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30/07/2014 19:08

Desnutrição contribuiu para morte de bovinos, diz Embrapa

Luciana Brazil
Iagro investiga mortes. Embrapa diz que desnutrição interferiu nas mortes. (Foto: Terezinha Silva)Iagro investiga mortes. Embrapa diz que desnutrição interferiu nas mortes. (Foto: Terezinha Silva)

A morte de aproximadamente mil bovinos, registrada no último fim de semana em fazendas de Coxim e no Pantanal, está, segundo profissionais da Embrapa ( Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), relacionada também com a desnutrição dos animais, além da falta de abrigo. Para o difusor de tecnologia da Embrapa Gado de Corte, Haroldo Pires de Queiroz, a queda na temperatura e a umidade em excesso agravaram a situação. O primeiro diagnóstico aponta a queda brusca na temperatura, nos dias 24 e 25 de julho, como a principal condição climática desfavorável. O número de mortos ainda está sendo contabilizado, mas o Sindicato Rural de Coxim (MS) acredita que possam ser mais de mil animais.

“Estudos técnicos comprovam que a hipotermia é causa de mortalidade quando bovinos mal nutridos, com pouca disponibilidade e qualidade de forragem e ausência de abrigo, são expostos a uma mudança climática brusca com queda de temperatura combinada com chuvas e ventos fortes”, explicou Haroldo.

Para o técnico da Embrapa, as mortes poderiam ser evitadas se boas práticas fossem adotadas por produtores rurais, a começar pela nutrição do rebanho e o acesso a abrigos.

A Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal ) está investigando a causa das mortes, mas a hipotermia é apontada como a principal suspeita. Os bovinos morreram em quatro propriedades rurais na região sul e nordeste de Mato Grosso do Sul.

Conforme a Embrapa, há 15 anos o Estado registra ocorrências de perda de gado, em média, a cada dois anos, envolvendo números consideráveis de animais mortos por hipotermia. Ainda segundo a entidade, os dois maiores surtos registrados em Mato Grosso do Sul são de 10 mil animais no ano de 2000 e de três mil em 2010.

Haroldo recomenda que os animais devem estar em um bom estado corporal na seca, o que se faz com um bom planejamento forrageiro. “O produtor tem que garantir volume de forragem para o período seco, ou seja, vedar pasto nas águas para usar na seca, o conhecido feno-em-pé, ou fazer feno de capim ou leguminosa”, ensina.

Além das pastagens, Haroldo diz que é preciso oferecer um mínimo de proteína junto com o pasto, uma mistura múltipla ou pelo menos sal mineral com ureia. Ele explica que essa dieta tem o objetivo de manter o animal em boa condição corporal e garantir a digestão dessa forragem de baixa qualidade, que se apresenta no período da seca. O técnico lembra também que o planejamento forrageiro deve ser feito no final do verão, entre os meses de fevereiro e março.

Outra dica é que todo piquete tenha acesso às áreas de proteção como pequenos bosques ou capões com no mínimo 40 metros de diâmetro. “O produtor deve se preocupar em vedar parte das pastagens de modo a garantir cinco toneladas de matéria seca em um hectare para cada animal que vai passar o período da seca – em torno de 5 meses”.

Para os animais que ficam em pasto raspado, com menos de uma tonelada de matéria seca por hectare, Haroldo diz que o risco de morte é ainda maior, já que o animal deita no frio, na umidade, sem nenhum isolante térmico, perdendo calor corporal. Haroldo afirma ainda que nessa época animais zebus e azebuados devem receber mais atenção, porque além de terem pele e pelos mais finos, eles possuem menor capacidade de produzir calor do que os animais de raça europeia ou cruzados com europeus.



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