira, houve chuva que molhou os produtos das artesãs.
“A resposta que eu tive foi não, mas eu, mesmo assim, fiz a feira, na frente do Parque Nelson Tererê. E veio chuva. As artesãs sabem, veio chuva, molhou o artesanato”, afirmou na ocasião.
Durante a fala, conforme imagens divulgadas sobre o episódio, o prefeito teria feito gestos para que o público vaiasse a parlamentar. Na sequência, o microfone foi desligado e a solenidade foi retomada. Andréa deixou o local.
Agora, o episódio voltou a ser citado pela vereadora em meio às críticas às ações do município no Agosto Lilás.
Consta no boletim de ocorrência que o comunicante procurou a Delegacia de Polícia de Nova Alvorada do Sul para formalizar a ocorrência após interpretar o conteúdo publicado pela parlamentar como uma acusação contra o prefeito.
A partir do registro, eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e dos procedimentos previstos na legislação.

