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Campo Grande, Sábado, 23 de Junho de 2018

03/09/2012 16:31

A imbecilidade das queimadas

Por Gerson Luiz Martins (*)

A palavra “imbecilidade”, grafada desta forma nos principais dicionários de língua portuguesa, é sinônimo de tolice, estupidez e é descrita como “retardo mental em que o nível intelectual do individuo corresponde ao de uma criança entre três e sete anos”. Também está registrada como sinônimo de “covardia”. Entende-se que talvez este último sinônimo expresse bem o que significa a imbecilidade das queimadas.

O problema no entanto, para quem usa desse artificio para “renovar” seus campos, reside num grave problema de educação. Todos os anos campanhas e mais campanhas de prevenção das queimadas, dinheiro e mais dinheiro investidos nessas campanhas, tal como as campanhas contra o consumo de álcool antes de dirigir, não encontram resposta, eco na população. Se todo esse trabalho, todo esse gasto em campanhas não resultada em atitudes saudáveis, é porque o problema é mais grave e está num processo de educação precário.

A cada ano, todos sabem, o estado enfrenta um período longo de estiagem entre os meses de agosto e setembro. A cada ano inúmeros órgãos públicos gastam parte de seus orçamentos em campanhas educativas que não logram êxito. Ou essas campanhas são deficientes, mal planejadas e mal executadas, ou o nível educacional dos sujeitos objetos das campanhas não a compreendem, não se importam com as mensagens ou simplesmente ignoram!

O fogo, elemento divinizado pelos povos primitivos e, portanto, tem seu valor simbólico incontestável, é inimigo público num período de estiagem. Na Espanha, neste período, em pleno verão no hemisfério norte, se gasta fortunas para controlar inúmeros incêndios que ocorrem nas zonas florestais. O mais recente, nas Ilhas Canárias, em La Gomera, consumiu mais de 4000 hectares de mata e provocou o desalojamento de mais de 5000 pessoas, centenas de famílias e perdas humanas e materiais irreparáveis. Um outro grande incêndio ocorreu, no final de julho, na região da fronteira entre Espanha e França próximo ao Mediterrâneo. É desolador observar quilômetros e quilômetros de mata queimada, destruída. Esta visão se pode comparar com as dezenas de quilômetros pelas estradas na região do Semiárido brasileiro. Animais mortos, plantações destruídas, trabalho e anos de vidas consumidos pelo fogo.

Os incêndios, as suas consequências não se limitam às áreas de queimada. Neste período de estiagem, provocam danos às populações urbanas e chegam a Campo Grande onde aumenta a sensação térmica e provoca inúmeras doenças respiratórias.

E por que, apesar de todos esses malefícios, ainda se continua a utilizar uma prática de renovação de pastagens da “idade média”? Parece haver apenas duas respostas. Primeiro, como foi mencionado, um problema educacional, seja no aspecto do conhecimento formal e tudo o que envolve as consequências das queimadas, seja na simples ignorância das inúmeras campanhas educativas, como o não entendimento ou o não conhecimento das mesmas. E em segundo, reside na imbecilidade. Por certo, esta ultima resposta não pode ser admitida, pois se compreende que haja conhecimento de técnicas primitivas de renovação de pastagem, embora primitiva, mas técnica. E toda técnica requer conhecimento.

E as queimadas urbanas? O que dizer de centenas de pessoas que fazem fogo para queimar os restos de lixo, de mato seco quando limpam suas casas e terrenos? Essas mesmas pessoas que sofrem, cotidianamente, com um clima mais seco, com névoas densas de fumaça! No entanto, e isso pode ser observado nos inúmeros bairros da cidade, continuam na queima dos restolhos de vegetação seca.

Comparado com as situações de queimadas, incêndios que se alastram em toda a Espanha e os danos causados às milhares de pessoas, no patrimônio público e privado, é urgente medidas educacionais eficazes para eliminar definitivamente o uso das queimadas na agropecuária e penalizar as pequenas queimadas urbanas. Uma educação formal como processo de conscientização para acabar com as queimadas demanda um longo prazo. Neste caso, é necessário um procedimento de curto prazo e ações educativas que, além de promover a conscientização da população, possa penalizar o uso das queimadas.

Quanto a imbecilidade das queimadas, lamentavelmente, pouco se pode fazer quando esta imbecilidade está instalada no agente que provoca a queima. E mesmo assim, se entende que há procedimentos, também educativos, que podem minimizar essas atitudes.

(*)Gerson Luiz Martins é jornalista e pesquisador do PPGCOM e CIBERJOR/UFMS

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Além da imbecilidade cultural e além das causas conhecidas e hipotéticas(não comprovadas científicamente) de queimadas, existe aquela que inicia nas margens das rodovias causada por fuligem incandescente que sai dos escapamentos dos ônibus e caminhões que se encontram com o motor desregulado. Vejam no Google "Queimadas no Brasil: Causa real nas rodovias"- Edmar- Itabira- MG
 
Edmar Viana de Freitas em 03/09/2012 07:32:31
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