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Saúde e Bem-Estar

Queimadura em festa junina exige água corrente e nada de improviso

Médico orienta primeiros socorros e alerta que receitas caseiras podem agravar lesões

Por Kamila Alcântara | 05/06/2026 13:33
Queimadura em festa junina exige água corrente e nada de improviso
Homem acende fogueira de São João (Foto: Divulgação)

Fogueiras, fogos de artifício, líquidos quentes e barracas de comida fazem parte do cenário das festas juninas, mas também aumentam o risco de acidentes com queimaduras. O alerta é maior para crianças, adolescentes e adultos que manuseiam rojões ou tentam acender fogueiras de forma improvisada.

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Nas festas juninas, fogueiras e fogos de artifício elevam o risco de queimaduras. Entre 2023 e 2024, cerca de 14 mil crianças foram internadas pelo SUS por esses acidentes. O médico Luiz Gustavo Orlandi orienta resfriar a área com água corrente por até 20 minutos e evitar soluções caseiras como manteiga e pasta de dente. Em caso de emergência, acione o SAMU pelo 192.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2023 e 2024, cerca de 14 mil crianças e adolescentes foram internados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em razão de acidentes com queimaduras. A média é de aproximadamente 20 internações por dia nessa faixa etária, com aumento da preocupação durante os festejos juninos.

Grande parte dos casos envolve queimaduras de segundo grau, que podem causar bolhas e atingir mãos, punhos, braços, tronco, rosto e olhos. Crianças estão entre as vítimas mais vulneráveis. Já entre os adultos, homens de 15 a 50 anos aparecem com frequência em acidentes ligados ao uso de fogos de artifício e ao manuseio inseguro de fogo.

O médico Luiz Gustavo Orlandi, diretor da Core Help, explica que os primeiros minutos após o acidente são decisivos para reduzir a gravidade da lesão. A primeira medida é afastar a vítima da fonte de calor, sem colocar outras pessoas em risco. Em seguida, a área atingida deve ser resfriada com água corrente limpa e fria, mas não gelada, por pelo menos cinco minutos. Quando possível, o ideal é manter o resfriamento por até 20 minutos.

“Esse é o cuidado inicial mais importante. A água corrente ajuda a reduzir a profundidade da queimadura, diminui a dor, reduz o risco de infecção e pode evitar complicações mais graves”, afirma Luiz.

A recomendação é resfriar apenas a área queimada. O restante do corpo deve ser protegido com toalha ou manta, principalmente em crianças e idosos, para evitar hipotermia. Depois disso, a lesão deve ser coberta com pano limpo e seco, sem apertar, até a avaliação médica, quando necessária.

Apesar de comuns, soluções caseiras não devem ser usadas em queimaduras. Manteiga, óleo de cozinha, pasta de dente, clara de ovo, pó de café, mel e pomadas sem prescrição podem agravar a lesão. Essas substâncias retêm calor, aumentam o risco de contaminação, dificultam a avaliação médica e atrasam o cuidado correto.

O gelo também não deve ser colocado diretamente sobre a pele queimada. Embora pareça aliviar a dor, pode causar nova lesão no tecido já machucado.

Outro erro comum é estourar bolhas. Quando estão íntegras, elas funcionam como proteção natural contra infecções e novos traumas. A retirada, quando necessária, deve ser feita por profissional de saúde.

Se a roupa ficar grudada na pele, a orientação é não puxar o tecido. O correto é cortar a peça ao redor da área aderida, manter o tecido no local, cobrir com material limpo e procurar atendimento.

Algumas queimaduras exigem avaliação imediata, mesmo quando parecem pequenas. É o caso de lesões no rosto, mãos, pés, genitais, grandes articulações ou áreas extensas do corpo. Também devem ser atendidas com urgência queimaduras causadas por choque elétrico, produtos químicos, explosões ou inalação de fumaça.

Tosse persistente, rouquidão, fuligem ao redor do nariz ou da boca e dificuldade para respirar são sinais de risco nas vias aéreas. Em acidentes com fogos de artifício, também é preciso observar possíveis lesões nos olhos, ouvidos e pulmões, além de traumas causados pela explosão.

As queimaduras de terceiro grau estão entre as mais graves. A pele pode ficar esbranquiçada, amarronzada, escurecida ou com aspecto semelhante a couro. Um sinal preocupante é a ausência de dor em uma lesão aparentemente séria, pois isso pode indicar destruição das terminações nervosas.

“Na dúvida, a recomendação é procurar atendimento. É sempre melhor avaliar e descartar gravidade do que subestimar uma lesão”, orienta o médico.

A prevenção começa antes da festa. Crianças devem ficar longe de fogueiras, brasas e fogos de artifício, sempre sob supervisão de adultos. Para os adultos, a recomendação é não usar álcool, querosene ou outros produtos inflamáveis para acender fogueiras, manter distância segura dos fogos e não deixar brasas sem vigilância.

“Queimadura não combina com receita caseira. A conduta inicial deve ser simples e segura: afastar a vítima do calor, resfriar a área com água corrente, cobrir com pano limpo e procurar atendimento quando houver sinais de gravidade”, resume Orlandi.

Em caso de emergência, o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pode ser acionado pelo telefone 192. O Corpo de Bombeiros atende pelo 193.