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Atuação bibliotecária na pandemia de covid-19 em um cenário de desinformação

Por Shirlei Galarça Salort e Dirce Maria Santin (*) | 20/04/2021 07:31

O acesso e o uso da informação técnico-científica de qualidade são de maior relevância na atualidade, quando o mundo enfrenta a pandemia de covid-19, que afeta a vida e a saúde das populações e provoca efeitos sobre os sistemas econômicos, políticos e sociais. Há necessidade de informação ágil e confiável para a pesquisa, a tomada de decisões e os serviços de saúde. Estaria assegurada, assim, uma atuação adequada no enfrentamento aos desafios impostos pelo coronavírus.

Equipes de saúde, gestores e pesquisadores constituem o grupo de profissionais mais afetado pela pandemia, com reflexos sobre a sua atuação em hospitais, universidades, institutos de pesquisa e serviços de saúde em geral e destacado reconhecimento da sociedade pelo importante trabalho realizado.

Outros profissionais também têm se mobilizado no enfrentamento à pandemia, quer pela atuação direta no combate ao coronavírus, quer pela atuação na sociedade e nos serviços de apoio a instituições de saúde, como é o caso dos bibliotecários. Esses profissionais têm atuado em diversos espaços desde o início da pandemia, com importante papel na seleção, organização e disseminação de informações confiáveis em saúde, tanto para o desenvolvimento de pesquisas como para a tomada de decisão, atuando também em outros espaços de informação e cultura, como escolas, universidades, bibliotecas públicas e centros culturais.

As transformações na atuação bibliotecária, evidenciadas nas últimas décadas e bastante presentes na área da saúde e nas bibliotecas acadêmicas, foram potencializadas pela emergência da pandemia. A informação técnico-científica sobre o novo coronavírus e a covid-19 acelerou o complexo e diverso ecossistema de informação, além da abertura de dados e publicações.

Somando-se a isso, presenciamos uma enormidade de informações sobre o vírus, a doença e suas formas de tratamento, ocasionando uma infodemia, além de grande quantidade de fake news (informações falsas) e/ou distorcidas, feitas para enganar, o que caracteriza o fenômeno da desinformação.

Nesse contexto, a atuação bibliotecária para o enfrentamento da pandemia se refletiu em diferentes ações, boa parte das quais em esforços multidisciplinares voltados à produção e ao compartilhamento da informação. Bibliotecas e bibliotecários têm contribuído para a organização, a disseminação e o uso da informação pela comunidade acadêmica, por profissionais da saúde e pelo público em geral na UFRGS e em outras instituições. Exemplos relevantes são as atividades e os serviços das bibliotecas da Faculdade de Medicina (Biblioteca FAMED/HCPA) e do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (Biblioteca ICBS).

O papel e a atuação dos bibliotecários variam conforme o contexto e as necessidades de pesquisa e informação das instituições e da comunidade.

A atuação cada vez mais ativa e integrada ao ensino, à pesquisa e à extensão caracteriza a atividade e os serviços de informação na universidade e em institutos de pesquisa na atualidade. Já a gestão da informação e o apoio à decisão em serviços de saúde ampliam os espaços desse profissional em hospitais, empresas, laboratórios e em outras instituições de saúde.

A pandemia de covid-19 acelerou os fluxos de informação e potencializou o uso de evidências médicas, ao mesmo tempo que reforçou a importância das fontes confiáveis e dos serviços especializados de informação. O valor social do trabalho do bibliotecário é realçado, assim como a sua atuação integrada, colaborativa e interdisciplinar com pesquisadores, gestores e equipes de saúde. Adaptação e inovação contínua, dinamismo, proatividade e engajamento com as questões de saúde pública são traços esperados do profissional nesse contexto, bem como a necessária interação com as instituições e a comunidade.


(*) Shirlei Galarça Salort é bibliotecária na FAMED/HCPA da UFRGS e mestre em Educação.
Dirce Maria Santin é bibliotecária no ICBS e pós-doutoranda do PPGEdu/UFRGS.

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