Gaeco e Segurança Pública se calam sobre ordem de prisão para Neno Razuk
Justiça decretou medida após político perder mandato na Assembleia Legislativa
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e a Segurança Pública se calaram sobre a decretação da prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk.
RESUMO
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O Gaeco e a Segurança Pública não responderam sobre a prisão decretada contra o ex-deputado Neno Razuk (PL), condenado a 15 anos por organização criminosa, roubo e jogo do bicho. A defesa afirma não ter acesso ao decreto prisional. Alvo da Operação Successione desde 2023, Neno perdeu o mandato em maio e, com ele, o foro privilegiado. Seu pai e dois irmãos foram presos em novembro de 2025 na quarta fase da operação.
O ex-parlamentar tem endereço em Campo Grande, no Residencial Damha III, apesar da família ser de Dourados, onde mãe e pai de Neno vivem. Também não há informações se ele está em Mato Grosso do Sul.
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Desde ontem (dia 8), o Campo Grande News questiona quem vai cumprir a ordem de prisão e se o ex-deputado já é considerado foragido. A resposta foi o silêncio. A reportagem enviou os questionamentos para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ao qual o Gaeco é vinculado, à Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), Polícia Civil e Polícia Militar.
O Gaeco tem uma força policial própria e, nesses casos, costuma cumprir as ordens de prisão. Mas nem em Dourados, nem em Campo Grande há qualquer informação sobre tentativa de prender Neno.
Apenas a Polícia Civil de Dourados falou sobre o caso, informando que "como a investigação é do Gaeco, estamos a disposição caso seja necessário apoio. Mas está a cargo do Gaeco o cumprimento".
A defesa disse nesta quinta-feira (dia 9) que chegou a ir pessoalmente ao Gaeco, mas ainda não há informações sobre o pedido e a decretação da prisão. “A defesa ainda não teve acesso nem ao pedido, nem ao decreto prisional nos autos do processo. A gente continua aguardando para definir quais medidas serão tomadas ou para fazer qualquer declaração a respeito”, diz o advogado Roberto Razuk Neto, filho do ex-deputado.
Alvo de fases da Operação Successione desde dezembro de 2023, Neno Razuk já foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, mas recorria em liberdade.
Em maio, após recontagem de votos pela Justiça Eleitoral, Neno perdeu a cadeira na Assembleia Legislativa. Sem o cargo, ele deixou de ter as proteções institucionais de deputado estadual. Dentre elas, o foro por prerrogativa de função, quando determinadas autoridades são julgadas diretamente por tribunais em casos ligados ao exercício do cargo.
Além da condenação, o ex-deputado estadual é réu na quarta fase da Successione, que foi realizada em 25 de novembro de 2025. A ação prendeu Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O primeiro é o pai de Neno, enquanto os outros dois são irmãos.
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o trio forma o núcleo duro da organização
A Successione investiga os crimes de organização criminosa, roubo, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal de estabelecimento e exploração de jogos de azar.
Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro. Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
A primeira fase da operação foi deflagrada pelo Gaeco em 5 de dezembro de 2023, após disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande. O ex-deputado estadual sempre negou envolvimento com o crime.
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