A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

11/12/2017 13:36

Automóvel de Museu

Por Paulo Henrique Martinez (*)

O automóvel talvez seja o objeto emblemático do século XX. De Henry Ford às corridas de Formula 1, os veículos automotores encantaram seguidas gerações, com sua potência, design, acessórios, estilos e modelos. Objeto de consumo para muitos, de coleção, para poucos, de desejo, inegavelmente, para expressiva parcela da população ao redor do globo. Saudados como novidade e ícones da modernidade urbana e industrial, símbolos de posição social e traço de personalidade individual e coletiva, os automóveis povoam a imaginação e a vida cotidiana de crianças e adultos, de homens e mulheres, de pobres e ricos, de moradores do campo e das cidades.

O automóvel organizou a vida social no século XX. O encantamento produzido por essas máquinas fabulosas decorre, em larga medida, e desde o seu surgimento, da sensação de autonomia e de superação de limites que proporciona aos condutores e passageiros. Ao êxtase, surpresa ou pânico que desperta em pedestres e outros transeuntes, motorizados ou não. Ciclistas, cavaleiros, carroças ou andarilhos, todos são excitados ou apavoram-se em encontros inusitados e involuntários com os automóveis, em ruas, estradas ou mesmo nas calçadas.

Atropelamentos e colisões eram alvos de controvérsias jurídicas. Quem deveria ser imputado, o condutor ou a vítima, o fabricante ou o poder público, o indivíduo ou a sociedade? O cuidado dos proprietários com os seus veículos tornou-se índice de responsabilidade e de confiança pública, expressas na manutenção, na limpeza e na condução de automóveis. Salões, clubes, feiras, exposições, publicidade, artes, cidades, sociabilidade, de brinquedos a competições, fervilham com a indústria automobilística.

Em debate na televisão norte-americana, John Kennedy, referindo-se ao seu oponente, indagou ao telespectador: “você compraria um carro usado deste homem?”. Ao tocar, fulminante, a vida íntima, material e espiritual, da classe média, venceu a eleição presidencial. No Brasil, Juscelino, Collor e Itamar associaram suas imagens a automóveis. Vargas, Lula e Dilma apregoaram que, sem petróleo, o país não anda. Historiador, Caio Prado Jr dizia que a história do Brasil, no século XX, seria entendida pela jardineira e o caminhão, o transporte automotivo de passageiros e de mercadorias.

Museus de automóveis são cada vez mais numerosos. São interativos, sedutores, diversificados, artísticos e históricos, tecnológicos e de indústrias, empresariais e comunitários. O automóvel no museu propicia amplos panoramas, e dos mais completos, em distintas dimensões do patrimônio museológico no Brasil e no exterior.

(*) Paulo Henrique Martinez, professor no Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis.

Triste boa notícia
A leitura é um dos maiores prazeres da vida. Mergulhar fundo no mar de palavras de belezas naturais, que ficam maravilhosas quando juntadas com maest...
Fim do Ministério do Trabalho: avanço ou supressão de direitos?
Numa eleição marcada por antagonismos e forte polarização, todo ato do presidente eleito tem sido motivo de fortes críticas, com especial endosso e e...
Brasil — Vocação para o progresso
Nas comemorações dos 129 anos da Proclamação da República, reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de iluminar as cons...
Eu sou eu e...
A busca de orientação para nortear nossas vidas nos proporciona caminhos os mais variados. Na medida em que essa busca se realiza por meios que se ba...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions