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Educação e Tecnologia

Estudantes de MS trocam cartões-postais com delegados internacionais da COP15

Mais de 1,7 mil alunos escreveram mensagens que serão respondidas por representantes de 130 países

Por Mylena Fraiha | 21/03/2026 13:38
Estudantes de MS trocam cartões-postais com delegados internacionais da COP15
Estudantes da rede municipal mostram cartões-postais que foram feitos para entregar a delegados internacionais da COP15 (Foto: Arquivo pessoal).

Em tempos de mensagens instantâneas, emojis e telas, o cartão-postal, objeto que muita gente hoje considera antiguidade, será ponte entre culturas, gerações e países durante a COP15 (15ª Conferência das Partes sobre Espécies Migratórias), que será sediada em Campo Grande e começa na segunda-feira (23). Mais de 2 mil cartões-postais escritos à mão por estudantes da educação básica de Mato Grosso do Sul serão entregues a delegados de cerca de 130 países que participam do evento.

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Estudantes de Mato Grosso do Sul produziram mais de 2 mil cartões-postais para delegados internacionais da COP15, conferência sobre espécies migratórias que acontece em Campo Grande. A iniciativa, coordenada pelo professor Dr. Ivo Leite da UFMS, envolveu alunos do ensino fundamental de escolas municipais e estaduais. Os cartões, ilustrados com espécies migratórias como a onça-pintada e o flamingo-andino, contêm mensagens de boas-vindas escritas em diversos idiomas. Os delegados de aproximadamente 130 países terão a oportunidade de responder às mensagens, estabelecendo uma ponte cultural entre diferentes nações.

Nos cartões, que foram produzidos especialmente para a ação, cerca de 1.700 crianças e adolescentes escrevem mensagens de boas-vindas, curiosidades e convites para conhecer Campo Grande. Do outro lado, delegados do mundo inteiro poderão responder e enviar os cartões de volta para as escolas.

A iniciativa é coordenada pelo professor Dr. Ivo Leite, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e envolve estudantes universitários dos grupos PET (Programa de Educação Tutorial )Química e Arandú – Tecnologias e Ensino de Ciência. Ao todo, cerca de 32 acadêmicos participaram da ação, que precisou ser organizada em poucos dias.

Estudantes de MS trocam cartões-postais com delegados internacionais da COP15
Mensagem escrita por estudante da Capital (Foto: Arquivo pessoal).

Ao Campo Grande News, o professor Ivo explica que, para dar conta do prazo, foi quase uma força-tarefa. Os universitários foram divididos para visitar as escolas, praticamente um graduando por sala de aula, orientando os estudantes sobre como escrever para alguém de outro país. As crianças primeiro fizeram rascunhos em papel e depois passaram as mensagens para os cartões-postais.

Participaram alunos do 4º e 5º anos do ensino fundamental, além de estudantes do 9º ano, de escolas municipais de Campo Grande, escolas estaduais de Jaraguari e Terenos e também da comunidade quilombola Furnas do Dionísio.

Os cartões foram produzidos com imagens de espécies migratórias, como a onça-pintada, o flamingo-andino e a borboleta-monarca, e divididos em 10 modelos diferentes, com tiragem de 200 unidades de cada. As ilustrações foram criadas pela egressa do curso de Audiovisual da UFMS, Julianne Borges Silva de Souza.

Estudantes de MS trocam cartões-postais com delegados internacionais da COP15
Elaborado pela artista Julianne Borges Silva de Souza, a onça-pintada é um dos animais que estampam o cartão-postal feito para a COP15 (Imagem: Arquivo pessoal).

De acordo com Ivo, durante a triagem dos cartões, as mensagens surpreenderam pela diversidade, até mesmo na língua. Houve cartões em inglês, chinês e até búlgaro, além das mensagens em português. “As mensagens eram de apresentação para um delegado de um país estrangeiro, dando boas-vindas, convidando para conhecer Campo Grande ou fazendo alguma pergunta de curiosidade”, explicou.

Durante a COP15, os delegados poderão escolher alguns cartões e responder às mensagens. Haverá pontos onde eles poderão escrever as respostas, que serão enviadas para as escolas participantes.

“O delegado vai saber dessa história, vai escolher um, dois ou três postais. Lá também vai ter cartões-postais em branco para que ele possa responder para a escola. Se tiver o nome do aluno, ele pode responder diretamente, mas também pode levar o postal para a cidade ou para o país dele e responder de lá para a escola, como uma mensagem para os alunos como um todo”, explica Ivo.

Segundo Ivo, a expectativa não é receber resposta de todos, mas provocar a conexão dos estudantes com o debate global. “Mesmo sendo uma amostragem pequena dentro do universo de estudantes, o efeito foi muito importante. Eu cheguei à conclusão de que grandes mudanças começam com pequenas ações. Se tivermos resposta de 100 delegados, já vai ser uma grande provocação para as escolas”, afirma o professor.

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