Ministério anuncia acordo para levar medicamento injetável contra HIV ao SUS
Medicamento é aplicado a cada dois meses, mas incorporação ainda depende de análise

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (27) um acordo para a compra do cabotegravir, medicamento injetável utilizado na prevenção contra o HIV. A expectativa do governo federal é oferecer a nova modalidade de PrEP (profilaxia pré-exposição) pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ainda em 2026.
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O Ministério da Saúde anunciou a compra do cabotegravir, injeção preventiva contra o HIV aplicada a cada dois meses, com previsão de oferta pelo SUS em 2026, após avaliação da Conitec. O medicamento, aprovado pela Anvisa em 2023, custa cerca de R$ 4 mil na rede privada. O governo negocia preços compatíveis com países como Indonésia e Tailândia, onde custa US$ 40 por dose. Em 2024, o Brasil registrou a maior redução histórica na mortalidade por Aids, com menos de 10 mil mortes anuais.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo a Folha de São Paulo, antes de chegar à rede pública, porém, o medicamento precisará ser avaliado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde).
Segundo o ministro, a proposta deve ser encaminhada à comissão na próxima semana. A quantidade inicial de doses e o valor definitivo da compra ainda estão em negociação com a ViiV Healthcare, fabricante do produto e empresa controlada majoritariamente pela farmacêutica GSK.
O cabotegravir é aplicado a cada dois meses. Atualmente, a prevenção oferecida pelo SUS é feita principalmente por comprimidos que precisam ser tomados diariamente. A versão injetável pode facilitar a adesão ao tratamento, especialmente entre pessoas que encontram dificuldade para manter o uso contínuo da medicação oral.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso do cabotegravir no Brasil em 2023. O medicamento começou a ser comercializado na rede privada em agosto de 2025, com preço de tabela de aproximadamente R$ 4 mil.
Padilha não confirmou o preço negociado para o SUS. Nos bastidores da conferência, foi mencionado um possível custo de US$ 400 por dose. O ministro afirmou que o governo não pretende aceitar valores muito superiores aos cobrados de países como Indonésia e Tailândia, onde o produto é oferecido por cerca de US$ 40.
De acordo com ele, a intenção é ampliar o acesso à tecnologia sem comprometer uma parcela desproporcional do orçamento da saúde pública.
Queda nas mortes por Aids
Durante o evento, o ministro também apresentou dados sobre a epidemia no Brasil. Segundo Padilha, o País registrou em 2024 a maior redução histórica na taxa de mortalidade por Aids. Pela primeira vez, o total anual ficou abaixo de 10 mil mortes.
O resultado foi associado à ampliação da oferta de PrEP e ao aumento da testagem rápida. Nos últimos três anos, a distribuição dos medicamentos preventivos pelo SUS cresceu 150%, enquanto a realização de testes rápidos dobrou.
Atualmente, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV começam o tratamento no mesmo dia da confirmação. Mais da metade inicia o uso dos medicamentos antirretrovirais em até 30 dias.
Padilha afirmou que o enfrentamento à epidemia ainda esbarra no preconceito contra pessoas que vivem com HIV, na circulação de informações falsas e no alto custo das novas tecnologias.
Governo negocia outras opções
O Ministério da Saúde também negocia o acesso ao lenacapavir, medicamento preventivo de aplicação semestral produzido pela farmacêutica Gilead e aprovado pela Anvisa em janeiro deste ano.
Segundo Padilha, a empresa não aceitou oferecer o produto ao sistema público brasileiro pelo valor considerado viável pelo governo. O ministro afirmou que as conversas continuarão, mas descartou comprometer recursos do SUS com preços classificados como incompatíveis com o orçamento público.
Outra parceria deve ser assinada nesta terça-feira (28). A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a farmacêutica MSD devem acompanhar o desenvolvimento do MK-8527, uma PrEP oral de ação prolongada que ainda está em fase de estudos clínicos.
O Brasil participa das pesquisas com o medicamento, mas ficou fora de um acordo internacional que permitirá a produção de versões genéricas em alguns países. O governo brasileiro pretende negociar diretamente com a fabricante e avaliar, futuramente, uma parceria para produção nacional.
O anúncio ocorreu durante a primeira edição da Conferência Internacional de Aids realizada na América do Sul. Participaram da coletiva Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), e Jarbas Barbosa, diretor da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
Tedros afirmou que as novas infecções por HIV caíram 42% no mundo desde 2010. As mortes relacionadas à Aids diminuíram 57% no mesmo período. Apesar dos avanços, ele alertou que a redução do financiamento internacional pode prejudicar programas de prevenção, diagnóstico e tratamento.

