Vacina contra gripe permanece eficaz apesar de variações do vírus, aponta estudo
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 55,8% de cobertura entre os grupos prioritários
Mato Grosso do Sul fechou 2025 com predomínio do vírus influenza A(H1N1) entre os casos graves de gripe, cenário que acompanha o padrão identificado em estudo nacional coordenado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A pesquisa confirma que, apesar das variações genéticas do vírus, a vacina contra a gripe utilizada no período seguiu eficaz contra as principais cepas em circulação no país.
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Dados consolidados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) mostram que o Estado registrou 754 casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) por influenza em 2025, com o H1N1 respondendo pela maior parte das internações e também dos óbitos. Do total de mortes associadas à gripe, 128 foram causadas pelo H1N1, mais que o dobro dos registros ligados a outros subtipos do vírus.
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Esse comportamento é o mesmo observado no levantamento nacional da Fiocruz, que analisou a circulação do influenza entre agosto de 2024 e agosto de 2025 a partir de mais de 106 mil amostras coletadas em todo o Brasil. No país, o H1N1 concentrou cerca de 40% das infecções confirmadas e foi o principal agente associado aos casos graves e hospitalizações.
Em Mato Grosso do Sul, os dados da SES reforçam outro alerta presente no estudo: o maior impacto da influenza ocorre entre idosos. Mais de 78% das mortes por gripe no Estado em 2025 foram registradas em pessoas com 60 anos ou mais, com destaque para a faixa acima dos 80 anos, que concentrou quase um terço dos óbitos.
Segundo os pesquisadores, esse perfil não indica falha da vacina, mas sim maior vulnerabilidade clínica associada à idade e a doenças pré-existentes, além da baixa adesão à vacinação em parte dos grupos prioritários.
A análise conduzida pela Fiocruz mostra que, mesmo com a circulação simultânea de diferentes subtipos do vírus, como o influenza B (Victoria) e o A(H3N2), as cepas presentes na vacina conseguiram neutralizar os vírus em circulação.
O Estado encerrou 2025 com 55,8% de cobertura entre os grupos prioritários, enquanto Campo Grande registrou 54,7%, índices considerados insuficientes para reduzir de forma mais significativa o número de casos graves e internações.
Para a virologista Paola Resende, da Fiocruz, ampliar a vacinação é essencial para evitar que a gripe evolua para quadros mais graves. “Os dados mostram que a vacina funcionou, mas a proteção coletiva depende diretamente da adesão da população, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades”, destacou.
O estudo também identificou casos isolados de mutações genéticas que podem reduzir a resposta ao Oseltamivir, principal antiviral usado no SUS. Segundo os pesquisadores, os registros foram raros e não indicam disseminação, nem perda de eficácia do medicamento.
A SES reforça que o monitoramento da influenza é contínuo no Estado, por meio de unidades sentinelas e do sistema nacional de vigilância, que acompanham tanto casos leves quanto internações por SRAG.
Além de orientar a vacinação anual, a vigilância do influenza cumpre papel estratégico na detecção precoce de vírus com potencial epidêmico ou pandêmico. Durante o período analisado, foi registrado no Brasil um caso raro de influenza A(H3N2)v, associado à exposição a suínos, sem transmissão sustentada entre humanos.
Segundo os pesquisadores, a circulação simultânea de vírus em humanos e animais exige atenção constante, já que pode favorecer o surgimento de novas variantes. Nesse cenário, o acompanhamento genômico e epidemiológico fortalece a capacidade de resposta do país e dos estados, como Mato Grosso do Sul, diante de futuros surtos.
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