Em meio a alerta sobre polilaminina, pacientes de MS relatam evolução
Após novas imposições da Anvisa no uso compassivo, submetidos ao procedimento no Estado apontam leves melhoras
Apesar das novas condicionantes impostas ao uso compassivo da substância polilaminina pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pacientes de Mato Grosso do Sul relatam leves melhoras após aplicação da substância experimental, ainda que longe de uma recuperação significativa.
RESUMO
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A Anvisa tornou mais rígidos os critérios do uso compassivo da polilaminina, igualando-os aos do estudo clínico, após a morte de nove pacientes entre 119 aplicações relatadas pelo laboratório Cristália. Em Mato Grosso do Sul, três pacientes relatam melhoras leves, como ganho de força até a coxa, retorno de sensibilidade e movimentos ocasionais dos pés, associadas à fisioterapia. A recuperação, porém, segue distante do esperado.
Na última quinta-feira (22), a Anvisa adequou os critérios do uso compassivo da polilaminina aos do estudo clínico, mais rígidos, após nova avaliação de risco-benefício, feita em setembro. A reavaliação se deu após a morte de 9 pacientes que receberam a polilaminina em uso compassivo, destinado aos pacientes em estado grave sem alternativas terapêuticas e fora de pesquisas clínicas.
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Segundo a agência, o laboratório Cristália, responsável pelos estudos com a polilaminina, relatou 119 aplicações e nove mortes. No entanto, nenhuma das aplicações teria sido feita dentro dos critérios do estudo clínico com a substância, que foi aprovada pela Anvisa no início deste ano.
“Até o momento, a empresa não comunicou início da aplicação em estudo clínico. O uso compassivo continua permitido. Mas de fato houve uma mudança a partir do relato dos óbitos, e da avaliação de um painel de especialistas”, informou a agência ao Campo Grande News.

Pacientes em MS – Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, foi a primeira pessoa de Mato Grosso do Sul a fazer a cirurgia experimental com a polilaminina. Após nove meses da aplicação e com fisioterapia constante, ele notou evoluções após ser reavaliado por médicos da equipe de pesquisa da cientista Tatiana Sampaio, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
"Foi constatado, na última visita, que tenho contrações voluntárias na região pélvica. Hoje consigo me transferir da cama para a cadeira, da cadeira para o carro, já consigo comer sozinho, escovar meus dentes, fazer minha barba e, com um auxílio para segurar meu joelho, já consigo me levantar no andador", relata.
Apesar de ainda não ter recobrado a sensibilidade, Luiz entende que a reabilitação é um processo gradativo.
"Ainda não tenho sensibilidade e nem movimentos voluntários nas pernas, mas temos consciência de que é um tratamento longo. Tenho o apoio da minha família e temos certeza de que evoluiremos muito mais", completa.

Já Dhyego Paredes, de 35 anos, recebeu a aplicação no dia 25 de março, no Hospital Proncor. Acompanhado pelo laboratório Cristália, ele também passou por reavaliação médica vinda do Rio de Janeiro e atribui seus avanços ao procedimento combinado à reabilitação.
“Estou tendo evolução devagar, mas cada vez um pouco melhor. Fiz uma avaliação com médico do RJ e ele conseguiu ver que estou ganhando força, que já chegou até a coxa, graças a Deus. Então estou firme nas fisioterapias e com fé”, afirma.
Com seis meses desde a cirurgia, Dhyego reforça a confiança na substância. “Acredito que sim, que essa evolução seja pela aplicação. O médico fez alguns testes e exames para ver e eu evoluí, tá chegando força até a coxa, onde eu não tinha. Ou seja, estou tendo contração até a coxa”.
Outro paciente operado em Campo Grande, Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, relata pequenas alterações de sensibilidade. “Tenho alguma sensibilidade meio longe, mas tenho. Sinto um pouco de pressão”, conta.
Segundo ele, os médicos indicaram que o quadro atende às expectativas: “Sim, é esperado com o tempo e com as fisioterapias”.

No caso de Maria José Gonçalves, de 64 anos, os avanços são tímidos e acompanhados de perto pela filha, Rosimeire Gonçalves Rocha. Ela conta que a mãe apresenta boa saúde geral, mas que as evoluções após a aplicação foram pouco significativas.
“Minha mãe está bem de saúde, fazendo fisioterapias, mas a evolução é bem pouca, pois as sessões são em casa, sem aparelho. Nos exames está tudo certo. As evoluções ainda são pequenas, tipo sensibilidade que voltou, às vezes mexe os pés”, explica Rosimeire.
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