Mãe procura academia para ajudar bebê convulsionando e descobre Influenza A
Após suspeita inicial de engasgo, diagnóstico revelou que as crises estavam ligadas à gripe
O diagnóstico de influenza A em um bebê de 10 meses, após episódios de convulsão registrados nesta semana em Campo Grande, acende um alerta para pais e responsáveis. Embora a infecção seja mais conhecida por causar febre, tosse e sintomas respiratórios, o vírus também pode desencadear crises convulsivas em crianças, especialmente nos primeiros anos de vida.
RESUMO
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Um bebê de 10 meses foi diagnosticado com influenza A após apresentar convulsões em Campo Grande. A mãe, Ketrily Harada, buscou socorro em uma academia após o filho convulsionar, onde funcionários prestaram os primeiros atendimentos. O pediatra Alberto Costa alerta que convulsões febris são comuns em crianças pequenas e podem estar associadas à gripe, nem sempre se manifestando com tremores. O bebê já responde ao tratamento.
O caso aconteceu na madrugada desta segunda-feira (13). A mãe, Ketrily Harada, de 36 anos, acreditou inicialmente que o filho estava engasgado e tentou realizar a manobra de desobstrução das vias aéreas em casa. Sem sucesso, saiu em busca de ajuda e encontrou uma academia aberta na Rua Rui Barbosa, no Jardim Paulista, onde funcionários prestaram os primeiros socorros.
Horas depois, porém, um novo episódio levou a família a procurar atendimento pediátrico. Testes rápidos confirmaram que o bebê estava com influenza A. A avaliação da neuropediatra levantou a hipótese de que a convulsão estivesse relacionada à infecção viral.
Segundo a mãe, o filho não apresentava sintomas típicos da gripe até então, e por isso não tinha marcado consulta com o médico. No domingo (12) à noite, ele estava "quentinho", mas estava bem. Já na segunda-feira de manhã cedo, o episódio da convulsão aconteceu. Ketrily explica que o filho foi atendido na Santa Casa, mas recebeu alta porque até então acreditavam que tinha sido um engasgo.
No entanto, uma hora depois do atendimento, a febre começou e um novo quadro de convulsão aconteceu e a família procurou a pediatra, que solicitou testes rápidos e confirmou a infecção por influenza A.
"A convulsão dele não é a que se treme tudo, é uma convulsão chamada 'crise de ausência', porém a dele foi mais longa. A médica levantou essa questão também. Até 48 horas depois da febre a criança ainda pode convulsionar. Nós percebemos que ele estava um pouco quentinho, mas não a ponto de ser uma febre, por volta das 20h do domingo", afirmou a mãe.
De acordo com o pediatra Alberto Costa, a convulsão febril é a forma mais comum de crise convulsiva nos primeiros cinco a seis anos de vida, e pode estar associada à influenza A, principalmente pela febre que o quadro infeccioso apresenta. O médico ressalta também que nem toda convulsão ocorre com tremores intensos pelo corpo, o que pode dificultar o reconhecimento pelos familiares.
"A convulsão geralmente é um quadro que exige bastante atenção e uma decisão rápida, porque é sempre uma urgência médica. Se for uma convulsão demorada, ela pode causar inclusive sequelas. A criança pode apresentar movimentos anormais, desvios dos olhos, travamento da boca, tremores, com perda de consciência. Às vezes ela pode vir como ausência, como se a criança tivesse desligada de tudo, olhando para o vazio. Também pode ser um equivalente de convulsão e merece sempre um tratamento rápido."
Por isso, o pediatra orienta que qualquer sinal sugestivo de crise convulsiva deve motivar atendimento imediato.
"Quando os pais observam qualquer movimento sugestivo de convulsão, já devem levar essa criança prontamente a um pronto atendimento médico, porque a decisão e o tratamento devem ser rápidos."
Atendimento rápido - O primeiro atendimento ao bebê foi feito pelo professor da academia Evoque, Eduardo Nogueira, de 25 anos, que estava abrindo a academia quando ouviu os pedidos de socorro.
"Por volta das 5h42 ouvi uns gritos. Quando olhei, vi a mãe entrando com o bebê e ela apenas disse que ele estava engasgado e que havia tentado realizar a manobra de desengasgo sozinha. Na hora eu não pensei muito, foi instintivo. Eu já sabia como agir", contou.
Com auxílio do professor Bruno, Eduardo realizou a manobra enquanto verificava se havia obstrução das vias aéreas, e o bebê voltou a respirar normalmente. Depois do atendimento, ele acompanhou a mãe até a residência da família e aguardou a chegada do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
"Quando eu vi que estava tudo bem com ele, voltei para a academia com o coração aliviado por ter salvo uma vida. Foi a primeira situação que aconteceu comigo nesse sentido. A felicidade e a alegria de ter dado tudo certo foram um alívio. Como pai, foi algo que mexeu muito comigo. Jamais imaginei que um procedimento simples, aprendido em um treinamento bem estruturado, pudesse resultar nisso um dia”, destacou.
Na terça-feira (14), o bebê passou a apresentar sintomas respiratórios mais característicos da gripe, mas nesta quinta-feira (16), já está respondendo ao tratamento medicamentoso.
"É tudo novo no organismo do bebê, por isso cada criança reage de uma forma ao contato com o vírus", explicou.
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