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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

28/08/2018 11:45

Clima tenso em fazenda invadida gera debate na Assembleia

Para Mara Caseiro, deputada do PSDB, houve truculência na invasão dos índios

Danielle Valentim e Leonardo Rocha
Após dois dias de operação, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar deixaram a fazenda Santa Maria. (Foto: Reprodução)Após dois dias de operação, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar deixaram a fazenda Santa Maria. (Foto: Reprodução)

O clima tenso na fazenda Santa Maria, invadida por índios em Caarapó, a 283 km de Campo Grande, que teve operação do Batalhão de Choque nesta segunda-feira, foi tema de debate na Assembleia Legislativa nesta manhã de terça-feira. A base ruralista defendeu a ação da Polícia Militar e provocou reação de parlamentares.

O deputado Pedro Kemp (PT) afirmou não querer entrar "no mérito de quem tem direito ou não", mas pontuou a preocupação com relação ao conflito. Para o parlamentar, nesses casos, ao invés de situação de guerra, a comissão de gerenciamento de crise deveria ser chamada.

“Entre os índios tem muita criança e, por isso, achei truculenta a ação da policia ontem. Os militares usaram bombas e balas de borracha. Seria melhor um diálogo ou invés do confronto”, disse.

Kemp afirma que o conflito por terra é um assunto antigo e que a União não agiu para demarcar as terras indígenas. “Como a questão está no judiciário gera insatisfação dos índios, que tentam resolver por conta própria uma atitude. Essas ações da polícia são contra pessoas pobres e vulneráveis”, finalizou.

O deputado Cabo Almi (PT) afirma que faz parte da Comissão para Gerenciar Crises, mas não foi chamado para avaliar a situação de Caarapó. Sobre a ação dos policiais “Não acredito que foram truculentos sem uma reação. Se não tiver enfrentamento, a polícia tem uma ação tranquila. Só se houve reação do outro lado”, disse.

José Carlos Barbosa (DEM) afirmou que que a polícia tem de ser chamada. “Muitas casas foram invadidas e depredadas. As pessoas tem que entender que áreas rurais são como casas urbanas. A invasão é igual para ambas. Se trata de uma propriedade privada e precisa chamar a polícia”, disse.

 Produtor rural, o deputado Zé Teixeira (DEM), que inclusive tem propriedade em Caarapó, afirmou que há 17 anos lida com invasões. “A invasão dos índios é um desrespeito com a propriedade privada. Os índios colocaram fogo, roubaram geladeira e a Justiça, sim, tem que garantir o estado de direito”, disse.

Para Mara Caseiro, deputada do PSDB, houve truculência na invasão dos índios. “São pessoas que tiveram suas casas invadidas com muito móveis e itens quebrados. É um desrespeito com o produtor rural. Muitas pessoas enganam os índios dizendo eles têm direito”, disse.

A invasão – Localizada perto da estrada que liga Caarapó a Laguna Carapã, a fazenda Santa Maria foi invadida no domingo de manhã. Os funcionários afirmam que os índios chegaram gritando. Armados com flechas e pedaços de pau, eles teriam colocado fogo no pasto e fizeram alguns funcionários de reféns.

Policiais militares de Caarapó e de Dourados foram chamados e conseguiram libertar os reféns, mas os moradores não puderam retirar seus pertences. Em grupos de WhatsApp, uma funcionária reclamou que a PM não deixou que entrassem com uma caminhonete para retirar móveis, roupas e alimentos.

A chegada do helicóptero da PM e do Batalhão de Choque, ainda no domingo, provocou correria entre os índios. A situação ficou tensa quando os policiais, usando escudos, avançaram em direção ao grupo, como mostra o vídeo abaixo.

A Santa Maria é uma das fazendas reivindicadas pelos índios da aldeia Tey Kuê. Desde 2016, eles já ocuparam pelo menos 18 propriedades, entre fazendas e sítios.

 



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