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02/10/2013 14:29

A corda bamba do lucro e do caixa

Por Paulo Sérgio de Moraes Sarmento (*)

Perseguimos o lucro como razão principal da existência e sobrevivência de uma empresa. No entanto, considerar o fluxo de caixa positivo é tão essencial quanto. Uma posição não substitui a outra, mas podemos admitir que uma empresa possa ficar um tempo sem lucro ou até mesmo no prejuízo. Um tempo apenas. Agora, quanto ao seu caixa não há o que se discutir: uma empresa sem caixa está em apuros. Pior se não tiver crédito também.

Certos projetos e empreendimentos bem intencionados que apresentam viabilidade no longo prazo, podem não chegar lá exatamente porque há falha no importante detalhe de formação de caixa no tempo adequado. Ou seja, no planejamento o longo prazo está bem, mas no curto a empresa não tem caixa, não tem fôlego. Que adianta mostrar lucro se não tem caixa positivo?

O caixa garante a oxigenação da empresa. É o sangue que circula garantindo o funcionamento de todo o seu organismo. Com ele se pode investir, financiar, prover e manter a operação funcionando. Se ela funcionar bem, aí sim vai gerar o lucro. Tendo lucro terá um caixa mais robusto.

Geração de caixa deve ser um ponto de observação constante e motivo de aperfeiçoamento das estratégias. Sem o fluxo positivo do caixa os problemas ficam sem solução, ou melhor, passa-se a conviver com a emergência, faltando com as suas obrigações e com a manutenção dos recursos produtivos.

É preciso entender a complexidade da administração e perceber que tanto o lucro como a formação de caixa são extremamente necessários e geralmente estão em compassos diferentes. Quando não se gera lucro, há problemas de caixa levando a tomar empréstimos ou venda de ativos. Só que o problema continua porque não há lucro.É possível que o planejamento considere um período inicial de caixa negativo com suprimento de empréstimos, contando com o amadurecimento das atividades e um retorno econômico lá na frente.

Outro aspecto relevante e ao mesmo tempo contraditório em certas gestões é quando temos uma empresa lucrativa, boa de caixa e, exatamente por isso, acaba investindo em novos negócios pouco rentáveis e fracos de geração de caixa, acabando por comprometer a galinha dos ovos de ouro.

A rentabilidade é o principal objetivo de uma empresa e só ela garante a sua longevidade. A administração do caixa, do seu fluxo positivo é o segredo da saúde financeira e do crescimento. O caixa precisa ser gerado a tempo e no montante ideal e isso deve ser articulado em sintonia com as atividades primárias da cadeia de valores, como vendas, marketing, logística, operações e pós-vendas.

O banco que empresta analisa se o caixa é suficiente para haver pagamentos no prazo contratado. Ele, na prática, não se importa com o lucro da empresa. Essa é uma preocupação dos acionistas dela. Se a geração de caixa não for suficiente e não tiver provisões para contingências e reservas para a reposição de ativos, o patrimônio líquido vai diminuindo e lá se vão as garantias.

O EBTIDA (cuja tradução do inglês é “antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações”) é a análise preferida e está na moda exatamente porque dá a medida da geração de caixa que gera capacidade de pagar dividendos, reinvestimentos e caixa para o investidor. Mas, é uma análise que esconde as oscilações no capital de giro em decorrência de inadimplência, dos prazos menores de fornecedores e estoques mal balanceados. Se a empresa faz empréstimos para cobrir falta de capital ou prejuízos, os juros que terá que pagar não aparecem no EBITDA.

Perversamente, o lucro paga imposto. Numa sociedade, pagar impostos significa uma diminuição dos meios de pagamentos e menor capacidade de pagar dividendos e até mesmo limitações para novos investimentos. Os dois: lucro e caixa têm que funcionar em harmonia e são inseparáveis. São eles que criam o valor da empresa. Tem a ver com o que se compreende por uma empresa saudável, geração de caixa depois de pagar o custo do capital de terceiros, depreciação e o resto. Planejamento é bom para o caixa e para o lucro.

(*) Paulo Sérgio de Moraes Sarmento é economista e sócio da VSW Soluções Empresariais.

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