IA responde sobre saúde mental, mas não pode fechar diagnóstico, alerta médico
Psiquiatra aponta 5 cuidados ao usar a tecnologia para esclarecer sintomas e dúvidas sobre tratamentos

Ansiedade, noites mal dormidas e dificuldade de concentração podem levar muita gente a buscar respostas na IA (inteligência artificial). A ferramenta responde em segundos, mas não tem condições de avaliar toda a história de quem está do outro lado da tela. Por isso, uma explicação convincente não deve ser tratada como diagnóstico.
RESUMO
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Médico alerta que a inteligência artificial pode ajudar a entender informações e preparar perguntas para consultas, mas não substitui a avaliação profissional em saúde mental. Segundo Carlos Renato Periotto, da Afya, é preciso evitar diagnósticos por conta própria, desconfiar de respostas aparentemente convincentes, não alterar medicação sem acompanhamento e proteger dados pessoais. Pesquisa mostra que 49% dos brasileiros usam IA para saúde. Em casos graves, deve-se buscar atendimento imediato.
O alerta é do médico Carlos Renato Periotto, professor da pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica Campo Grande. Segundo ele, a tecnologia pode ajudar a entender informações e preparar perguntas para uma consulta, mas não substitui a avaliação profissional.
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“Na saúde mental, sintomas como ansiedade, insônia, tristeza, irritabilidade ou dificuldade de concentração podem aparecer em diferentes transtornos e também em situações normais da vida. Para chegar a um diagnóstico, é necessário considerar o contexto, a história clínica e outros aspectos que uma ferramenta de inteligência artificial não consegue avaliar da mesma forma que um profissional”, explica.
Uma pesquisa do Research & Innovation Center, núcleo de pesquisa da Afya, em parceria com a empresa de tecnologia em saúde Conexa, mostra que 79% dos brasileiros entrevistados já utilizam inteligência artificial no dia a dia. Já 49% recorrem à tecnologia para questões relacionadas à saúde.
Entre os que usam a ferramenta para esse fim, 66% buscam esclarecer dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos, e 49% procuram informações sobre medicamentos. Carlos aponta cinco cuidados para quem recorre à IA em busca de respostas sobre saúde mental.
1. Não transforme a resposta em diagnóstico
Digitar uma lista de sintomas e receber o nome de um transtorno não significa que a pessoa tenha aquela condição. Ansiedade, tristeza, irritabilidade e dificuldade para dormir podem ter causas diferentes ou estar ligadas a situações passageiras.
A avaliação precisa considerar o histórico do paciente, a duração dos sintomas e o contexto em que aparecem. A ferramenta pode ajudar a organizar o que será relatado na consulta, mas não deve servir para confirmar ou descartar uma doença.
2. Desconfie mesmo quando a explicação parece boa
Um texto organizado e escrito com segurança pode conter erros ou deixar informações importantes de fora. A aparência da resposta não garante sua precisão.
“É importante lembrar que como uma informação é apresentada não garante que ela esteja correta. Quando a dúvida envolve saúde, principalmente se puder influenciar uma decisão, a recomendação é confirmar a informação em fontes confiáveis ou conversar com um profissional”, orienta o médico.
3. Não mude a medicação por conta própria
Buscar informações sobre um remédio pode ajudar a entender o tratamento e preparar perguntas. Iniciar, interromper ou alterar a dose, porém, exige acompanhamento profissional.
Segundo Periotto, antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores do humor e outros medicamentos têm indicações, efeitos colaterais, interações e formas específicas de uso. Uma resposta da IA não basta para decidir sobre mudanças no tratamento.
4. Preserve suas informações pessoais
Uma pergunta geral sobre sintomas ou tratamentos não exige nome completo, documentos, endereço ou telefone.
O cuidado também vale para relatos detalhados sobre a própria vida e informações de outras pessoas. A orientação é evitar compartilhar dados que permitam identificar alguém e limitar a exposição de informações privadas.
5. Use a ferramenta para se informar e procure atendimento quando necessário
A IA pode explicar termos médicos, organizar dúvidas e ajudar na preparação para uma consulta. Mesmo com a adoção da tecnologia, o levantamento aponta que 67% dos pacientes preferem conversar diretamente com um médico e 56% não confiariam em uma consulta inteiramente conduzida por inteligência artificial.
Em situações de sofrimento intenso, risco de suicídio, confusão, agitação grave ou dificuldade significativa para realizar atividades do dia a dia, a orientação do médico é buscar avaliação profissional e, quando necessário, atendimento imediato.
“Ela pode ser uma ferramenta complementar para informação e educação em saúde, mas não deve ocupar o lugar do cuidado profissional. Quando existe sofrimento importante ou uma situação que exige uma decisão clínica, é fundamental procurar ajuda adequada”, termina Periotto.
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