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Saúde e Bem-Estar

Anvisa aprova novo medicamento contínuo para pacientes com Parkinson avançado

Novo remédio é indicado para quem sofre com fortes flutuações de sintomas e já não responde bem a tratamentos

Por Ângela Kempfer | 25/05/2026 09:37
Anvisa aprova novo medicamento contínuo para pacientes com Parkinson avançado
O Vyalev é uma solução injetável à base de foslevodopa e foscarbidopa, administrada por meio de uma infusão subcutânea contínua, 24 horas por dia (Foto: Divulgação)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, nesta segunda‑feira (2), o registro de um novo medicamento para pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado. Chamado de Vyalev, o remédio chega como uma alternativa para quem enfrenta flutuações motoras graves e já não consegue controlar bem os sintomas apenas com comprimidos.

RESUMO

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A Anvisa aprovou nesta segunda-feira (2) o Vyalev, novo medicamento para pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado. O remédio é administrado por infusão subcutânea contínua, 24 horas por dia, por meio de uma bomba ligada à pele. Indicado para quem já esgotou opções convencionais, o Vyalev busca reduzir oscilações de sintomas motores. A aprovação abre caminho para o uso em hospitais especializados, sem garantia imediata de incorporação ao SUS.

O Vyalev é uma solução injetável à base de foslevodopa e foscarbidopa, administrada por meio de uma infusão subcutânea contínua, 24 horas por dia. Em vez de tomar comprimidos que entram e saem rápido do corpo, o paciente recebe o medicamento de forma constante, por meio de uma pequena bomba ligada à pele, geralmente no abdômen ou na cintura.

No Parkinson, há uma perda progressiva das células cerebrais que produzem dopamina, um “mensageiro químico” essencial para o controle dos movimentos. Quando a dopamina diminui, surgem tremores, rigidez, lentidão e dificuldade para caminhar e fazer tarefas simples do dia a dia.

O Vyalev age justamente para compensar essa falta de dopamina: a foslevodopa é transformada em levodopa, que chega ao cérebro e vira dopamina, melhorando os movimentos. Já a foscarbidopa ajuda evitando que a levodopa seja “gasta” antes de chegar ao cérebro, tornando o efeito mais eficiente e reduzindo enjoo e outros efeitos estomacais.

Por ser aplicado de forma contínua, o medicamento busca diminuir as variações bruscas de sintomas: aqueles momentos em que o remédio “funciona bem” e depois, de repente, o corpo volta a ficar lento, rígido ou com tremor.

A aprovação da Anvisa é voltada para pacientes adultos com Parkinson avançado, que já usam medicamentos de forma intensa, mas ainda enfrentam: muitos períodos “off”: quando o remédio não está funcionando e os sintomas motores voltam com força; movimentos anormais involuntários (dyskinesias), que aparecem como contorções ou “bailinhos” provocados pelo excesso de efeito da medicação; falta de resposta adequada aos esquemas orais habituais, mesmo com doses ajustadas ao máximo que o paciente tolera.

Em resumo, o Vyalev chega para quem já esgotou praticamente todas as opções de comprimidos comuns, mas ainda sofre com interrupções diárias intensas na mobilidade e na qualidade de vida.

Como é o uso na prática?

O medicamento é usado por meio de um sistema de bomba e cateter, implantado de forma subcutânea (sob a pele). O paciente recebe treinamento e acompanhamento de uma equipe médica especializada, que ajusta o fluxo do remédio conforme a necessidade de cada caso.

Apesar de ser menos invasivo que alguns procedimentos que envolvem o intestino, o Vyalev exige:

  • Cuidados diários com o local de aplicação.

  • Monitoramento regular para evitar infecções, quedas de pressão ou alterações comportamentais.

  • Acompanhamento por neurologista, enfermeiro e fisioterapeuta, em geral em centros de referência.

A liberação pela Anvisa abre caminho para que o Vyalev seja oferecido no país, inicialmente em hospitais e serviços especializados. Ainda não há, neste momento, garantia de que será imediatamente incorporado ao SUS ou que o acesso será amplo, mas a aprovação é um passo importante para que pacientes com Parkinson avançado tenham mais uma opção de tratamento contínuo, que pode reduzir as oscilações de sintomas e melhorar a funcionalidade no dia a dia.