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Reportagens Especiais

Mãe, filha e amiga viram empresa e emplacam hits no mercado nacional

Empresárias trabalharam juntas na editora musical dos Teló, que foi a única na cidade por muito tempo

Por Cassia Modena | 13/04/2026 10:29
Mãe, filha e amiga viram empresa e emplacam hits no mercado nacional
Da esq. para a dir.: Raquel, Lorrayne e Lia começando a vida de empresárias (Foto: Arquivo pessoal)

Campo Grande tem poucas empresas no mercado musical e uma delas é de um trio de mulheres praticamente da mesma família. Mãe, filha e uma quase irmã são as donas do negócio e hoje vivem desse trabalho morando na capital de Mato Grosso do Sul.

RESUMO

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Três mulheres de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, comandam a 3SONS, agência musical fundada há 11 anos por Lia Rosa, 53, sua filha Lorrayne Rosa, 35, e a amiga Raquel Carelli, 35. O trio saiu de uma gravadora ligada ao cantor Michel Teló para empreender e hoje atende artistas como Zé Neto e Cristiano, Ivete Sangalo e Chitãozinho e Xororó, com cerca de 90% da equipe formada por mulheres.

Ele é formado pela administradora Eliane Rosa, 53, pela filha e especialista em marketing Lorrayne Rosa, 35, e pela amiga de adolescência Raquel Carelli, 35, também da área.

O CNPJ em comum foi aberto há 11 anos, quando as três deixaram empregos numa empresa que pertence à família do cantor Michel Teló e por muito tempo foi a única gravadora de Campo Grande.

Mãe, filha e amiga viram empresa e emplacam hits no mercado nacional
Da esq. para a dir.: Eliane, Lorrayne e Raquel durante entrevista na sede da 3SONS (Foto: Osmar Veiga)

O nome escolhido foi 3SONS. “Porque somos três e cada uma é um som. Nos apresentamos assim: essa é a Lia, o primeiro som, a Lô é o segundo som e eu, Kel, sou o terceiro som”, diz Raquel.

Uma de cada vez

A ordem dos sons é conforme a experiência. Eliane, a Lia, começou primeiro na música. Foi em 2005, após se cansar de trabalhar no comércio do Centro de Campo Grande.

“Pedi demissão do meu emprego da época, mas aceitei cobrir férias de um funcionário numa loja de jeans dos Teló que ficava bem em frente. Meses depois, me convidaram para trabalhar na parte administrativa da editora musical deles. E lá se foi quase uma década trabalhando, registrando músicas e aprendendo muito”, ela conta.

Mãe, filha e amiga viram empresa e emplacam hits no mercado nacional
Lia sempre deu bem com o trabalho burocrático, desde os tempos de funcionária da editora (Foto: Arquivo pessoal)

Lorrayne entrou na editora em 2010 e passou a atuar numa associação filiada ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Antes, chegou a se mudar para Bonito e trabalhar com turismo. “Morei por muito tempo e fazia arvorismo. Resolvi voltar e me reinventar. Continuo me reinventando até hoje. Todas nós, né?”, fala.

Raquel chegou por último, durante o auge de “Ai, se eu te pego” do Michel Teló no exterior. Ela também fez uma mudança radical na carreira. Como era professora de inglês, foi chamada para traduzir essa e outras músicas, além de cuidar dos contatos com o mercado internacional em 2012. Pouco depois, foi aprovada no concurso público do Banco do Brasil. Entre a sala de aula e o sistema financeiro, fez uma terceira escolha: “eu me apaixonei pela música”, se declara.

De repente empresárias

A 3SONS surgiu quando mãe e filha já prestavam serviços de assessoria musical para clientes do Sul do País e abriram a própria empresa paralelamente ao emprego na gravadora. O rendimento ficou mais vantajoso em relação ao salário, e encorajou os pedidos de demissões.

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Raquel conta como foi de professora, à tradutora na gravadora e à quase bancária (Foto: Osmar Veiga)

Raquel continuou como empregada até ser chamada para assumir a vaga no concurso. "Eu estava saindo da gravadora para isso, mas a Lia perguntou: o que você quer para ficar com a gente na nossa empresa? Aí eu respondi que queria ser sócia", conta.

A relação entre elas só melhorou após começarem a trabalhar na 3SONS. Como a família da terceira integrante mora em Coxim, ela se tornou mesmo praticamente irmã de Lô e filha de Lia.

"Surgem conflitos normais de trabalho no dia a dia, mas são coisas que acontecem e ficam na empresa, a gente conversa e pronto. Fora daqui, a gente faz coisas juntas.  E aí, o que nós vamos fazer na festa junina, no Natal, Dia das Mães? Já viajamos juntas de férias para a Europa, inclusive. E assim vai. É esse o nosso segredo para o trabalho dar certo", diz Raquel.

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Lorrayne segura disco de ouro recebido por Michel Teló, no tempo em que mexia com músicas em CDs e DVDs como contratada (Foto: Arquivo pessoal)

A 3SONS hoje é formada por equipe fixa em Campo Grande e remota em outros estados. Cerca de 90% dos funcionários são mulheres.

Desbravando um mercado masculino

As empresárias começaram se especializando em sertanejo logo no início, um segmento ainda mais masculino do que é hoje em dia.

"Agora a gente tem representação de cantoras, mas você imagina isso em 2011.  Marília Mendonça e Maiara & Maraísa vieram depois. Acabamos ganhando respeito, mas tendo que nos validar o tempo inteiro. Agora, a gente aproveita para abrir espaço para outras mulheres que querem trabalhar na música. Se abrimos uma vaga, a preferência é para mulher", afirma Raquel.

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A mulher vestida de preto é Lorena Shadeck, editora de música na 3SONS e sobrinha de Lia (Foto: Osmar Veiga)

O primeiro cliente foi a dupla Theo & Gabriel. Uma música lançada em parceria com Jorge & Matheus levou os sertanejos até o Top Virais do Spotify em 2020.  "Estratégia 100% nossa, execução 100% da nossa agência", atesta a terceira sócia.

Foco nas redes sociais

A pandemia de covid-19 acabou ajudando a empresa a ser mais conhecida e focar nos serviços de marketing para redes sociais, abrindo a 3SONS Digital como um braço da agência voltado às estratégias de divulgação com apoio de influenciadores digitais.

"Chegamos a pegar a campanha com mais de 300 influenciadores. Um dos cases que a gente conquistou depois foi com o "Macetando", da Ivete Sangalo, hit de carnaval. A gente que colocou o áudio em alta nas redes sociais. Chegamos ao Top 1 do Spotify", descreve Raquel.

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O trio trabalhando junto a músicos e produtores, logo no início (Foto: Arquivo pessoal)

Uma das estratégias mais recentes tem relação com a dupla Zé Neto & Cristiano. Foram trabalhadas três músicas de um álbum da dupla com o jogador de futebol Alex Telles, do Botafogo. entre outros apoiadores.

As mulheres também orgulham-se de terem feito a estratégia de divulgação do álbum "José & Durval" de Chitãozinho & Xororó, que conquistaram o 7º Grammy Latino em 2025.

O trio presta serviços majoritariamente para artistas de outros estados, mas pretende continuar morando e trabalhando em Mato Grosso do Sul. Segundo elas, em nada essa localização atrapalha e é possível fazer quase tudo a distância.

Novos rumos

Lia, Lorrayne e Raquel vão começar a explorar a parte do ensino, conduzindo passos de artistas iniciantes e seus gestores para obter maior visibilidade e fazer seus primeiros lançamentos. O produto vai se chamar Music Plan.

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Empresárias mostram painel com logomarca da empresa e assinaturas de clientes (Foto: Osmar Veiga)

A estreia será nesta quinta-feira (16). "Vai ajudar muito o artista independente a entender quais são as três fases de um lançamento. Vamos abrir todo nosso método, compartilhar nossa experiência de mais de 15 anos no mercado musical", explica Raquel.

Outro projeto é seguir a tendência do offline. As pessoas querem viver mais experiências fora da rede e o mercado criativo começa a se voltar mais para isso, aumentando a quantidade e variedade de cidades que recebem shows, por exemplo.

O trio quer ver mais mulheres e mais pessoas em geral explorando as oportunidades que a indústria musical oferece, e deixa a mensagem de que é possível.

"Ninguém aqui canta, ninguém toca e ninguém compõe. É possível, sim, viver de música hoje. Tem que se ver como marca e se profissionalizar", finaliza Raquel.

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