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Saúde e Bem-Estar

Anvisa proíbe entrada de mais um emeagrecedor paraguaio no Brasil

Produto usa tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e tinha registro no Paraguai, mas não no Brasil

Por Ângela Kempfer | 16/09/2026 09:59
Anvisa proíbe entrada de mais um emeagrecedor paraguaio no Brasil
Embalagem das ampolas comercializadas no Paraguai (foto: divulgação)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu nesta quarta-feira (16) a entrada e a circulação no Brasil da T36, mais uma caneta emagrecedora fabricada no Paraguai e comercializada como medicamento à base de tirzepatida, mesmo princípio ativo utilizado no Mounjaro.

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A Anvisa proibiu a entrada e circulação no Brasil da T36, caneta emagrecedora paraguaia à base de tirzepatida, mesmo princípio ativo do Mounjaro. A medida abrange importação, armazenamento, distribuição e comercialização do produto, que não possui registro na agência brasileira. A T36 é fabricada pelo laboratório Catedral, do Paraguai, e se junta a outros produtos já proibidos, como Tirzedral, TG e Lipoless.

A determinação alcança importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso do produto. Embora tenha autorização sanitária no Paraguai, a T36 não possui registro na Anvisa, exigência para que um medicamento possa ser comercializado regularmente no Brasil.

A caneta é produzida pelo laboratório paraguaio Catedral, responsável também pela Tirzedral, outro produto à base de tirzepatida que já havia sido alvo de proibição da agência brasileira. Até agora, porém, a T36 não aparecia nominalmente entre os produtos atingidos pelas medidas anteriores.

No Paraguai, a T36 recebeu registro da Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária) em junho deste ano, com validade até abril de 2031. O medicamento é vendido em frascos multidose de 2,4 ml, em concentrações que vão de 2,5 mg a 15 mg.

Conforme o registro paraguaio, a indicação é para tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso de adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde. A autorização no país vizinho, entretanto, não tem validade automática no Brasil. Para ser comercializado aqui, o produto precisa passar pela avaliação própria da Anvisa.

A tirzepatida presente nesses produtos também é o princípio ativo do Mounjaro, fabricado pela farmacêutica Eli Lilly. Atualmente, ele é o medicamento com essa substância autorizado a circular regularmente no mercado brasileiro.

Análises feitas anteriormente pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em amostras de tirzepatidas paraguaias, entre elas a Tirzedral, identificaram o mesmo princípio ativo encontrado no Mounjaro. O resultado, contudo, não significa que os medicamentos sejam equivalentes.

Os testes não verificaram fatores como presença de impurezas e contaminantes, eficácia ou segurança dos produtos. A avaliação da equivalência de um medicamento também envolve condições de fabricação, armazenamento e transporte, além do comportamento da substância no organismo.

Outro ponto levantado sobre a T36 está nas informações técnicas apresentadas para seu registro no Paraguai. O documento cita resultados de estudos, mas não fornece dados suficientes para identificar as pesquisas originais, como responsáveis, instituições, registros ou publicações científicas. Com isso, não é possível verificar apenas a partir do documento se os resultados apresentados foram obtidos especificamente com a formulação paraguaia.

A proibição coloca a T36 no grupo de produtos paraguaios à base de tirzepatida que já receberam medidas restritivas da Anvisa. Entre eles estão TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex, Tirzec e Tirzedral.

Em agosto, as autoridades sanitárias de Brasil e Paraguai assinaram um acordo para ampliar a troca de informações e o combate à circulação irregular de produtos. A cooperação inclui compartilhamento de dados sobre fabricação, ensaios clínicos, alertas sanitários, apreensões e investigações relacionadas à comercialização de medicamentos.

*com informações da Folha de São Paulo