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Campo-grandense relata como é viajar de avião na pandemia

Por Paulo Nonato de Souza | 13/10/2020 08:12
Movimento foi grande no Aeroporto Internacional de Campo Grande no feriado de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Henrique Kawaminami)
Movimento foi grande no Aeroporto Internacional de Campo Grande no feriado de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Henrique Kawaminami)

A nossa vida mudou e muito com a pandemia de coronavírus, mas nem tanto quanto se imaginava. Nas viagens de avião, por exemplo, fora os cuidados que aprendemos a ter nos últimos sete meses, como o uso de máscaras e álcool em gel, o cenário neste momento é basicamente o mesmo de antes.

Depois de colocar o mundo em pânico, a pandemia já dá sinais de retração, mas viajar de avião ainda é um grande desafio, começando pela preocupação com o risco de contágio e pelos preços inacessíveis das passagens em função da malha aérea ter sido reduzida.

Na sexta-feira, 9, a campo-grandense Maria Cristina Santos, tributarista de 27 anos, encarou uma viagem para o Rio de Janeiro que, segundo ela, estava prevista para acontecer no mês de maio e por conta da pandemia foi transferida para agosto e depois remarcada para o feriado do Dia de Nossa Aparecida, nesta segunda-feira, 12.

Sem distanciamento - No seu relato ao Campo Grande News, Maria Cristina contou que foi surpreendida ao ver que, em sua primeira viagem de avião depois de sete meses, nada ou quase nada mudou. Ela disse que a tão falada regra do distanciamento social não é respeitada no saguão dos aeroportos e salas de embarque, e dentro do avião isso é algo impossível pela proximidade dos assentos.

“Os aeroportos estão movimentados, muita gente circulando como se a pandemia já tivesse passado. Nas filas de embarque não é obedecida a regra de distanciamento, continua igual, todos juntos e amontoados, e não teve medição de temperatura em nenhum momento da viagem desde Campo Grande ao Rio”, disse Maria Cristina Santos, que saiu da capital sul-mato-grossense em voo da Azul no final da manhã de sexta-feira com conexão no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e desembarque final no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Filas na sala de embarque do Aeroporto Internacional de Campo Grande, sem o recomendado distanciamento (Foto: Maria Cristina Santos)
Filas na sala de embarque do Aeroporto Internacional de Campo Grande, sem o recomendado distanciamento (Foto: Maria Cristina Santos)

Aglomeração na sala de embarque - Até em função do movimento maior de véspera de feriadão, a sala de embarque no Aeroporto de Campo Grande na sexta-feira estava cheia com muita gente aglomerada em pé, contou Maria Cristina. “Também  porque os lugares para sentar foram reduzidos em razão dos protocolos de biossegurança”, ressaltou ela.

Sobre os procedimentos dentro do avião, Maria Cristina relatou que não há distanciamento e a proposta de bloquear o assento do meio das fileiras para manter a segurança sanitária dos passageiros, anunciada e discutida pelas aéreas no início da pandemia, não se tornou realidade.

“Dentro do avião não há distanciamento, os assentos continuam próximos e no meu voo todos estavam ocupados. O uso de mascara é obrigatório, no começo da viagem a tripulação entrega um lenço com álcool para limpar as mãos e o serviço de bordo acontece apenas na hora do desembarque, quando você tem a opção de pegar alguns salgadinhos para levar”, disse Maria Cristina.

Na cabine do avião, onde o distanciamento é algo impossível pela proximidade dos assentos (Foto: Maria Cristina Santos)
Na cabine do avião, onde o distanciamento é algo impossível pela proximidade dos assentos (Foto: Maria Cristina Santos)

A agitação dos passageiros para soltar o cinto de segurança e se levantar em busca da sua mala de mão no bagageiro de bordo, logo que o avião pousa, também segue igual como era antes da pandemia, apesar das recomendações.

“Quando o avião pousa a tripulação informa que a saída será realizada por fileiras, porém, são poucos passageiros que respeitam, ou seja, antes que os motores sejam desligados muitos já levantam para retirar suas bagagens”, relatou Maria Cristina.

Pelo que se percebe no relato da campo-grandense, as regras sanitárias foram estabelecidas, mas nem todos encaram com a consciência de que é essencial respeitá-las para o bem geral, e tanto os gestores dos aeroportos quanto as companhias aéreas não se empenham sobre fazer cumprir normas básicas, como o distanciamento social.

Por tudo  isso, nesta retomada das viagens de avião qualquer pessoa que ainda tenha um mínimo de preocupação sobre o contagio do vírus terá motivos para se sentir desconfortável nos aeroportos e também a bordo dos aviões.

Praia de Ipanema com pouco movimento nesta segunda-feira, apesar do feriado de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Maria Cristina Santos)
Praia de Ipanema com pouco movimento nesta segunda-feira, apesar do feriado de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Maria Cristina Santos)
Registro da campo-grandense Maria Cristina Santos desde a cobertura do hotel em Ipanema com vista para o Morro Dois Irmãos, localizado no bairro do Vidigal, com 533 metros acima do nível do mar (Foto: Arquivo pessoal)
Registro da campo-grandense Maria Cristina Santos desde a cobertura do hotel em Ipanema com vista para o Morro Dois Irmãos, localizado no bairro do Vidigal, com 533 metros acima do nível do mar (Foto: Arquivo pessoal)

Movimento nos aeroportos - Levantamento realizado pelo Ministério do Turismo diz que perto de 1 milhão de pessoas circularam pelos principais aeroportos no país entre sexta-feira, 9, e segunda-feira, 12, para aproveitar o feriado de Nossa Senhora Aparecida.

De acordo com o levantamento, os Aeroportos Internacionais de Brasília e o Santos Dumont, no Rio, estão entre os mais movimentados no feriado com cerca de 129 mil e 75 mil passageiros, respectivamente. Antes do feriado, o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, tinha expectativa de um movimento 20% maior do que o registrado normalmente neste período de pandemia.

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